COBERTURA ESPECIAL - Forças Especiais - Inteligência

12 de Julho, 2021 - 13:40 ( Brasília )

Meridian Orbis Group: Entrevista exclusiva com o CEO da empresa de consultoria que está englobando atividades de PMC, e atuando nas regiões mais conturbadas do planeta.

Entrevista exclusiva de DefesaNet com o CEO Serge Levin

Meridian Orbis Group
Entrevista exclusiva com o CEO Serge Levin

 

Redação DefesaNet
Exclusivo

 
Uma Private Military Company (PMC), também conhecida como Private Security Company (PSC), é uma companhia especializada na prestação de serviços relacionados à segurança armada e/ou militar em todo o mundo. Os funcionários de uma PMC são frequentemente chamados de mercenários, embora uma PMC faça um grande esforço para apontar que seus funcionários não são contratados como soldados da linha de frente e não devem ser considerados mercenários.

Embora seja uma piada para algumas pessoas, designar um funcionário como mercenário é uma grande questão no direito internacional, porque a Convenção Internacional contra o Recrutamento, a Utilização, o Financiamento e o Treinamento de Mercenários (que os Estados Unidos e o Reino Unido ainda não assinaram) proíbe essa prática. Em qualquer caso, desde a Guerra do Iraque, os negócios relacionados a PMC cresceram significativamente em todo o mundo e se tornaram uma escolha popular para ex-militares e aventureiros em busca de empregos bem remunerados nos 5 continentes.

Uma dessas companhias, em um universo de centena de milhares, é a de poucos rastros uma subsidiária de Meridian Orbis Group (MOG) que é tratada por alguns como uma das mais densas e obscuras PMC em atividade, recebendo o codinome de ´´gloom´´ por serviços de inteligência ligados a África do Sul. pelo fato de a grande maioria dos seus integrantes serem oriundos de renomados grupos de Operações Especiais, Inteligência e Guerra Híbrida de diferentes partes do mundo, além de atuarem nos piores locais que um Ser Humano possa imaginar, onde a putrefação, carnificina e distúrbios políticos são considerados cotidianos e normais.

Seus contratos e presenças que se tornaram de conhecimento aberto são atividades de proteção e combate em Moçambique, Guiné Equatorial e Equador, além de passagens ainda não confirmadas, apesar de fortes indícios, no Burundi e Venezuela. Atividades e passagens essas com diferentes finalidades e objetivos a depender do contrato, que vão desde a proteção de altos funcionários de um governo, de empresas estrangeiras com empreendimento instalados nessas regiões problemáticas, e até mesmo o prestamento de treinamento e assessoria militar para as forças de segurança locais.

O apetite feroz por porções desse lucrativo e cada vez mais crescente mercado fizeram a MOG não medir esforços quando o assunto é entregar soluções para os seus clientes, mesmo que seja operar em locais onde PMCs mais antigas se negam a ir por conta dos finitos riscos e a mínima possibilidade de retornar vivo para casa.

Após mais de 2 meses de negociações, o DefesaNet conseguiu com exclusividade uma entrevista com o CEO da companhia, o Sr. Serge Levin, que nos recebeu muitíssimo bem em um dos 4 escritórios de operações globais da MOG, sendo esse localizado na cidade de Miami, nos Estados Unidos.

Antes de iniciarmos a entrevista, o esquema de segurança nos chamou a atenção, funcionários da PMC armados com fuzis de provável origem russa, assemelhando-se a modelos mais modernos do AK-47 e equipados com miras holográficas Eotech exps3 nos revistavam, enquanto outros passavam sobre a nossa equipe uma espécie de escâner portátil cujo visor conseguia observar por dentro do nosso corpo, assim como um aparelho de raio x.

O CEO, Serge Levin, nos observava no final do corredor trajando um elegante terno italiano, próximo de um grande quadro de Vlad III o empalador, tudo isso enquanto ecoava pelo ambiente uma tenebrosa versão da canção de Tchaikovsky, dance of the sugar plum fairy. Um tanto quanto excêntrico? Sim.
 
DefesaNet: Senhor Levin, antes de iniciarmos gostaríamos de agradecê-lo pela oportunidade de sermos o primeiro veículo de imprensa da América Latina, e provavelmente do mundo, no qual a sua organização abriu as portas para sanar dúvidas a respeito das atividades da Meridian Orbis Group.

Serge Levin: O prazer é meu.

 



Serge Levin CEO da Meridian Orbis Group


DefesaNet: Sobre as atividades da MOG, por motivos óbvios o senhor não poderá responder tudo aquilo que gostaríamos, e entendemos as razões, mas falando sobre os trabalhos atuais e perspectivas de futuros pela companhia, como enxerga as oportunidades de contrato em um mundo cada vez mais dinâmico e violento?

Serge Levin: Em primeiro lugar, quero esclarecer que a MOG é uma agência de consultoria global com recursos integrados de IA. Consultoria e logística relacionadas às atividades do PMC representam apenas uma de nossas divisões. Enquanto ao futuro, você está absolutamente correto - o mundo está se tornando cada vez mais instável, o que significa que uma resposta mais abrangente e rápida e contra-medidas inovadoras precisam ser desenvolvidas e implementadas. É aí que nosso know-how, capacidades tecnológicas e presença global são tão relevantes.

