COBERTURA ESPECIAL - Crise - Geopolítica

30 de Março, 2021 - 11:11 ( Brasília )

EUA pede mais passagens fronteiriças para enviar ajuda à Síria


O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, pediu ao Conselho de Segurança da ONU nesta segunda-feira (29) que reabra as passagens da fronteira para a Síria bloqueadas pela Rússia, em um discurso intenso no qual disse que as potências mundiais deveriam se envergonhar de sua inação.

Durante uma sessão virtual do Conselho sobre a Síria, que ele presidiu, o moderado principal diplomata dos Estados Unidos expressou energicamente sua indignação com o sofrimento contínuo do povo sírio, 10 anos após o início da guerra civil.

"Como é possível que não possamos encontrar em nossos corações a humanidade comum para tomar medidas significativas?", questionou o secretário de Estado do governo de Joe Biden, lembrando de seus dois filhos.

"Olhem em seus corações", pediu. "Temos que encontrar uma maneira de fazer algo, agir para ajudar as pessoas. Essa é nossa responsabilidade. E que vergonha se não o fizermos", acrescentou.

A ajuda à Síria, onde a maioria da população depende desses suprimentos, só pode entrar a partir de julho de 2020 através da passagem de Bab al Hawa na fronteira com a Turquia.

A Rússia, que exerce o veto e é aliada do presidente Bashar al Assad, se opôs com sucesso à manutenção de outras travessias, alegando que violavam a soberania do governo de Damasco.

"A soberania nunca teve a intenção de garantir o direito de nenhum governo matar as pessoas de fome, privá-las de medicamentos que salvam vidas, bombardear hospitais ou cometer qualquer outro abuso dos direitos humanos contra os cidadãos", disse Blinken.

O chefe da diplomacia dos EUA mencionou um ataque russo na semana passada perto da passagem de Bab al Hawa que interrompeu todas as entregas de suporte à Síria. "Há uma crescente politização da ajuda humanitária", afirmou.

Blinken pediu a reabertura das travessias fechadas de Bab al Salam, também na fronteira com a Turquia, e Al Yarubiyah, na fronteira com o Iraque, argumentando que elas abasteciam, respectivamente, 4 milhões e 1,3 milhões de sírios.

Esta guerra já custou quase 400 mil vidas e deslocou milhões, em meio ao crescimento do grupo extremista Estado Islâmico.


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