COBERTURA ESPECIAL - Intel - Inteligência

24 de Maio, 2022 - 18:30 ( Brasília )

Especial - Guerrilhas, indígenas e diamantes de sangue – Uma entrevista com Felipe Gonzales

Uma entrevista especial que deve ser lida com muito interesse

Guerrilhas, indígenas e diamantes de sangue – Uma entrevista com Felipe Gonzales
 

 

Vitória Klícia De Sousa Damasceno
Correspondente especial DefesaNet – Especialista em Ciências Sociais

 
 

O especialista e consultor para assuntos de mineração, segurança e defesa Felipe Gonzales Saraiva Da Rocha, 26, é natural do Rio de Janeiro, capital.
 
Foi analista de foto-inteligência e agente de contrainteligência para a empresa de origem russa focada em assessoria governamental e logística de materiais sensíveis, a Meridian Orbis Group – que está à frente de soluções governamentais no Leste Europeu, Ásia Central, Oriente Médio, África e Venezuela – além de ter alcançado um dos maiores postos da organização, o cargo de Chief Operating Officer (C.O.O.), no qual permaneceu pelo período de três anos (2019-2021), a frente de trabalhos na América Latina e África Lusófona; atuou também de forma independente como consultor para oligarcas russos que desejavam investir e adquirir no mercado de minérios na América do Sul, em nações onde existe a regularização;
 
De maneira privada realizou ao menos três assessorias diretas em questões relacionadas a aquisição de materiais de Segurança e Defesa para líderes de Estado localizados na África Ocidental.

Visto como uma carta Joker por alguns serviços de inteligência, o mesmo mantém íntimos laços e um certo nível de blindagem com agentes políticos do Duma e Soviete da Federação, além de facilitado corredor de diálogo com empresários do mercado de defesa e mineração da comunidade sionista internacional.

Apesar de desconversar e negar quando abordado no tema, especula-se que possivelmente recebeu formação técnico-militar no Instituto Militar de Línguas Estrangeiras, localizado em Moscou, onde possivelmente obteve suas habilidades com comunicação e negociação.
 
Em entrevista ao DefesaNet, Felipe Gonzales recebeu nossa equipe de correspondentes e assistentes em uma sala de reuniões localizada no bairro Meireles, área nobre de Fortaleza, capital do Ceará.



 Foto de Felipe Gonzales, em Moscou, Rússia - Via entrevistado
 
DefesaNet: Sr. Gonzales, é sabido por fontes de inteligência que o Brasil assim como os demais países Amazônicos são alvos da extração de minerais, especialmente por falsas ONGs de origem estrangeira, uma prática deliberada e com o controle mínimo por parte dos países que detém controle sobre essas imensas áreas territoriais. No caso do Brasil, focando na sua experiência no mercado mineral, como isso ocorre?
 
Felipe Gonzales:
A inserção de atores estatais camuflados no Brasil ocorre de maneira mais abrupta no final dos anos 80 no país, e intensificou-se mais precisamente em 1989, até o presente momento, especialmente com a chegada de programas especiais de serviços de coletas de informações, de Estados estrangeiros, especialmente, mas não totalmente, provenientes da Europa e Estados Unidos. Normalmente mascarados como programas religiosos e ambientais.
 
DefesaNet: E de que forma isso é realizado?
 
Felipe Gonzales
: De formas diversas, como um leque de opções. Regularmente é criado NGOs sob o guarda-chuva de empresas ou organizações privadas criadas por centrais de inteligência, que são mantidas fora dos seus países de origem, por motivos óbvios, essas empresas são utilizadas para a o recebimento e repasse de recursos do seu Estado [país] de origem, que por subsequência os transferem para programas especiais de inteligência, entre eles os ligados a falsas NGOs.
 
As operações são diversas, a depender do objetivo a ser lançado pelo Estado detentor da operação, pode variar desde a biopirataria, como exemplares de plantas, minerais e até mesmo de material humano, como ossos, passando inclusive, se assim for determinado, para a formação de células de resistência armadas utilizando como mão de obra as populações indígenas e ribeirinhas.
 
Mas como reafirmo, as missões são diversas e varia de acordo com os planos lançados pelo Estado estrangeiro gerenciador da operação. Esses dois exemplos, são apenas um dos mais variados dentro de uma gama. A utilização de equipes com finalidade de apenas observar as infraestruturas civis, como portos, aeroportos, estradas e checkpoints das forças armadas e policiais, também são usadas.
 
