COBERTURA ESPECIAL - Dossiê EMBRAER - Aviação

25 de Abril, 2020 - 12:54 ( Brasília )

Boeing desiste de comprar área de aviação comercial da Embraer

Companhia americana responsabilizou a fabricante brasileira de aviões pela não conclusão do acordo; negócio era avaliado em US$ 4,2 bilhões

 

Matérias Relacionadas

Nota Embraer: Boeing rescindiu indevidamente o Acordo Global da Operação (MTA) Link

Embraer says that Boeing wrongfully terminated the Master Transaction Agreement Link

Boeing desiste de comprar área de aviação comercial da Embraer OESP 25 Março 2020 Link

Nota Boeing - Boeing rescinde acordo para estabelecer joint ventures com Embraer Link


Boeing Statement - Boeing Terminates Agreement to Establish Joint Ventures with Embraer Link

O Editor

 

Luciana Dyniewicz
O Estado de S.Paulo
25 de abril de 2020 edição 11h59


Em meio a maior crise de sua história - que envolve dois acidentes com seu principal avião, o 737 MAX, e a paralisação do setor aéreo em decorrência da pandemia da covid-19 -, a Boeing anunciou que encerrou as negociações para comprar a divisão de aviação comercial da Embraer. As empresas haviam anunciado o acordo de US$ 4,2 bilhões em julho de 2018 e o fim das conversas deixa a empresa brasileira em situação delicada.

Embraer

Compra da Embraer foi anunciada pela Boeing em julho de 2018 e era avaliada em US$ 4,2 bilhões. Foto: Roosevelt Cassio/ Reuters

A Boeing responsabilizou a Embraer pela não conclusão do negócio. Em nota, a americana afirmou que “exerceu seu direito de rescindir (o contrato) após a Embraer não ter atendido as condições necessárias”, mas não especificou quais eram essas condições. Segundo fontes brasileiras, a americana trabalha para evitar o pagamento de eventuais multas. O prazo limite para uma das partes romper o acordo era sexta-feira, 24.

 “A Boeing trabalhou diligentemente nos últimos dois anos para concluir a transação com a Embraer. Há vários meses temos mantido negociações produtivas a respeito de condições do contrato que não foram atendidas, mas em última instância, essas negociações não foram bem-sucedidas”, disse Marc Allen, presidente da Boeing para a parceria com a Embraer e operações do grupo.

"É uma decepção profunda. Entretanto, chegamos a um ponto em que continuar negociando dentro do escopo do acordo não irá solucionar as questões pendentes", acrescentou, em nota.

Problemas de caixa

O mercado já vinha aventando a possibilidade de a transação não ser concluída. No último domingo, reportagem do Estado mostrou que, entre os entraves levantados por analistas, estava a capacidade de a empresa americana pagar os US$ 4,2 bilhões pelos quais o acordo foi fechado. Além dos dois acidentes com os aviões 737 MAX, que mataram 346 pessoas e levaram o modelo a parar de operar, a crise do coronavírus vem prejudicando a situação de caixa da companhia.

A Boeing inclusive indicou que a indústria aeroespacial americana necessitará de US$ 60 bilhões do governo americano para sobreviver a crise. A empresa será a principal beneficiada se esse montante chegar a ser liberado. Nos Estados Unidos, porém, a possibilidade de parte do dinheiro ser usada para comprar uma empresa brasileira é alvo de críticas. 
 
Outro problema que apareceu recentemente nas negociações foi o valor do contrato. Um dia antes do negócio ser anunciado, a Embraer valia R$ 19,8 bilhões no mercado. Hoje, esse número é de R$ 6,1 bilhões, um recuo de 69%, o que torna elevado o valor que seria pago pela Boeing.
 
Apesar de sempre ter sido dado como certo, o acordo entre as empresas vinha sofrendo dificuldade, desde o ano passado, para conseguir aval das autoridades reguladoras da União Europeia, o que atrasou a conclusão do negócio. A previsão inicial era que a americana assumisse os 80% da divisão de jatos comerciais da brasileira no fim do ano passado.
 
Além do braço de aviação comercial da Embraer, o acordo previa a criação de uma joint venture para a comercialização do cargueiro militar C-390 Millenium, o maior avião já desenvolvido no Brasil e cujo projeto foi recém-concluído. Havia possibilidade de essa nova empresa, da qual a Embraer seria sócia majoritária, instalar uma linha de produção do modelo nos Estados Unidos, para pode ampliar seu potencial de vendas para o governo americano e outros países parceiros de Washington.

Com a rescisão do contrato, a criação dessa joint venture também foi cancelada. As duas companhias, no entanto, manterão um acordo para que a Boeing venda e faça manutenção do C-390 em parceria com a Embraer.

A Embraer ainda não se pronunciou sobre o assunto e seus funcionários não foram avisados, até agora, do fim das negociações.

 

 

Nota da BOEING

Boeing rescinde acordo para estabelecer joint ventures com Embraer


CHICAGO, 25 de abril de 2020— A Boeing anunciou hoje que rescindiu o Contrato de Transações Mestre (Master Transaction Agreement-MTA) com a Embraer pelo qual as empresas buscavam estabelecer um novo patamar de parceria estratégica. As partes planejavam criar uma joint venture composta pelo negócio de aviação comercial da Embraer e uma segunda joint venture para desenvolver novos mercados para a aeronave de transporte aéreo médio e mobilidade C-390 Millenium.

Segundo o acordo, o dia 24 de abril de 2020 era a data limite inicial para rescisão, passível de extensão por qualquer uma das partes caso algumas condições fossem cumpridas. A Boeing exerceu seu direito de rescindir após a Embraer não ter atendido as condições necessárias.

 “A Boeing trabalhou diligentemente nos últimos dois anos para concluir a transação com a Embraer. Há vários meses temos mantido negociações produtivas a respeito de condições do contrato que não foram atendidas, mas em última instância, essas negociações não foram bem-sucedidas. O objetivo de todos nós era resolver as pendências até a data de rescisão inicial, o que não aconteceu”, disse Marc Allen, presidente da Boeing para a parceria com a Embraer e operações do Grupo. “É uma decepção profunda. Entretanto, chegamos a um ponto em que continuar negociando dentro do escopo do acordo não irá solucionar as questões pendentes”.

A parceria proposta entre a Boeing e a Embraer havia recebido aprovação incondicional de todas as autoridades regulatórias, exceto a Comissão Europeia.
 
A Boeing e a Embraer irão manter o contrato vigente relativo à comercialização e manutenção conjunta da aeronave militar C-390 Millenium assinado em 2012 e ampliado em 2016.

 


 




VEJA MAIS



Outras coberturas especiais


TOA

TOA

Última atualização 07 AGO, 17:00

MAIS LIDAS

Dossiê EMBRAER

2
31 JUL, 10:40

Embraer terá novo PDV