A crescente assertividade estratégica de Moscou no flanco oriental europeu mantém em alerta os países bálticos. Entre eles, a Lituânia desponta como um dos casos mais sensíveis, em razão de sua posição geográfica e de suas vulnerabilidades estruturais. Com menos de três milhões de habitantes, o país é simultaneamente membro da OTAN e da União Europeia, além de fazer fronteira direta com a Belarus e com o semiexclave russo do Oblast de Kaliningrado.
Esse enquadramento geopolítico alimenta, entre analistas e autoridades de defesa, a hipótese de que Vilnius possa figurar entre os alvos de uma eventual escalada militar russa. Embora o cotidiano no país transcorra com aparente normalidade, o governo lituano admite trabalhar com o pior cenário possível.
Em declarações à Euronews, o vice-ministro da Defesa Nacional, Karolis Aleksa, avaliou que a Rússia representará uma ameaça crescente ao longo dos próximos cinco anos. Segundo ele, Moscou já demonstrou “vontade política e prontidão militar” para empregar a força como instrumento de consecução de objetivos estratégicos.
Vilnius identifica como vetores centrais de preocupação o fortalecimento das capacidades militares russas, a disposição do Kremlin para o uso da força e a tentativa de reformular a arquitetura de segurança europeia. Aleksa advertiu que o regime russo encara o poder militar como ferramenta legítima para alterar o equilíbrio continental, citando a Ucrânia como exemplo do que poderia se repetir em outros teatros.
No campo da segurança interna e da contrainteligência, as tensões também se intensificaram. A Al Jazeera noticiou que autoridades lituanas atribuíram formalmente ao GRU a coordenação de tentativas de ataques incendiários ocorridas em 2024 contra uma fábrica que fornece scanners de ondas de rádio às forças ucranianas.
Seis cidadãos — da Espanha, Colômbia, Cuba, Rússia e Belarus — foram detidos e acusados de tentativa de incêndio criminoso. Segundo a polícia lituana, ações semelhantes teriam sido planejadas na Polônia, Romênia e República Tcheca. Moscou, por sua vez, nega qualquer envolvimento em atos de sabotagem na região.
No plano militar, um marco relevante do reforço defensivo lituano será o destacamento permanente de uma brigada da Bundeswehr a partir de 2027, iniciativa liderada pela Alemanha. Ainda assim, a preparação báltica não é recente.

A Reuters informou, em 2025, que Lituânia, Estônia e Letônia vinham elaborando planos de contingência para uma eventual ação militar russa, incluindo cenários de evacuação em massa de civis — uma preocupação ancorada na memória histórica da anexação soviética durante a Segunda Guerra Mundial.
Apesar das reiteradas declarações de Moscou de que não pretende atacar países da OTAN, os três Estados bálticos mais do que dobraram seus gastos com defesa desde a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Para Vilnius, a lógica é inequívoca: trata-se de assegurar a defesa de cada centímetro do território nacional e, ao mesmo tempo, demonstrar que a dissuasão no flanco oriental não é um esforço isolado, mas um compromisso coletivo da Aliança Atlântica.



