DefesaNet: A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) detém essas informações?
 
Felipe Gonzales
: Eu acredito que sim, que detém as informações. Além das organizações militares das Forças Armadas que o Brasil dispõe na região, e dos demais órgãos Federais, Estaduais e Municipais que naturalmente são fontes para a coleta de dados ao Sistema Brasileiro de Inteligência, existe também as unidades de Operações Especiais fixas naquela região, como é o caso da Marinha e do Exército, que dispõem de elementos Comandos Anfíbios [Marinha] e Forças Especiais [Exército], ambas são unidades que pela natureza do seu trabalho possuem as condições para executar tarefas mais minuciosas no que tange a produção de dados, que podem ser uteis a ABIN. Se a mesma não faz isso, seria na minha percepção mau-caratismo, por isso prefiro acreditar que esse trabalho é executado.
 
DefesaNet: Falando sobre a Venezuela, na região geográfica denominada “Arco Minero”, é de conhecimento público a presença de guerrilhas armadas de diversas regiões da América do Sul, especialmente da Colômbia e outras de origens locais puramente venezuelanas, assim como a presença confirmada de atores estatais russos, como forças regulares e PMCs, qual a síntese e colaboração desses atores com a exploração mineral e influência sobre os povos indígenas que lá vivem?
 
Felipe Gonzales:
Devemos ter em mente que a região norte da América do Sul, desde muito tempo teve a presença de guerrilhas armadas com viés marxista-leninista, isso não é um fenômeno recente, e remonta a década de 1960. Guerrilhas diversas, entre as mais conhecidas posso citar o Sendero Luminoso [Peru], ELN [Colômbia] e FARC-EP [Colômbia], não irei entrar no mérito de suas aspirações ou objetivos, pois apesar de semelhanças entre elas na sua matriz ideológica e filosófica, possuem objetivos distintos a nível de gerência regional.
 
O que posso lhe afirmar hoje é que algumas dessas, especialmente o ELN, está tomando porções floresta adentro para a exploração de minérios na selva Venezuelana, e isso inclui partes estratégicas do estado de Bolívar.
 
Maduro por exemplo para contornar a crise econômica que assola o seu país, entregou aos governadores dos seus estados minas para a exploração de ouro, com o objetivo de aliviar as sanções, mas obviamente isso não deu certo, gerou diversos conflitos e interesses que saíram da esfera governamental e adentrou os anseios pessoais de quem realizava o gerenciamento. Por exemplo, na pequena cidade de El Callao, na qual a renda local é quase totalmente proveniente e relacionada com a extração mineral, especialmente o ouro, detém hoje ao longo de toda sua região guerrilhas fortemente armadas que realizam a proteção das zonas de extração de minérios, e quando digo armada, não é garimpeiros portando um revólver ou uma espingarda calibre 12, e sim organizações de maioria colombianas, armadas com fuzis e metralhadoras dos mais variados tipos e empregos, e obviamente os recursos obtidos da exploração mineral são usados para o financiamento do terrorismo internacional, como a aquisição de meios, recrutamento e aliciamento de indígenas e a aplicação do terrorismo direto contra os meios do Estado.
 
DefesaNet: Impressionante! E de qual forma a Rússia entra nessa história?
 
Felipe Gonzales:
A Federação Russa não tem qualquer participação com problemas internos governamentais na Venezuela ou qualquer outro lugar da América do Sul, os meios que lá dispõem são de acordos públicos e de conhecimento de todos, relacionados única e exclusivamente à cooperação técnico-militar com a Venezuela.
 
Cooperação essa de caráter normal e cotidiano como ocorre em qualquer outra nação ao redor do mundo, e que teve sua ampliação em demais assuntos de interesse de ambas as nações, com a celebração de12 novos acordos dentro do âmbito da Comissão de Intergovernamental de Alto Nível Rússia-Venezuela.
 
Inclusive o Brasil faz modelos homólogos com outras nações, posso citar a cooperação com a Namíbia para a formação de sua Marinha, e outras cooperações para a formação de recursos humanos no Paraguai, São Tomé e Príncipe, Guiana entre outros... isso de alguma maneira se traduz que o Brasil está a realizar alguma ação a nível de caráter conspiratório ao redor do mundo? Não, soaria ultrajante.
 
