COBERTURA ESPECIAL - Crise - Geopolítica

27 de Janeiro, 2021 - 08:08 ( Brasília )

Rússia sugere conferência sobre conflito israelense-palestino, EUA promete mudança de posição


A Rússia propôs à ONU nesta terça-feira (26) uma conferência ministerial internacional na primavera ou verão boreal para tratar do conflito israelense-palestino, enquanto os Estados Unidos prometeram reativar as relações com os palestinos.

O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, lembrou que Moscou aprovou desde o início o pedido feito em setembro pelo presidente palestino Mahmoud Abbas de realizar uma conferência internacional no começo de 2021 para "iniciar um processo de paz" e falou sobre quem seriam os participantes, durante uma videoconferência do Conselho de Segurança sobre o Oriente Médio.

“Propomos considerar na primavera-verão de 2021 a realização de uma conferência ministerial internacional na qual a Rússia, os Estados Unidos, as Nações Unidas e a União Europeia participem como membros do Quarteto (órgão de mediação no Oriente Médio), além de Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, e claro Israel e Palestina”, disse. Lavrov mencionou que para a Rússia "também seria importante convidar a Arábia Saudita, que está na origem da iniciativa de paz árabe".

Sem dar uma data ou local precisos para tal conferência, o ministro russo disse que "esta reunião pode ser uma plataforma para fazer uma análise completa da situação e ajudar no diálogo entre os países”.



Ele acrescentou que a Rússia também está "pronta para organizar uma reunião de alto nível em Moscou entre Israel e a Palestina". Entre as intervenções, a China manifestou apoio à iniciativa russa de uma conferência internacional, pouco mencionada pelos demais membros do Conselho. Já o embaixador interino dos Estados Unidos na ONU, Richard Mills, garantiu que a administração do democrata Joe Biden "restaurará um compromisso de confiança dos Estados Unidos com os palestinos e israelenses".

Na última Assembleia Geral Anual da ONU, Mahmoud Abbas, que rejeitou um plano de paz do ex-presidente Donald Trump considerado injusto, destacou que a solução para o conflito israelense-palestino deve ser alcançada "com base no direito internacional" e nos parâmetros acordados pela comunidade internacional.

Biden conversa com Putin pela primeira vez como presidente dos EUA¹


O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, nesta terça-feira pela primeira vez desde que tomou posse e levantou suas preocupações sobre atividades da Rússia, incluindo o tratamento ao crítico do Kremlin Alexei Navalny, atualmente preso, informou a Casa Branca.

Uma nota da Casa Branca afirma que os dois líderes concordaram em colocar suas equipes para trabalhar urgentemente para completar a extensão do novo tratado de controle de armamentos START entre os EUA e a Rússia até o dia 5 de fevereiro, quando se encerra o atual acordo.

A porta-voz da Casa Branca Jen Psaki anunciou que a conversa telefônica entre os dois líderes em seu briefing diário. O anúncio acontece conforme Biden ajusta a política externa dos EUA de maneira mais robusta em relação à Rússia, após seu antecessor Donald Trump se recusar a enfrentar Putin diretamente.

Ao mesmo tempo Biden buscou reparar a aliança enfraquecida entre os Estados Unidos e a Europa afirmando em uma ligação ao secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, que Washington irá manter o pacto de defesa mútua que o tratado propõe.

"O presidente Biden reafirmou o comprometimento dos Estados Unidos com a defesa coletiva de acordo com o artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte e ressaltou seu compromisso com o fortalecimento da Segurança transatlântica", disse a nota da Casa Branca.

Na conversa com Putin, segundo Psaki, os tópicos abordados incluíram a proposta de Biden para estender o novo tratado de armas nucleares START com a Rússia por cinco anos e a defesa de um "apoio forte (dos EUA) à soberania da Ucrânia" diante das contínuas agressões da Rússia.

O tratado de controle de armamentos limita os Estados Unidos e a Rússia a não instalarem mais de 1.550 ogivas nucleares cada.

¹com Reuters