O Projeto de Revitalização dos Carros de Combate Leopard 1 A5 BR e a manutenção do poder de combate da 6ª Brigada de Infantaria Blindada

por GENERAL DE BRIGADA ANDRÉ LUIZ DE SOUZA DIAS e CORONEL IDUNALVO MARIANO DE ALMEIDA JÚNIOR

Nota Redação Defesanet: Este artigo faz parte de uma série dedicada à análise da importância da revitalização do Leopard 1A5 BR para o Exército Brasileiro. Nesta edição, o enfoque recai sobre a perspectiva da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, trazendo uma visão operacional de quem emprega diretamente esses meios e destacando seu impacto na prontidão e no poder de combate da Força Terrestre.

Desde o seu surgimento, na 1ª Guerra Mundial, o carro de combate foi progressivamente se aperfeiçoando e moldando às exigências tecnológicas da guerra de movimento, até culminar nas revolucionárias blitzkrieg germânicas da 2ª Guerra Mundial.

A manutenção de grandes formações blindadas em ambos os lados da Cortina de Ferro, durante a Guerra
Fria, bem como os ensinamentos colhidos das guerras árabe-israelenses, a partir da década de 1960, selaram, em definitivo, a imprescindibilidade das tropas blindadas nas batalhas e a sua inata vocação para a decisão dos combates.

As campanhas contra o Iraque, no alvorecer do mundo pós Muro de Berlim, e do Afeganistão, na dita Guerra Contra o Terror, em coalisões lideradas pelos Estados Unidos da América, reafirmaram o papel proeminente dos blindados e o seu uso, por vezes maciço, para a consecução dos objetivos planejados.

Mais recentemente, na Guerra da Ucrânia, sobretudo, e nos intermináveis conflitos no Oriente Médio, em alguma medida, tem sido destacado o conceito das tropas blindadas como a espinha dorsal de qualquer força terrestre.

Atualmente, o núcleo duro da Força Terrestre brasileira se compõe por brigadas mecanizadas e blindadas, com mobilidade estratégica e elevado alto poder de combate.

Nelas, estão distribuídos todos os carros de combates do Exército: os Veículos Blindados de Combate – Carros de Combate Leopard 1 A5 BR (VBC CC Leopard 1 A5 BR) e os Veículos Blindados de Combate – Carros de Combate M60 TTS.

Neste contexto, a 6ª Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer (6ª Bda Inf Bld)¹, subordinada à 3ª Divisão de Exército – Divisão Encouraçada, possui dois regimentos de cavalaria com a VBC CC Leopard 1 A5 BR: o 1º Regimento de Carros de Combate – Regimento Vanguardeiro (1º RCC) e o 4º Regimento de Carros de Combate – Regimento Passo do Rosário (4º RCC). Cada um deles possui três esquadrões de carros de combate,
a 13 carros, que somados aos carros do comandante e do subcomandante do regimento, perfazem um total de 41 VBC CC Leopard 1 A5 BR.

Com o propósito de manter em elevados níveis a capacidade operacional do núcleo duro da Força Terrestre, coube ao Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar (Pq RMnt/3), localizado em Santa Maria-RS, a importante missão de executar as tarefas atinentes ao prolongamento da vida útil da frota de carros de combate do Exército, no escopo do Projeto de Revitalização das VBC CC Leopard 1 A5 BR (Programa Estratégico Forças
Blindadas).

Lançado no segundo semestre de 2025, o Projeto é gerenciado pelo Estado-Maior do Exército e coordenado pelo Comando Militar do Sul e pelo Comando Logístico.

A revitalização em questão permitirá o uso das VBC CC Leopard 1 A5 BR até 2040, assegurando a necessária projeção de poder do Exército, ao mesmo tempo que possibilitará a progressiva implementação das medidas relacionadas à substituição dos carros de combate atuais por outros mais modernos.

Diferentemente das manutenções preventiva e corretiva, ressalta-se que a revitalização tem por propósito restaurar, em sua plenitude, as capacidades originais desse Material de Emprego Militar (MEM).

A atividade envolve a coordenação e a sincronização de uma quantidade considerável de equipes qualificadas e especializadas. Cada VBC CC Leopard 1 A5 BR passa por um diagnóstico completo, que direciona os trabalhos para duas grandes áreas: chassi e torre.

Após a troca de peças e componentes eletrônicos, são feitos os testes finais, que incluem a verificação de arranque, a aceleração, a frenagem e a estabilização da torre e do armamento. Um vez aprovados, os carros retornam às suas unidades de origem.

Para otimizar os processos e reduzir custos, o Pq R Mnt/3 conta com uma Seção de Estudos e Projetos, composta por engenheiros formados no Instituto Militar de Engenharia, que desenvolvem peças exclusivas a serem utilizadas e contribuem para o esforço de nacionalização de componentes, apresentando soluções às tarefas a serem executadas.

