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02 de Setembro, 2020 - 13:21 ( Brasília )

Open Society Foca a Região Amazônica

Organização fundada por George Soros doa ao Brasil US$ 5 milhões para combate à COVID-19


Celia Rosemblum
Valor 02 Setembro 2020


A Open Society Foundations, organização filantrópica criada pelo megainvestidor bilionário George Soros, decidiu concentrar na Amazônia um volume significativo dos US$ 5 milhões (cerca de R$ 27 milhões) que está doando para reduzir os impactos da COVID-19 no Brasil. Pará e Maranhão estão recebendo US$ 1 milhão cada (R$ 5,4 milhões) para ações emergenciais - compra de insumos médicos e equipamentos hospitalares - e para programas de mitigação à fome e geração de renda voltados para as populações mais vulneráveis. Os recursos também vão contemplar iniciativas de 24 organizações da sociedade civil.

“Optamos por voltar esforços para a região amazônica, pois se conecta com o nosso trabalho de ação climática”, diz diretor para América Latina e Caribe da Open Society Foundations, Pedro Abramovay. A doação para o Brasil faz parte de um pacote de US$ 220 milhões (R$ 1,2 bilhão) destinados pela organização ao combate à pandemia em vários países.

Fazer a diferença no cuidado à população vulnerável na Amazônia é estratégico para a Open Society. “Para conseguirmos proteger a floresta, precisamos mostrar que a floresta em pé é um ativo econômico mais importante para a população da região do que o seu desmatamento. E é por isso que nosso apoio à região tem sempre o viés de olhar para a população local em primeiro lugar.”

Os Estados do Maranhão e do Pará têm historicamente capacidade restrita de atendimento na saúde pública, diz Abramovay. “Mas são governos que agiram com respostas efetivas de combate à pandemia, baseadas na ciência, pensando na inclusão social e no desenvolvimento regional para o futuro pós crise, que são as frentes de ação que receberão nossos recursos”, afirma.

Já as 24 organizações da sociedade civil foram escolhidas por sua atuação nas vertentes em que a Open Society Foundations se concentra: justiça econômica, direitos humanos, democracia e transparência. Uma das instituições, por exemplo, dá apoio a empregadas domésticas da região Amazônica; outra, à rede de catadores de materiais reciclados.


A pandemia, diz Abramovay, exige duas respostas em fases distintas. Socorro emergencial, saúde pública e combate à fome vêm em primeiro lugar. A segunda fase se concentra em suporte a iniciativas em países que enfrentam também o desastre econômico provocado pela pandemia, como o Brasil.

Existe hoje, nas crises sanitária, social e econômica uma oportunidade para impulsionar mudanças fundamentais.

Segundo Abramovay, “necessárias para construir sociedades que sejam mais fortes e resistentes para enfrentar os desafios que virão e para que, desse trauma, possa emergir um mundo melhor e mais economicamente justo”.

As iniciativas geram reações em cadeia. “Quando nossos recursos são utilizados para fornecer cestas básicas, contribuímos para o combate à fome e para a geração de renda ao adquirir os produtos da agricultura familiar local”, relata Abramovay. “Acesso à saúde pública é um direito do cidadão. Quando auxiliamos com recursos para compra de medicamentos e insumos médicos e hospitalares, fortalecemos a cidadania.” O olhar para o futuro está situado no apoio a projetos de capacitação profissional e reforço da rede de proteção aos trabalhadores informais.

No Maranhão, a doação se destina à compra de 30 mil cestas básicas com produtos adquiridos de agricultores familiares de 75 municípios da região. Além de equipamentos médicos e medicamentos, os recursos também serão usados para produção e distribuição para população de 500 mil máscaras artesanais de proteção, confeccionadas por trabalhadores da região.

No Pará, os recursos permitirão a distribuição de 8 mil cestas básicas, investimentos em iniciativas de geração de renda e a construção de moradias para a população em situação de rua.

“Essa parceria é uma possibilidade de construir frentes que permitam novas políticas públicas”, afirma, em nota, o secretário de Articulação da Cidadania no Estado, Ricardo Balestreri. As iniciativas, diz, “criarão estruturas para recuperação da economia popular, com a oferta de formação profissional, acompanhamento para colocação dos beneficiários no mercado e trabalho e de empreendedorismo”.

Além de apoio aos dois governos, a Open Society Foundations atua junto a 24 instituições da sociedade civil no desenvolvimento econômico, com ações voltadas para trabalhadores informais, fortalecimento de redes de solidariedade em favelas e de organizações do movimento negro, proteção a defensores de direitos humanos e combate à desinformação e proteção à democracia.

“A pandemia trouxe desafios mais sérios para aqueles que defendem a democracia e os direitos humanos”, diz Abramovay. “Queremos fortalecer organizações que estão trabalhando para que a reorganização da sociedade seja em torno da democracia, dos direitos humanos e da economia limpa.”

Criada por Soros em 1979 para subsidiar os estudos universitários de sul-africanos negros durante o apartheid e também para apoiar os dissidentes na Europa Oriental, a Open Society tem hoje projetos em mais de 120 países. Funciona em rede, com fundações nacionais e regionais e apoio a um amplo portfólio de iniciativas. Para este ano, o orçamento é de US$ 1,2 bilhão no mundo. A América Latina e o Caribe têm reservados US$ 55,6 milhões - 4,5% dos recursos globais, segundo o site da instituição.

Até agora, Soros doou mais de US$ 32 bilhões para a organização, que desde o início das atividades destinou mais de US$ 15 bilhões para iniciativas relacionadas a seus principais focos: justiça, democracia e direitos humanos.

 


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