COBERTURA ESPECIAL - Brasil - EUA - Inteligência

22 de Maio, 2020 - 15:40 ( Brasília )

Embaixador Todd Chapman - Nossa meta é duplicar o comércio Brasil-EUA



Daniel Rittner
Valor Brasília DF
22 Maio 2020

 

O diplomata americano Todd Chapman, 58 anos, é um velho conhecedor do Brasil. Ele chegou pela primeira vez no país quando seu pai foi transferido, pela empresa onde trabahava, para São Paulo. Estudou na Escola Maria Imaculada, fala português fluente, voltou adulto como consultor financeiro e depois como ministro-conselheiro da embaixada em Brasília.

Quando foi avisado por Washington que estava para concluir sua última missão, em meados de 2014, deixou claro: só depois da Copa do Mundo. Comprou ingressos e foi a cinco jogos. Depois de ter servido como embaixador em Quito, Chapman foi designado pelo presidente Donald Trump para assumir a representação dos Estados Unidos no Brasil e chegou no fim de março, em plena pandemia de covid-19 e com ruas vazias.

“Não é a mesma coisa sem futebol, sem praia e sem beijinhos eu ainda não conhecia”, afirma o sorridente americano, ao ser questionado sobre as principais diferenças entre o país que conheceu em 1974 e o de hoje, mas apontando a aspiração das pessoas e a democracia como grandes mudanças no período

O que eu vejo é uma reflexão sobre certas vulnerabilidades econômicas e de segurança nacional que talvez antes não estivessem tão claras antes. As portas não estão sendo fechadas para todos, mas reexaminadas para alguns. Por isso é tão importante compartilharmos princípios econômicos com os nossos parceiros. Temos que ter os mesmos entendimentos em temas como a dominância do Estado, proteção à propriedade intelectual, corrupção.

No futuro, apreciaremos a importância de desenvolver relações comerciais com Estados com quem temos princípios em comum - e não divergências. Combate à Covid-19 Agora estamos vendo a importância de uma parceria econômica profunda e abrangente.

É interessante como, de repente, as pessoas querem uma “diplomacia das máscaras”, mas há muitos esforços do setor privado americano estabelecido no Brasil, com doações importantes: a GM produzindo respiradores, a Coca-Cola entregando 1,3 milhão de garrafas de água, a 3M doando mais de um milhão de máscaras para o Brasil.

São exemplos de como essa relação profunda está dando uma contribuição sólida para o Brasil. Temos mais de 4,5 mil empresas americanas instaladas no Brasil, dezenas de milhares empregos sendo mantidos mesmo durante a pandemia.

Eu tenho orgulho de como o nosso governo, nossa sociedade e nossas empresas estão reagindo. Críticas ao alinhamento Eu tenho muita satisfação em ver nossos governos mais próximos agora do que em muitas décadas. Há uma coincidência de interesses nacionais e de princípios.

Quando existe essa coincidência com os EUA, a descrição é uma. Quando o Brasil do passado tinha essa convergência com Cuba ou com quem quer que seja, não era expressado da mesma forma. É uma jogada política. Não vou olhar para o passado. A função dos embaixadores é criar oportunidades entre as nações e pensar em um futuro melhor. Minha mensagem será sempre para aprofundar as relações positivas que têm os nossos presidentes, as nossas sociedades, as nossas comunidades de negócios.

Lamento que alguns não tenham a mesma opinião. Conhecendo melhor a nossa relação, podem mudar de opinião. Sempre haverá quem não gosta dos EUA, mas estamos em um país livre, onde todos podem se expressar, sem represálias ou risco de serem presos por isso. Trump e multilateralismo Temos grande interesse em trabalhar nos fóruns multilaterais
envolvidos em esforços em alcançar resultados que todos nós queremos.

Isso não significa, porém, ausência de críticas a certas organizações onde por muito tempo temos sido os principais contribuintes, sem atingir os objetivos esperados. Muitas organizações internacionais precisam ser avaliadas e reformadas. É isso o que tem dito não apenas o presidente Trump, mas outras administrações também. Precisam ser revigoradas e as contribuições precisam ser mais equitativas entre as nações.

E se os democratas vencerem? “E se...” não me cabe comentar. Eu sou um grande fã e confio no processo democrático. A democracia deve ser honrada. Esse é o quinto presidente a quem sirvo na minha carreira diplomática, sempre com muita alegria, e tenho orgulho do meu presidente e do meu governo. Farei o máximo que eu puder agora.

Este é o momento em que as oportunidades existem. Vamos nos concentrar no momento, na realidade de hoje, e deixar 2021 para depois. Independentemente da questão política e de governos, a nossa relação é duradoura e só vai crescer. Ela está baseada em tudo o que brasileiros e americanos têm em comum. Sou um otimista



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