COBERTURA ESPECIAL - Guerra Informação e Híbrida - Geopolítica

17 de Janeiro, 2022 - 11:00 ( Brasília )

Estúdio do Hamas em Gaza grava séries para contra-atacar sucessos televisivos de Israel


Em pleno centro de Gaza, um estúdio de televisão do movimento islamita Hamas recria, com bandeiras israelenses e documentos em hebraico, os "escritórios" dos serviços de segurança de Israel para filmar séries com a sua versão do conflito israelense-palestino.

Trata-se de uma resposta do Hamas aos programas israelenses de sucesso como o drama "Fauda", que atraiu milhões de espectadores nas plataformas Netflix, HBO e Apple TV+.

"Fauda", caos em árabe, apresenta uma unidade militar dirigida pelo comandante Doron Kavillio que lança invasões nos territórios palestinos.

Em Gaza, enclave palestino controlado pelo Hamas, não é uma boa ideia admitir que já assistiu a "Fauda", segundo o diretor local Mohamed Soraya.

Ver qualquer série da televisão israelense significa apoiar a "normalização" das relações com Israel, afirma Soraya, que dirige uma série do Hamas sobre o conflito.

Ele afirma que as séries israelenses "apoiam a ocupação sionista" porque suas tramas "criminalizam os palestinos".

"Queremos mudar a equação para mostrar o ponto de visto palestino, exibir um drama sobre o espírito da nossa resistência", explica à AFP.

O Hamas é considerado uma organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia. O grupo islamita controla a Faixa de Gaza, com 2,3 milhões de habitantes.

No enclave, também controla o canal de televisão Al Aqsa e investiu em séries inspiradas em Hollywood e nas telenovelas turcas, muito populares no Oriente Médio.

- "O punho dos homens livres" -

A série em produção "Qabdat al-Ahrar" ("O punho dos homens livres", em tradução livre), aborda uma operação israelense de 2018 na Faixa de Gaza que culminou na morte de sete combatentes do Hamas e um oficial israelense.

Os protagonistas são combatentes do Hamas que lutaram em quatro guerras contra Israel desde 2008.

Os orçamentos, no entanto, são baixos, assim como os salários dos atores. Os cenários são básicos e a equipe de produção tem que entregar 30 episodios em abril, a tempo para a festa muçulmana do Ramadã.

As produções israelenses costumam incluir atores da minoria árabe-israelense, mas as produções de Gaza não contratam atores israelenses.

Isso obriga os estúdios a recrutarem atores locais para interpretar israelenses, algo que, segundo os intérpretes, pode expô-los a hostilidades no mundo real.

O diretor e crítico palestino Jamal Abu Alqumsan considera que as séries têm um potencial enorme para contar histórias dos palestinos, mas precisam enfrentar muitos desafios.

"Precisamos que os produtores invistam em séries de qualidade que contem ao mundo a nossa história. Temos bons atores, precisamos de bons diretores e recursos", acrescenta.


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