COBERTURA ESPECIAL - Crise - Geopolítica

03 de Novembro, 2021 - 09:30 ( Brasília )

França critica Austrália por vazamento de documento


Uma disputa entre Austrália e França pelo fim de um acordo sobre submarinos ficou mais intensa após o vazamento de uma mensagem de texto do presidente francês ao primeiro-ministro australiano, advertiu o embaixador do país europeu em Canberra.

O diplomata Jean-Pierre Thebault disse que o vazamento da mensagem privada era um "ponto baixo sem precedentes" entre os dois países.

O presidente francês Emmanuel Macron enviou a mensagem ao primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, dois dias antes de a Austrália anunciar o rompimento de um contrato bilionário com a França para construir uma nova frota de submarinos.

Na mensagem, Macron perguntou a Morrison: "Devo esperar notícias boas ou ruins de nossas ambições submarinas conjuntas?".

O mal-estar pela rescisão do contrato ainda irrita o presidente francês, que durante o fim de semana acusou Morrison de ter mentido, o que o líder australiano nega.

A imprensa afirmou que o vazamento pode ter partido do gabinete de Morrison como represália pela acusação de "mentir".

O embaixador Thebault abordou o tema em um discurso nesta quarta-feira.

"Isso não se faz com uma conversa pessoal entre líderes que são aliados. Mas talvez seja apenas a confirmação de que nunca nos viram como um aliado", declarou o diplomata no Clube Nacional de Imprensa da Austrália.

Ele disse que envia um sinal "muito preocupante" aos demais governantes: "Cuidado, na Austrália acontecerão vazamentos (...) e o que é falado em sigilo a seus sócios acabará sendo usado contra eles um dia".

A Austrália anunciou em setembro o rompimento do acordo com a França sobre os submarinos com motor a diesel em favor de submarinos de propulsão nuclear americanos, como parte de um novo acordo de defesa com Reino Unido e Estados Unidos.

O acordo, conhecido pela sigla AUKUS, foi apontado como uma tentativa de contra-atacar a crescente influência chinesa na região Ásia-Pacífico.

O embaixador, que foi convocado de volta a Paris pela disputa, afirmou que cabe à Austrália sugerir formas de reparar o dano na relação.



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