DefesaNet: Certamente a logística, gastos e toda a estrutura da sua PMC não é algo barato, como podemos observar o senhor detêm uma estrutura que podemos considerar invejável e até certo ponto inexistente em muitos exércitos ao redor do mundo, como o senhor conseguiu tamanha façanha?

Serge Levin:
Muito generoso da sua parte em descrever nossas capacidades sob tal luz. Deixe-me colocar desta forma: fomos capazes de capitalizar nossos relacionamentos de longa data com a comunidade de defesa global para alavancar nossa infraestrutura de IA proprietária. Conectamos os pontos - os pontos certos e na hora certa.

DefesaNet: Como é realizado o recrutamento ou contratação de novos operadores? sua equipe é muito grande?

Serge Levin:
Nosso processo de recrutamento sempre depende da área geográfica de operação do cliente final e do conjunto de habilidades necessárias. Na maioria das vezes, contamos com nossos operadores internos, mas aceitamos candidatos externos, caso a caso. Quanto ao número, sempre buscamos qualidade, não quantidade.

DefesaNet: Sabemos que anualmente milhares de militares de diversas especialidades e funções são dispensados por variados motivos, assim como aqueles que vão para a reserva, a Meridian Orbis Group possui oportunidades para esses homens?

Serge Levin:
Absolutamente. Além disso, esses são nossos principais candidatos preferidos.

DefesaNet: Mercenários russos ligados ao Grupo Wagner estão operando na Venezuela, e esse não seria o único grupo a trabalhar na região, algumas fontes alegam que os operadores da sua companhia estejam trabalhando na América do Sul, na região denominada Arco Mineiro, que fica inserida dentro da Venezuela, região essa rica em diamantes e ouro, isso é verdade ou apenas mera especulação?

Serge Levin:
Não somos o Grupo Wagner. Isso seria uma pergunta para eles.

DefesaNet: Percebemos que o senhor domina com quase perfeição o português, como adquiriu a habilidade com a língua de maneira tão natural?

Serge Levin:
Mais uma vez, você é muito generoso com seus elogios. Amo o som do português e sempre tive uma admiração pelo Brasil e seu povo.

DefesaNet: Já que estamos falando de língua portuguesa, não podemos deixar de questioná-lo sobre a África e os países que falam o português naquele continente - A MOG possui atividades em alguns países da África, que ações são essas e como está atualmente as atividades nessas regiões?

Serge Levin:
As operações da MOG têm uma pegada global. Oferecemos soluções abrangentes em todas as áreas de segurança, investigação, resposta a emergências e ajuda, bem como gerenciamento de projetos sob medida.

DefesaNet: Sobre as atividades de segurança pessoal, como a proteção de pessoas publicamente expostas e até mesmo um empresário e sua família, são cada vez mais recorrentes e necessitadas em diversos países, e o Brasil é um desses países que possuem essa demanda por profissionais para atuarem em cidades como o Rio de Janeiro, que é cercada por diversas favelas comandadas por diferentes grupos de guerrilhas fortemente armadas - A sua PMC possui atividades ou conversas para esse tipo de contrato no Brasil ou em algum outro lugar?

Serge Levin:
Trabalhamos em estreita colaboração com vários grupos de operações especiais no Brasil e, especificamente, no Rio de Janeiro. O Brasil é país grande, o que significa a nossa gama de serviços em que parte do mundo é sempre vai ser tão diversificada quanto possível.

DefesaNet: Observamos no cenário contemporâneo que as ondas massivas de imigrantes oriundos especialmente da África e Oriente Médio, com pensamentos, culturas e religião diferente do modelo religioso e ético judaico-cristão que é baseado quase a totalidade os países europeus, está levando regiões e países a um cenário de quase anarquia, a França e a Alemanha talvez sejam os exemplos mais notórios, com as forças de segurança desses países sendo apedrejadas e sofrendo ataques com lâminas e armas de fogo - Como a Meridian Orbis Group observa esse atual cenário? Existe parcerias ou conversas entre a MOG e outras PMC instaladas na Europa ou até mesmo com órgãos de segurança europeus para troca de experiências ou trabalhos conjuntos?

Serge Levin:
Esta é uma questão muito delicada e importante, não apenas relativa à Europa, mas a qualquer outra parte do mundo que atualmente é afetada por grandes grupos de pessoas deslocadas. É uma verdadeira tragédia. O objetivo da nossa empresa é reforçar a segurança global e reduzir o sofrimento humano. Mas voltando à sua pergunta original, sim, temos colaborações e pedidos de colaboração com várias agências governamentais locais na Europa para mitigar turbulências perigosas causadas pela crise de migração.

DefesaNet: Um fato curioso que nos chama a atenção sobre as variadas atividades da MOG, é a mesma realizar trabalhos relacionados a logística internacional, que tipo de trabalhos são esses? Seria o transporte de material sensível de um ponto A para um ponto B?

