Gustavo Petro sabe mais do que diz e pode fazer acordo com Trump
Nelson Düring
Editor-Chefe DefesaNet
As recentes declarações do presidente colombiano Gustavo Petro sobre a necessidade histórica e política de “reestabelecer a Grã-Colômbia” não podem ser tratadas como mera retórica ideológica ou nostalgia bolivariana. Em um ambiente internacional marcado por disputas territoriais reabertas, erosão do direito internacional e crescente militarização de fronteiras, esse tipo de discurso assume contornos de provocação direta aos Estados vizinhos — em especial ao Brasil, cuja soberania sobre a Amazônia é frequentemente alvo de questionamentos externos.
A chamada Grã-Colômbia, entidade política do século XIX idealizada por Simón Bolívar, abrangia territórios que hoje pertencem à Colômbia, Venezuela, Equador e Panamá, com projeções históricas e simbólicas sobre áreas amazônicas sensíveis. Ao ressuscitar esse conceito no século XXI, Petro não apenas flerta com um revisionismo territorial perigoso, como também introduz instabilidade estratégica em uma das regiões mais delicadas do continente.
Para o Brasil, a mensagem é clara — ainda que não explicitada em termos militares. A Amazônia brasileira, principalmente o a parcela do território da Cabeça do Cachorro, já começa a sofrer pressão de narrativas internacionais que tentam relativizar a soberania nacional sob pretextos ambientais, humanitários, indígenas e agora históricos.
Está es la Gran Colombia, era la idea de Bolívar y propongo por voto constituyente de la población, que la reconstruyamos como una confederación de Naciones autónomas.
— Gustavo Petro (@petrogustavo) January 10, 2026
Tendríamos unas políticas comunes en las materias que proponga el pueblo. Indudablemente la política comercial… pic.twitter.com/cUB2R5ZUYm
Quando um chefe de Estado sul-americano evoca projetos supranacionais históricos envolvendo a Amazônia, reforça-se a percepção de que o território brasileiro é visto como espaço negociável ou passível de “gestão compartilhada”, algo absolutamente incompatível com o princípio da soberania.
Petro foi porta-voz de Washington. A ideia da Grã-Colômbia seria a intenção de criar um novo Estado com governo centralizado e controlado pelos Estados Unidos. O discurso de Gustavo Petro não foi nostalgia sul-americana, mas uma mensagem direta ao subcontinente, e que deveria ser levada a sério pelo Brasil, já que o mapa exposto inclui parte do território brasileiro.
O problema se agrava quando se observa que a Colômbia mantém estreita cooperação militar e de inteligência com os Estados Unidos, país que historicamente demonstra interesse estratégico direto na Amazônia. Nesse contexto, a retórica de Petro pode funcionar como instrumento político indireto, criando pressão diplomática e narrativa favorável à internacionalização de debates sobre segurança, meio ambiente e governança amazônica.
Além disso, declarações dessa natureza minam os esforços de integração regional baseados no respeito mútuo às fronteiras herdadas do pós-independência. A estabilidade da América do Sul sempre se apoiou no princípio da intangibilidade territorial. Romper esse consenso, ainda que no plano discursivo, abre precedentes perigosos que podem ser explorados por atores externos e internos.
O silêncio ou a reação tímida do Brasil diante desse tipo de provocação seria interpretado como fraqueza estratégica. O país não pode se dar ao luxo de tratar discursos revisionistas como irrelevantes, especialmente quando partem de um chefe de Estado em exercício. Soberania não se defende apenas com diplomacia cordial, mas também com clareza política, presença militar e dissuasão efetiva.
Um alerta para Brasília. Com o honroso posto de ser o segundo governo mais atacado na América Latina, após o venezuelano Maduro, Petro já prepara as malas para visita a Washington DC, no início de Fevereiro. Enquanto isso Brasília, dominada por Amorim e seguidores fervorosos e a propaganda “Sidonet (do marqueteiro Sidônio)” clama que Lula intermediará o conflito da região com Donald Trump.
A Grã- Colômbia ou o ressurgimento do Corredor Triplo A (Andes-Amazônia-Atlântico)
O plano da Grâ-Colômbia junta-se a um plano mais ambicioso chamado AAA (Andes-Amazônia-Atlântico). O Objetivo é de internacionalizar a margem superior do Rio Amazonas, dos Andes até o Oceano Atlântico.
Você sabe o que é “Corredor Triplo A”? É uma questão de soberania! Minha missão como Comandante do @exercitooficial, preocupado com interesses nacionais, é indicar os riscos dessa proposta para o país. Precisamos discutir profundamente com a sociedade. NOSSA SOCIEDADE!
— General Villas Boas (@Gen_VillasBoas) September 19, 2018
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