COBERTURA ESPECIAL - Doutrina Militar - SOF

02 de Agosto, 2020 - 19:58 ( Brasília )

Cel Fernando Montenegro - 1ª Mulher no Processo Seletivo do Curso de Comandos do Exército Brasileiro



1ª Mulher no Processo Seletivo do Curso de Comandos do Exército Brasileiro

 


Coronel Fernando Montenegro
Veterano das Operações Especiais do Exército Brasileiro

 

Nas últimas semanas, foi discutido bastante nas redes sociais do Brasil a respeito da participação de mulheres no Curso de Ações de Comandos do Exército Brasileiro (EB). A origem disso foi que uma sargento do EB com Qualificação Militar em Mecânica de Viatura e Auto foi designada para participar da seleção preliminar do processo seletivo dos candidatos ao Curso de Ações de Comandos.

A Diretriz Reguladora para a Inscrição, Seleção e Matrícula (DRISM) do Centro de Instrução de Operações Especiais estabelece para o Curso de Ações de Comandos que, dentre os oficiais e sargentos inscritos, estes sejam designados para uma seleção preliminar.

E nessa seleção preliminar, os candidatos são submetidos a exames de aptidão física e de saúde. A diretriz que regula o processo não prevê diferença de parâmetros entre homens e mulheres para o exame de aptidão física, e nem se pretende criar qualquer divisão ou diferença de parâmetro para o segmento masculino ou feminino.

Quem pode se inscrever

Atualmente a diretriz não restringe a participação apenas ao segmento masculino. Simplesmente, o que há como parâmetro para se inscrever é que seja sargento de qualquer qualificação militar e, em relação aos oficiais, têm de ser da linha bélica. Assim sendo, como ela é sargento de uma qualificação militar específica, pode se inscrever no curso.

Acredito que isso possa ter chamado a atenção da Diretoria de Controle de Efetivo e Movimentações, a DCEM, porque é um fato inédito e que está plenamente dentro das normas vigentes, ou seja, a sargento não fez nada contra os regulamentos existentes. E, como não é o caso realizar nenhum ato que possa ser caracterizado como discriminatório, a sargento foi relacionada para participar dessa seleção preliminar e vai ter que atingir os mesmos índices que todos os outros candidatos do sexo masculino inscritos para o curso.

No meu entendimento, e acredito que provavelmente no do Comando de Operações Especiais também, não deve haver modificação nos parâmetros porque o Curso de Ações de Comandos trata da capacitação de militares, independente de sexo, com base no desenvolvimento de competências para desempenho de um cargo. No caso dos sargentos, eles estão desenvolvendo competências para desempenhar cargos dentro de um Destacamento de Ações de Comandos ou de um Destacamento de Reconhecimento e Caçadores, como subcomandante de um Destacamento de Ações de Comando, comandante de escalão ou comandante de grupo.   

Missões e tarefas 

Se toda a documentação de ensino, baseada no perfil profissional e na competência geral a ser desenvolvida durante o curso, nas unidades de competência que constituem essa competência geral, e nos elementos de competência que são desenvolvidos ao longo das unidades didáticas, juntamente com habilidades e atitudes, valores e experiência são mobilizados para executar tarefas que evidenciem a competência necessária, não soa racional que seja estabelecido um parâmetro diferenciado se o cargo não tem modificação quanto à execução das tarefas e missões referentes àquele cargo.   

Assim sendo, não importa se é do sexo masculino ou feminino, o candidato tem que desenvolver as mesmas competências e evidenciá-las no desempenho do cargo. Eu acredito e espero que não haja intenção de modificar a diretriz reguladora acrescentando qualquer tipo de parâmetro específico para o segmento feminino.

Faca na caveira

Também é importante registrar que existem várias etapas conduzidas por diferentes entidades até que se forme um Comandos. Inicialmente, é realizada uma análise de requerimentos no Comando de Operações Especiais; depois é realizada uma seleção preliminar, a cargo dos Comandos Militares de origem dos candidatos de todo o Brasil; em terceiro lugar, vem uma seleção complementar no Centro de Instrução de Operações Especiais, e depois o curso propriamente dito. Isso quer dizer que ainda há uma longa trajetória para todos os candidatos até a conquista da faca na caveira dos Comandos.

Nesta fase preliminar em que os candidatos se encontram, eles são submetidos a uma rigorosa inspeção de saúde que envolve 14 tipos diferentes de exames. Somente aqueles que são aprovados poderão realizar os exames de avaliação física, que ocorrem durante três dias consecutivos.

As provas

No primeiro dia, o candidato tem de realizar uma corrida de oito quilômetros em até 39 minutos, 12 flexões na barra, 64 abdominais e 35 flexões de braço. No segundo, tem subida de 4 metros na corda vertical sem auxílio dos pés, natação utilitária de 800 metros em até 40 minutos, flutuação fardado de 30 minutos, apneia estática de 60 segundos e apneia dinâmica de 15 metros. No último dia, o exame encerra com uma marcha de 16 km armado, equipado e com mochila, em no máximo duas horas e 45 minutos.

Todas as provas têm caráter eliminatório. Os candidatos aprovados na seleção preliminar deverão repetir todos os exames novamente na seleção complementar que ocorre durante as três semanas iniciais do Curso de Ações de Comandos, no Centro de Instrução de Operações Especiais, no Forte Imbuhy, em Niterói (RJ). Nessa fase, os candidatos também passam por uma avaliação psicológica, avaliação técnica e um módulo de nivelamento.

Uma vez que consiga ter a honra de ingressar no Curso de Comandos, a sargento receberá o mesmo tratamento dos demais, a começar por um número, que será sua identidade enquanto estiver na condição de aluna. Não há qualquer tipo de preconceito.

Por fim, quero destacar que os cursos de combate das Forças Armadas do Brasil têm por finalidade capacitar militares para o desempenho de funções específicas. Aqueles que passam por todas as etapas do processo podem desfrutar da sensação de auto estima, mas isso é uma consequência que não tem nenhum vínculo com os objetivos desses cursos. Tudo isso é feito com muito esmero e respeito ao dinheiro do contribuinte. Infelizmente, muitas pessoas invertem o entendimento disso e distorcem a percepção, passando a acreditar na finalidade deste tipo de atividade que, para essas pessoas, teria como objetivo principal poder usar um brevê, desfrutar de uma autorrealização, reconhecimento e autoconhecimento. Para quem acha isso, há vários workshops que podem ser feitos em feriados prolongados, livros de autoajuda e reality shows.

 

COMANDOS, FORÇA, BRASIL!


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