Devo lembrá-la que estórias de PMCs russas na Venezuela, se lá estão, são de interesse privado e celebrados unicamente com atores privados e não estatais, e caso isso exista, o que temos e vemos até então são imagens divulgadas em mídias sociais, mas sem qualquer tipo de comprovação documental oficial que possam realizar algum lineamento, e em grande parte movidas por achismo e ufanismo apenas para a obtenção de seguidores e engajamento.
 
DefesaNet: Os acontecimentos mais recentes relacionados aos Yanomamis e amplamente divulgados na impressa internacional, em foco o estupro de uma garota indígena e o envolvimento de garimpeiros e grupos armados em suas reservas, o que podemos destrinchar sobre isso?
 
Felipe Gonzales:
Pude acompanhar o desdobramento ocorrido sobre o caso em questão, mas não me entenda mal... casos como esses sempre ocorreram, e não entendo a razão pela qual somente agora, no século 21 do ano de 2022, as mídias de massa e parte da classe artística resolveram divulgar amplamente o fato! Na verdade, até entendo, são guiados mais por motivação ideológica do que qualquer outra coisa...
 
O ocorrido foi triste? Sim, lamentável! Algo da mais terrível, absurda, profunda e obscura maldade da natureza humana, e que em minha opinião, comprovado de fato o crime e seus responsáveis, caso a legislação brasileira possuísse tal dispositivo, deveria ser aplicada a pena capital aos envolvidos, mas infelizmente não dispomos de tal dispositivo.

Mas posso garantir que parte da mesma classe artística, na hora de comprar sua cannabis para recreação, cocaína, MDMA ou qualquer outro tipo de sujidade para ficarem inspirados em apresentações ou qualquer outra atividade, não pensam em estupros de indígenas ou a vida dos mesmos, e se quer saibam sobre as rotas que esses entorpecentes percorrem ou o tipo de mão de obra que é utilizada para que eles possam ´usufruir´ desses psicoativos.




Indígenas guerrilheiros no Peru


Cerca de 80% é mão de obra análoga à escravidão utilizando indígenas, especialmente em países como Peru, Colômbia e Bolívia, e isso inclui também o uso de crianças soldados, como áreas localizadas no *VRAEM. (Nota DefesaNet - Vale dos Rios Apurimac, Ene e Mantaro. Região com altos níveis de pobreza localizada na Amazônia peruana, e com a presença de guerrilhas.)
 
DefesaNet: O Cartel de los Soles, possui uma grande influência sobre a área de atuação do Arco Minero, e por extensão as terras indígenas que abrangem o estado de Roraima, os Yanomami de alguma forma são ameaçados ou sofrem consequências com essa presença?
 
Felipe Gonzales:
Essas acusações é problema do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Washigton criou denúncias acusando Nicolás Maduro e demais altos funcionários do seu governo de organização internacional de tráfico de drogas, e deverão mostrar provas contundentes sobre isso. Mas devemos relembrar o que ocorreu no Iraque em 2003 e na Iugoslávia em 1999.
 
DefesaNet: Atualmente que tipos ou quais são os perfis de diamantes são extraídos da reserva Yanomami?
 
Felipe Gonzales:
São diversos, dos mais variados tipos, cores, imperfeições e tamanhos! Devo mencionar, caso não saiba, o Brasil é um dos maiores detentores de reservas de diamantes do mundo, não apenas em quantidade, mas também em qualidade!

A reserva Yanomami é apenas um dos milhares de finitas localizações dentro do território brasileiro no qual possuem diamantes em abundância, que por motivos políticos, impedem a sua regularização e exploração, que certamente, caso houvesse a anuência do Estado, poderiam se converter em impostos que seriam direcionados a própria preservação ambiental, aquisição de aparatos de defesa para as autoridades policiais e militares, assim como na melhoria de vida das populações adjacentes, pois com o mercado regularizado permitindo a sua exploração inclusive pelos próprios índios, na subsequência seriam criados mão de obras diretas e indiretas.
 
Sobre os tipos e perfis encontrados no nosso país, o Gemological Institute of America (GIA) criou uma classificação, a mais utilizada em todo o mundo para classificar e distinguir diamantes, trata-se de uma classificação que se inicia na letra D (Incolor) e caminha até a letra Z (com tonalidades muito amplas), no Brasil encontramos todos, mas de forma geral apenas para você ter conhecimento: D, E e F (Diamantes incolores), G, H, I e J (Quase sem nenhuma coloração), K, L e M (cores fracas, mas perceptíveis) e  se encerra nas letras N e Z (cor viva, muito forte).
 
