COBERTURA ESPECIAL - Modernização FAB - Aviação

10 de Dezembro, 2020 - 09:20 ( Brasília )

Força Aérea treina lançamento de mísseis em Parnamirim (RN)

Atividade coordenada pelo Comando de Preparo avaliou as capacidades do sistema IGLA-S em detectar e navegar em direção a alvos mesmo quando submetidos a contramedidas do tipo flare

Tenente Jonathan Jayme E Tenente-Coronel Santana


A Força Aérea Brasileira (FAB) concluiu, no dia 4 de dezembro, no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, região metropolitana de Natal (RN), a Avaliação Operacional (AVAOP) do míssil IGLA-S.  A atividade, coordenada pelo Instituto de Aplicações Operacionais (IAOp), subordinado ao Comando de Preparo (COMPREP), teve como objetivo verificar a capacidade dos mísseis em detectar alvos com diferentes intensidades radiantes e analisar a capacidade desse sistema em manter a navegação em direção a alvos, mesmo quando submetidos a contramedidas do tipo flare (artefatos lançados para confundir os mísseis).

O treinamento consistiu no lançamento de alvos simulados sobre o mar por aeronaves H-36 Caracal, pertencente ao Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (1º/8º GAV) – Esquadrão Falcão, e H-50 Esquilo, do Primeiro Esquadrão do Décimo Primeiro Grupo de Aviação (1º/11º GAV) – Esquadrão Gavião. Logo após, o míssil do sistema IGLA-S era disparado e seus movimentos registrados por câmeras de alta velocidade para verificação da distância de passagem dos mísseis em relação aos alvos aéreos.

O Gerente da AVAOP, Tenente Engenheiro Carlos Henrique da Silva Rodrigues, Oficial do IAOp responsável pelas fases de planejamento, execução e análise, explicou a dinâmica da Avaliação. “O experimento foi dividido em duas partes. A primeira, com a preparação logística para o disparo, consistiu na preparação do atirador do míssil e dos alvos aéreos nas aeronaves. Na segunda parte, foi feito o deslocamento da aeronave para o ponto de lançamento, realizamos o lançamento do alvo aéreo, a evasiva da aeronave e, por fim, o disparo do míssil”, completou. Ainda segundo o Gerente, o objetivo foi avaliar o comportamento do míssil em um cenário mais real possível. “Foram dois anos de planejamento. Os resultados fomentarão a utilização da maneira mais eficaz e correta possíveis pelos Grupos de Defesa Antiaérea”, esclareceu.

Aplicação dos resultados

O Diretor do IAOp, Coronel Aviador Alessandro Sorgini D’Amato, ressaltou a relevância dos resultados que esse tipo de atividade proporciona. “De posse do que coletamos aqui, o IAOp produzirá técnicas e táticas em prol do Preparo e Emprego da Força Aérea Brasileira. É importante exaltar o trabalho de todas as Organizações que fizeram parte dessa Operação e, ainda, a interação constante entre as áreas técnica e operacional”, enfatizou. Mais de 50 militares, de 16 Organizações Militares da FAB que compõem três Grandes Comandos, participaram da Avaliação.

O Comandante da Primeira Brigada de Defesa Antiaérea (1ª BDAAE), Brigadeiro de Infantaria Almir Pinto de Lima, ratificou a importância de avaliar o sistema. “Pela primeira vez, teremos a oportunidade de realizar uma análise científica, baseada em parâmetros pré-estabelecidos do real desempenho do sistema de míssil antiaéreo que operamos na FAB, em situação específica de combate. O resultado dessa Avaliação permitirá melhorias em nossas táticas, técnicas e procedimentos”, lembrou.

O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) é a Organização responsável por desenvolver os alvos simulados. O Diretor do IAE, Brigadeiro Engenheiro César Demétrio Santos, disse que o treinamento proporcionou maior operacionalidade ao CLBI e destacou aspectos relevantes que resultam da integração entre Unidades que participaram da Avaliação. “Nessa parte de entregáveis, é importante deixar em evidência o trabalho feito por Institutos subordinados ao DCTA [Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial]. Temos a participação do IAOp, subordinado ao COMPREP, que é interessado principalmente nos ensaios dos mísseis IGLA-S, e temos a participação do IAE, junto com o CLBI, provendo todos os meios necessários para que ocorra a operação e atenda aos interesses do Comando de Preparo”, acrescentou.

O míssil

O míssil IGLA-S destina-se a engajar aeronaves voando a baixa altura, ou seja, até 3.500m, em rota de aproximação ou afastamento, bem como veículos aéreos não tripulados (VANT) e mísseis de cruzeiro, mesmo em ambientes de contramedidas com fonte de calor (flares). É um armamento portátil do tipo fire and forget, ou seja, “atire e esqueça”.

Apresenta o alcance máximo de utilização de 6.000 metros e pode ser disparado de posições fixas, viaturas em movimento em terreno plano (até a velocidade de 20 km/h) e vagões ferroviários (até a velocidade de 50 km/h).

O conjunto em posição de combate pesa 16,7 kg e pode ser lançado do ombro do atirador nas posições de pé ou de joelho, apresentando o tempo de reação de 13 segundos. Seu sistema de guiamento é de Atração Passiva por Infravermelho, que funciona por meio da detecção de fontes de calor emitidas pelo alvo, como por exemplo, o calor oriundo das turbinas de uma aeronave.

O sistema IGLA-S possui a capacidade de diferenciação de alvos verdadeiros e alvos falsos, como por exemplo, flares, por meio da inserção de um Circuito de Seleção na Cabeça de Guiamento do míssil.

IAOP

O Instituto de Aplicações Operacionais (IAOp), subordinado ao Comando de Preparo (COMPREP) e situado no campus do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP), tem por missão conduzir as atividades de Aplicações Operacionais, a fim de contribuir para o Preparo e o Emprego da Força Aérea Brasileira (FAB). As ações ocorrem por meio do desenvolvimento de técnicas, táticas e soluções operacionais, além de suporte ao processo decisório do COMPREP.

Fotos: Soldado Thallys Amorim / CECOMSAER

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Vídeo: Soldado Victor Chagas / CECOMSAER


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