Serge Levin:
Temos orgulho de nossa capacidade de atender a todos os tipos de dúvidas logísticas relacionadas ao transporte humano ou carga. Isso varia de resposta de primeiros socorros a operações diplomáticas de segurança pessoal.

DefesaNet: Aparentemente a MOG é controlada 100% pelo senhor, transparecendo ser uma companhia de dono único. Isso é uma afirmação verdadeira ou possui mais sócios e/ou parceiros que estão por detrás da estrutura da PMC?

Serge Levin:
Como o nome indica, somos um GRUPO, portanto não, não controlo exclusivamente as operações da MOG. Temos vários parceiros-chave responsáveis por suas respectivas funções. Eu sou o fundador e diretor geral do grupo.

DefesaNet: Como é o relacionamento do senhor com outras PMC mundo afora? A concorrência tira o seu sono ou é possível manter-se em um relacionamento saudável com as demais empresas e seus respectivos donos?

Serge Levin:
Temos relacionamentos extremamente respeitosos com todas as empresas no domínio global de segurança e investigação que buscam objetivos semelhantes de defesa da segurança global e respeito aos direitos humanos. A competição é alta, assim como as barreiras de entrada. No entanto, todos nós operaramos em diferentes "escalões" se eu posso usar esse termo como uma metáfora.

DefesaNet: Muitos países latino-americanos sofrem diretamente com problemas relacionados ao tráfico de drogas e insurgências marxistas que possuem o anseio de implementar ditaduras nessas nações, o Sendero Luminoso que atua no Peru, o ELN na Colômbia, e o EPP no Paraguai são alguns pequenos exemplos. Caso hipoteticamente a Merdian Orbis Group seja solicitada para auxiliar as forças de segurança desses países, a mesma teria capacidade técnica para suprir e executar a missão?

Serge Levin:
Podemos pular a palavra hipotético porque essas solicitações já existem. E a resposta à sua pergunta é absolutamente sim.

DefesaNet: Nas fileiras da MOG possuem homens de variadas partes do mundo, e como somos brasileiros, ficamos com uma curiosidade (risos)! Existem brasileiros trabalhando em algum setor da MOG?

Serge Levin:
Haha, porque? Você tem alguns currículos para mim? Falando sério: nosso processo de recrutamento obedece aos padrões de oportunidades iguais. Contamos com uma das equipes mais diversificadas do mercado.

DefesaNet: Qual é o maior desafio que o senhor enxerga atualmente como gestor da companhia? Existe alguma barreira ou empecilho que busca contornar?

Serge Levin:
Encontramos desafios e obstáculos todos os dias. Essa é a natureza do nosso negócio. Constantemente nos esforçamos para ficar à frente da curva e mesclar a abordagem testada em campo tradicional com os mais recentes recursos baseados em IA.

DefesaNet: A MOG está aberta para parcerias estratégicas por meio de investimentos externos ou troca de mão de obra com empresas do mesmo segmento ou empresas de áreas totalmente diferentes? Já ocorreu alguma abordagem ou oferta?

Serge Levin:
Não apenas estamos abertos a essas parcerias sinérgicas, mas já operamos sob esse paradigma. A força de nosso negócio vem de uma rede coesa de divisões simbióticas. Estamos sempre procurando aumentar nossa vantagem competitiva de todas as maneiras possíveis. Nossas portas para o diálogo e a colaboração estão sempre abertas.

DefesaNet: No Brasil desde a chegada ao poder do presidente Jair Bolsonaro o comércio de armas de fogo, assim como o interesse da população civil para o ingresso em clubes de tiro e treinamentos relacionados a defesa pessoal obtiveram um boom nunca antes visto na história do país. A instalação física de estrutura do tipo PMC pela legislação do Brasil são proibidas, mas a abertura de clubes de tiro, aquisição de armas de fogo e centros de treinamentos para defesa pessoal por meio de armas de fogo, assim como serviços relacionados à segurança pessoal e patrimonial são permitidos. A MOG já olhou esse cenário ou possui planos para o mercado brasileiro nesse sentido?

Serge Levin:
No momento, não temos planos nesse sentido, mas estamos monitorando constantemente essas oportunidades.

DefesaNet: É comentado entre as ´´conversas de corredores´´ que a Meridian Orbis Group possui o contato direto com líderes de governos de diversas regiões do mundo, possuindo um relacionamento muito próximo com governanças que estão sofrendo algum tipo de instabilidade interna, como guerras civis e ataques terroristas, e até mesmo ações provocadas por agentes externos. Como o senhor enxerga a confiança de chefes de Estado nos serviços da sua companhia?

Serge Levin:
Na verdade, temos relacionamentos muito próximos com vários líderes mundiais e sempre buscamos desempenhar um papel construtivo ao responder a quaisquer solicitações oficiais que se enquadrem em nosso perfil. Esses relacionamentos levaram muito tempo para se desenvolver e dependem de muitas pessoas dentro de nossas fileiras.

DefesaNet: Para finalizarmos – Em uma palavra, como define a Meridian Orbis Group?

Serge Levin:
Eu pessoalmente o defino como um grupo consultivo abrangente com expansão Global e ponto de vantagem Orbital.


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