COBERTURA ESPECIAL - Geopolítica Híbrida - Geopolítica

18 de Março, 2021 - 11:15 ( Brasília )

Rússia convoca embaixador nos EUA após comentário de Biden


A Rússia convocou seu embaixador nos Estados Unidos de volta a Moscou para consultas sobre o futuro dos laços bilaterais nesta quarta-feira, depois que o presidente norte-americano, Joe Biden, disse que Vladimir Putin "pagará um preço" por uma suposta interferência nas eleições.

Biden fez os comentários depois que um relatório de inteligência dos EUA sustentou alegações de longa data segundo as quais Putin está por trás da interferência eleitoral de Moscou nos EUA, uma acusação que a Rússia classificou de infundada.

O Ministério das Relações Exteriores russo disse em um comunicado que chamou seu embaixador, Anatoly Antonov, de volta a Moscou para debater o futuro do relacionamento da Rússia com os EUA.

A medida foi tomada para impedir que os laços bilaterais se degradem irreparavelmente, disse a chancelaria.

"O principal para nós é determinar as maneiras pelas quais as difíceis relações russo-americanas, que Washington levou a um beco sem saída nos últimos anos, pode ser retificada", disse a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, em um comunicado publicado no site da pasta.

"Estamos interessados em evitar sua degradação irreversível se os americanos reconhecerem os riscos envolvidos."

Relatório dos EUA diz que Rússia interferiu em eleições de 2020 e que Putin estava ciente

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sabia e provavelmente comandou uma iniciativa russa para manipular a eleição presidencial dos Estados Unidos de 2020 em favor do ex-presidente Donald Trump com "alegações enganosas ou infundadas" contra o então desafiante Joe Biden, afirmaram autoridades de inteligência dos EUA nesta terça-feira.

A avaliação foi feita em um relatório de 15 páginas sobre interferência eleitoral publicado pelo gabinete do diretor de Inteligência Nacional do país. O documento ressalta alegações de que aliados de Trump atuaram em consonância com Moscou ao amplificarem acusações feitas contra Biden por figuras ucranianas ligadas à Rússia no período que antecedeu a votação do dia 3 de novembro.

Biden, um democrata, superou Trump, republicano, e se tornou presidente no dia 20 de janeiro.

Agências de inteligência dos Estados Unidos encontraram outras tentativas de influenciar eleitores, incluindo uma "campanha de influência e abordagem múltipla" conduzida pelo Irã para sabotar o apoio a Trump, que havia retirado os EUA de um acordo nuclear com o país islâmico e impôs a seu governo novas sanções.

O relatório também desmentiu uma narrativa endossada pelos aliados de Trump de que a China estaria interferindo em benefício de Biden, concluindo que o governo de Pequim "não organizou iniciativas de interferência".

"A China buscou estabilidade em sua relação com os Estados Unidos e não enxergou que um determinado resultado fosse vantajoso o suficiente para arriscar uma represália caso fosse pega", diz o documento.

Autoridades norte-americanas também dizem que houve tentativas vindas de Cuba, Venezuela, e do grupo militante libanês Hezbollah para tentar influenciar a eleição, embora "de maneira geral, avaliamos que essas foram menores em escala do que as conduzidas por Rússia e Irã".


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