Esses diamantes após serem removidos da natureza, estão em estado bruto, assim como uma pedra que você encontra pela rua, as pessoas mais leigas possuem em mente que eles são de formato hexagonal ou oval (risos), mas para chegarem a esse desenho de corte é realizado um processo de lapidação, que poderá ser classificado como lapidações lisas, facetadas ou mistas.


 
Foto - Diferentes padrões de diamantes

DefesaNet: Guerrilheiros e garimpeiros, quando flagrados em grampos telefônicos, normalmente utilizam uma espécie de código para se referir aos diamantes, usando siglas denominadas VVS1 e VVS2, o que isso seria?
 
Felipe Gonzales:
(Risos) Não, não... VVS é um termo também criado e utilizado pelo Gemological Institute of America (GIA) e amplamente usado no mundo da alta joalheria e por subsequência em qualquer negociação que envolvam gemas.

VVS é a sigla em inglês para ´Very, Very Slightly included´´, os diamantes do tipo VVS são classificados em duas subcategorias, o com a indicação número 1, significa que ele possui muito poucas impurezas dentro da pedra, quase inexistentes e até difíceis de serem vistas com ampliação a 10x.
 
Já os que possuem a indicação número 2, são muito semelhantes aos VVS1, porém com impurezas mais fáceis de detectar, porém não menos importantes e também muito requisitados.
 
Mas falando de gemas VVS1, elas representam menos de 1% dos diamantes do mundo, mas felizmente grande parte dos existentes, são encontrados no Brasil e em alguns outros poucos países do mundo.
 
Um diamante VVS1 será considerado um diamante de "qualidade para colecionador" com uma combinação de alta cor e corte requintado. Com essa pureza, você paga não apenas pela beleza, mas pela raridade, pois é uma qualidade muito além do que o olho nu pode determinar.

Mesmo em diamantes de corte implacável que são notoriamente claros em termos de clareza, assim como também em esmeraldas e águas marinhas, as inclusões VVS1 são tão pequenas que nunca seriam vistas sem uma lupa de alta potência. Os clientes às vezes escolhem o VVS1 para ter certeza absoluta de que seu corte de passo é excelente, sem falhas visíveis.
 
DefesaNet: Além desses aspectos existem outros que classificam um diamante no momento da sua aquisição, seja no mercado legal ou paralelo?
 
Felipe Gonzales:
Sim, um termo que chamamos de 4Cs. Color (Cor), Clarity (Pureza), Cut (Lapidação) e Carat Weight (Peso em quilates). Negociações que envolvem diamantes, independentemente do tipo de mercado que você esteja inserido, regulado ou não, a regra dos 4Cs normalmente é aplicada, com casos não raros de clientes apenas exigindo um tipo de característica e ignorando as demais. 
 
DefesaNet: Sobre a venda de diamantes, os índios brasileiros possuem algum nível de complacência com os garimpeiros?
 
Felipe Gonzales:
É um tema um tanto quanto âmbar! Grande parte das atuais Terras Indígenas estão dentro de riquíssimas áreas minerais, e muitas tribos, realizam a exploração desses recursos, mesmo que de forma irregular aos olhos da lei.
 
Já outras [tribos], movidas por sentimentos talvez de inserção ideológica de atores não indígenas, ou até mesmo de questões de valores étnico-religiosos, preferem não fazer a exploração de tais recursos.
 
Veja, não estou aqui para apontar o dedo e dizer quem está certo ou errado, afinal não sou um agente aplicador de lei, mas é preciso entender que o índio assim como eu e você também possui necessidades, ambições, aspirações e deseja uma vida melhor!
 
Não é porque em suas veias corre sangue indígena que o mesmo deva ser obrigado a permanecer a uma situação de miséria, que beira a semelhança aos seus ancestrais vivendo a 522 anos no passado, vivendo em condições deploráveis.
 
E hoje, no ano de 2022, muitas tribos são obrigadas a ganhar o pão de cada dia sendo tratados a semelhança com animais de zoológico, obtendo como fonte de renda principal a chegada de turistas para realizar fotografias, vídeos para TikTok e ações semelhantes, a que pontos chegamos!? Deixar pessoas isoladas em meio a mata, impedindo de explorar seus recursos de maneira sustentável!? É fácil aplicar ações e criar leis do tipo quando você pode pedir sua comida por aplicativo.
 
