Bizu Space realizará ensaio de motor-foguete líquido em versão de voo em São José dos Campos

São José dos Campos (SP) — A Bizu Space realizará em breve um ensaio de um motor-foguete líquido em um primeiro modelo de voo, marcando um passo importante no desenvolvimento de tecnologias avançadas de propulsão no Brasil.

O teste será conduzido no banco de ensaios próprio da empresa – T8 – localizado no campus da UNIVAP em São José dos Campos (SP), e utilizará um motor fabricado na empresa, operando com peróxido de hidrogênio como oxidante e querosene de aviação como combustível.

O motor faz parte do desenvolvimento do sistema de propulsão líquida do terceiro estágio do MLBR (Microlançador Brasileiro). Embora o ensaio previsto tenha tempo de queima reduzido, o motor testado corresponde a uma configuração de voo, projetada para ser embarcada em um veículo de sondagem.

O objetivo é validar, em condições reais, diversas tecnologias críticas do estágio do MLBR, incluindo sistemas de tanques, válvulas, controle e integração do conjunto propulsivo.

A adoção da propulsão líquida representa um avanço estratégico para o Brasil em relação aos sistemas sólidos tradicionais. Motores líquidos oferecem maior eficiência e desempenho, permitindo praticamente dobrar a capacidade de carga útil colocada em órbita, além de possibilitar controle de empuxo (throttling). Essa característica resulta em maior precisão na inserção orbital e melhor qualidade da órbita final.

Outro fator relevante é o potencial de redução de custos. O custo dos propelentes líquidos é inferior ao dos propelentes sólidos, e a capacidade de controle do motor amplia a eficiência operacional e financeira do veículo como um todo.

O ensaio será realizado no campo de testes da Bizu Space, projetado especificamente para permitir a execução segura de ensaios com motores-foguete líquidos e, ao mesmo tempo, viabilizar iterações rápidas no desenvolvimento, acelerando o ciclo de aprendizado e maturação tecnológica.

Com esse teste, a Bizu Space reforça sua atuação no desenvolvimento de tecnologias críticas para lançadores espaciais e dá mais um passo concreto rumo à consolidação da propulsão líquida como elemento central da próxima geração de veículos espaciais brasileiros.

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