De origem alemã, a VBC CC Leopard 1 A5 BR é empregada mundialmente, incluindo a recente Guerra da Ucrânia. No Exército Brasileiro, elas estão em operação desde 2009.

A previsão do Projeto é revitalizar cinco VBC CC Leopard 1A5 BR em 2026, até totalizar 52 unidades, no espaço temporal de dez anos.

Cada revitalização leva, em média, dois meses de trabalho intenso. No dia 13 de março, os dois primeiros carros foram formalmente entregues: uma ao 1º RCC e o outro ao Centro de Instrução de Blindados General Walter
Pires².

Até o final deste ano, mais dois serão recebidos pelo 1º RCC, ao passo que outro será destinado ao 4º RCC, totalizando quatro veículos revitalizados na 6ª Bda Inf Bld. O Pq R Mnt/3 possui tropa altamente especializada na manutenção de todos os blindados da família “A” Leopard³, que compõe a frota brasileira. Em específico, esta manutenção é aprofundada até o 4º Escalão, o que possibilita tanto a revitalização quanto uma eventual
modernização de blindados.

Soma-se a isso a realização de trabalhos de reparação de alta complexidade em equipamentos eletrônicos, essenciais ao combate moderno.

As brigadas blindadas são, enfim, tropas de grande mobilidade, poder de fogo e proteção blindada, compostas por MEM nobres e pessoal altamente especializado e adestrado, que executam operações continuadas com características preferencialmente ofensivas, assegurando a ação de choque necessária para a decisão do combate.

A revitalização de parte da frota de VBC CC Leopard 1 A5 BR é, portanto, uma decisão bastante acertada e oportuna do Exército Brasileiro, que permitirá à Brigada Niederauer, em particular, manter à disposição do escalão decisor a totalidade de suas capacidades essenciais de emprego.

Notas:

¹Em Santa Maria, além do seu Quartel-General, existem outras nove OM da 6ª Bda Inf Bld: o 29º Batalhão de Infantaria Blindado; o 1º RCC; o 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado; o 4º Batalhão Logístico; a Companhia de Comando da 6ª Bda Inf Bld; o 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado; a 6ª Bateria de Artilharia Antiaérea Autopropulsada; a 3ª Companhia de Comunicações Blindada; e o 26º Pelotão de Polícia do Exército Mecanizado. O 7º Batalhão de Infantaria Blindado está em Santa Cruz do Sul-RS, o 4º RCC, em Rosário do Sul-RS, e o 12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, em Alegrete-RS.

²Atualmente localizado em Santa Maria-RS, foi criado em 11 de outubro de 1996, no Rio de Janeiro- RJ, e tem por missão especializar militares das Forças Armadas brasileiras e de Nações Amigas na operação de meios blindados e mecanizados, no emprego tático de frações de mesma natureza, até o nível subunidade.

³Em alusão à sua origem: Alemanha. A Brigada Niederauer possui as seguintes viaturas desta família: VBC CC Leopard 1 A5 BR (1º e 4º RCC); Viaturas Blindadas Especiais (VBE) de Engenharia (12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado); VBC Gepard 1A2 (6ª Bateria de Artilharia Antiaérea Autopropulsada); e VBE Socorro Leopard I BR (1º RCC, 4º RCC e 4º Batalhão Logístico)

GENERAL DE BRIGADA ANDRÉ LUIZ DE SOUZA DIAS:
Formado em 1996, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), é oriundo da Arma Infantaria. Atualmente, comanda a 6° Brigada de Infantaria Blindada, com sede em Santa Maria-RS. Nessa mesma Brigada, foi o Comandante da Companhia de Comando, em 2010-11, e do 29º Batalhão de Infantaria Blindado, no biênio 2019-20. Além do Curso de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro, realizou o Curso de Estado-Maior das Forças Armadas da Espanha e o de Altos Estudos Nacionais da Bolívia. Possui os Mestrados Acadêmicos em Operações Militares e em Ciências Militares, ambos no Brasil, em Política de Defesa e Segurança Internacional, na Espanha, e em Segurança, Defesa e Desenvolvimento, na Bolívia. É membro da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB) e do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB).

CORONEL IDUNALVO MARIANO DE ALMEIDA JÚNIOR
Ingressou às fileiras do Exército em 1992, no TG 11-003, Uberaba-MG. Formou-se, em 1997, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), pelo Quadro de Material Bélico. Possui o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército (CPEAEx/ECEME), o MBA pela FGV/ECEME, o Mestrado Acadêmico em Ciências Militares (IMM/ECEME), o Curso de Logística e Mobilização Nacional (ESG), o Curso de Coordenação e de Operações Interagências (ESD), o Curso de Extensão de Economia e de Planejamento de Defesa (ESD) e o Curso QEMA de Planejamento e Emprego de Mísseis e Foguetes (ASTROS). Comandou o Centro de Logística de Mísseis e de Foguetes, em Formosa-GO, e, atualmente, é o Diretor do Parque Regional de Manutenção da 3ª RM, sediado na cidade de Santa Maria-RS.

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