Eu sei que existem tribos que não partilham dessa visão, e não desejam explorar tais recursos naturais, bem, se não desejam, não vejo problema, não o façam, poderão permanecer iguais seus ancestrais como vieram a Terra; sem telefone, sem internet, caçando em meio a mata, dormindo em meio a lama, insetos e vegetações. A vontade deverá ser respeitada..., mas para as tribos que desejam a sua evolução social e tecnológica, e não depender de auxílios do governo, deveria sim o Estado autorizar a exploração dos recursos da terra de forma sustentável, inteligente e com os devidos planos de ressarcimento ambiental.
 
DefesaNet: Quais são as suas ligações com Lev Leviev? Fontes alegam que você e pessoas diretamente ligadas a ele compartilham informações confidenciais e possuem acesso facilitado sobre dados de mineração repassadas pelo Kremlin.


Felipe Gonzales: [Silêncio ensurdecedor] sabe o que mais gosto dessa sala de reuniões? A altura dela. vocês aceitam chá?

Sabe, existem fronteiras tangíveis e intangíveis, saber sobre hipotéticas redes de contatos e conexões que eu detenho, são as intangíveis.(Nota DefesaNet – Lev Leviev: oligarca Uzbeque-Israelense com forte atuação no mercado internacional de diamates, especialmente na área de Angola, além da realização de investimentos  para colonzação de assentamentos israelenses) 
 
DefesaNet: E sobre a De Beers?
 
Felipe Gonzales:
(Risos) Você é esforçada para extrair informações, não? Nunca mantive qualquer contato com a De Beers ou pessoas ligadas diretamente a ela, até o presente momento.
 
DefesaNet: Voltando ao aliciamento de indígenas Yanomami. Existem grupos armados internacionais que adentram as fronteiras do Brasil e realizam interações com esses índios ou outras tribos?
 
Felipe Gonzales:
Sim. Grupos colombianos inseridos irregularmente dentro da Venezuela, em geral milícias que não são muito conhecidas nas mídias ou que sejam vinculadas a grupo maiores, mas que são tão fortemente armadas como as mais conhecidas. Normalmente realizam incursões rápidas dentro das fronteiras do Brasil, com duração de poucos dias em meio a mata, e retornam aos seus pontos de origem.
 
Em geral, para manter contato com os indígenas, esconder material bélico, criar pontos de apoio e as vezes simplesmente adentram a fronteira sem perceber, pois, em determinadas áreas sem o auxílio de equipamentos de geolocalização ou carta, fica dificultoso saber qual lado da fronteira você está percorrendo, então ocorre a entrada em solo brasileiro de forma não intencional.
 
DefesaNet: As Forças Armadas Venezuelanas ou russas estacionadas em território venezuelano, realizam algum tipo de interação com os indígenas Yanomami?
 
Felipe Gonzales
: Devo ressaltar que os Yanomami são indígenas de um quantitativo superior a 30.000 índios! Por viverem em faixa de fronteira entre o Brasil e a Venezuela, em movimento pendular entre os dois Estados, é natural que quando dentro do território venezuelano as forças militares do país [Venezuela] venham a entrar em contato, quando achar porventura a necessidade.
 


Foto - Imagem tirada quando da visita do bombardeiro estratégico russo TU-160 à Venezuela. Em primeiro plano o ministro da defesa da Venezuela general Vladimir Padrino

DefesaNet: E as forças russas, ou membros do FSB lá instalados?
 
Felipe Gonzales
: Balela. Isso não ocorre. São estórias.
 
DefesaNet: Para finalizarmos, gostaríamos de saber qual é a sua visão de espectro político, você se considera uma pessoa voltada para a esquerda ou direita?
 
Felipe Gonzales:
Isso soa um pouco engraçado, mas a definição mais próxima de como penso, opero e vejo o mundo é *RealPolitk. Não sou guiado por cegueira e ufanismo ideológico, baseio as minhas ações nas necessidades, e onde eu quero acessar, estabelecer acordos e conexões. (Nota DefesaNet - Termo alemão que se refere à política de poder. Enfatiza políticas baseadas nas considerações de poder prático em detrimento das políticas baseadas nas considerações morais e éticas. Deste modo, RealPolitik significa manutenção da segurança do Estado em um ambiente hostil e onde o poder e a política de poder são vistos como o principal objetivo dos líderes.)
 
DefesaNet: Agradecemos pelo seu tempo, e pela disposição em conversar conosco Sr. Gonzales.
 
Felipe Gonzales:
Eu que os agradeço, as portas sempre estarão abertas ao DefesaNet.


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Última atualização 06 JUL, 11:50

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