COBERTURA ESPECIAL - DQBRN - Aviação

10 de Março, 2020 - 11:50 ( Brasília )

Coronavírus: o impacto sem precedentes da doença sobre as companhias aéreas - e os preços das passagens



A economia global tem sido gravemente afetada pela disseminação do novo coronavírus e um dos setores mais atingidos é a indústria da aviação. As companhias aéreas podem perder até US$ 113 bilhões (R$ 523 bilhões) em receita este ano devido ao impacto do vírus, segundo estimativa da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês).

"O impacto da covid-19 é quase sem precedentes", disse Alexandre de Juniac, diretor-executivo da organização, na última quinta-feira. "Em pouco mais de dois meses, as perspectivas da indústria em grande parte do mundo deram uma reviravolta dramática".

O setor sofreu uma queda drástica no tráfego de passageiros devido ao medo que as pessoas têm de serem infectadas ao viajar.

A epidemia causou estragos em grande parte das empresas, que, por causa do surto, foram forçadas a reduzir voos e cancelar temporariamente algumas rotas.

A companhia aérea alemã Lufthansa anunciou sexta-feira que reduzirá sua capacidade em até 50% nas próximas semanas para enfrentar as consequências financeiras da crise.

A decisão foi tomada apenas um dia depois que a empresa cancelou 7,1 mil voos na Europa em março e todos os seus voos para Israel. O impacto do vírus na aviação se refletiu nas bolsas de valores nas últimas semanas, com quedas generalizadas de cerca de 10% e alta volatilidade.

No Brasil, as ações das principais companhias aéreas registraram forte queda devido ao temor com o coronavírus e a alta do dólar. A Latam cancelou temporariamente os voos para Milão, na Itália, e permitiu a remarcação gratuita das passagens.


Passageiros presos

Aéreas de baixo custo como EasyJet ou Ryanair estão entre as mais afetadas, enquanto a britânica Flybe anunciou na quinta-feira sua falência e deixou passageiros presos em diferentes cidades, informando-os de que devem retornar por seus próprios meios.

A Flybe havia escapado do colapso graças a uma ajuda do governo, mas a epidemia do coronavírus acabou provando-se fatal.

"Todos os aviões estão em solo e as operações no Reino Unido cessaram com efeito imediato", anunciou a empresa, pedindo aos clientes que não fossem aos aeroportos, já que não há voos alternativos.

"Apesar de todos os esforços, agora não temos alternativa", disse Mark Anderson, diretor executivo da empresa.

Voos por US$ 4


Pouquíssimas pessoas estão voando para a China, enquanto as viagens ao interior do país também caíram. Os voos entre Xangai e Chongqing estão sendo vendidos por apenas US$ 4,10, segundo o South China Morning Post.

O cancelamento de voos é influenciado tanto pela baixa demanda de passageiros quanto pelas restrições impostas para evitar uma propagação ainda mais extensa da epidemia no país asiático.

Nos países europeus mais afetados pelo declínio de turistas, como Itália, Espanha e França, o quadro é sombrio em alguns aeroportos e resorts.

"A queda no preço das passagens aéreas em todo o mundo está entre 15% e 30%", disse à BBC Mundo Francisco Coll Morales, economista e analista do Fórum Mundial de Turismo.

"Nunca vimos isso antes", diz o especialista. "É o maior desastre da história do turismo".

A situação é tão grave, acrescenta ele, que as perdas para o setor de turismo como um todo podem chegar a US$ 70 bilhões (R$ 324 bilhões).

Coll Morales explica que a indústria do turismo tem sido um dos setores que mais crescem em todo o mundo nas últimas décadas.

Em 1990, foram 458 milhões de turistas, enquanto hoje esse número já superou 1,4 bilhão.

A globalização, a melhoria da infraestrutura, os custos mais baixos e o desenvolvimento impulsionaram o crescimento dos negócios, diz o analista.

"O turismo é um pilar fundamental da economia", diz ele. E os setores mais afetados pelo vírus foram companhias aéreas, hotéis e operadoras de turismo.

A indústria do turismo representa 10,4% do crescimento econômico global e gera cerca de 319 milhões de empregos, ou seja, 10% do emprego global, segundo dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, em sua sigla em inglês).

A expansão da epidemia

Apenas duas semanas atrás, a IATA havia estimado que o surto custaria às companhias aéreas US$ 29,3 bilhões (R$ 136 bilhões) em receita, mas o cálculo rapidamente se tornou desatualizado devido à propagação do vírus que atingiu mais de 100 países.

Mais de 110 mil pessoas foram infectadas e quase 4 mil morreram em todo o mundo.

Na América Latina, a presença do vírus foi confirmada oficialmente na Argentina, Brasil, Chile, Equador, Peru, México e República Dominicana.

Além da China, a situação da indústria é especialmente delicada em países com mais de 100 casos, como Itália, França, Alemanha, Espanha, Irã, EUA, Coréia do Sul, Japão e Cingapura.

Essa crise de saúde já causou uma perda estimada de US$ 50 bilhões na economia mundial, de acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

E o crescimento econômico pode cair pela metade se o problema se prolongar e piorar, de acordo com as projeções da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Prejuízos por conta do coronavírus¹

As perdas até agora podem superar os 100 bilhões de dólares em um ano. Depois do aumento nas confirmações de casos de coronavírus pelo mundo e dos cancelamentos de eventos importantes em diversos países, as companhias aéreas nacionais e internacionais decidiram suspender rotas e reduzir a frequência de voos.

Os números de viagens para a China e Itália são os mais reduzidos. A baixa demanda, a redução forçada de voos e o custo operacional, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo, devem causar perdas que podem chegar a 113 bilhões de dólares neste ano.

O movimento reduzido nos aeroportos e a circulação de passageiros com máscaras, inclusive nos terminais brasileiros, deixam evidente o impacto da epidemia no setor. Os usuários manifestam preocupação e usam máscaras, mesmo sem sintomas e apesar dos avisos das autoridades de saúde de que o acessório é desnecessário.O publicitário Luiz Henrique Neves mora na Irlanda e preferiu pagar mais caro por um voo com conexão na França do que chegar à Europa pela Itália.

No Brasil, a Latam suspendeu até 16 de abril a rota para Milão, na Itália, por causa da quarentena imposta ao país pelo governo italiano. A Azul anunciou um programa de licença não remunerada para funcionários e cancelou voos para Cidade do Porto, em Portugal.

O presidente do Instituto Brasileiro de Aviação, Francisco Lyra, afirma que setor pode levar de seis meses a um ano para se recuperar do prejuízo causado pela queda do movimento.

Algumas empresas estrangeiras que operam no Brasil flexibilizaram regras de alteração de datas de passagens, sem cobrança de multa. Entre as empresas mais populares que operam no Brasil, a única que informou não ter sentido impacto nas operações é a Gol.

 

A companhia, entretanto, opera apenas na América do Sul e América Central, além de Miami e Orlando, nos Estados Unidos.

¹Rádio BandNews FM

 


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