COBERTURA ESPECIAL - Brasil - Rússia - Geopolítica

25 de Agosto, 2020 - 16:30 ( Brasília )

ARMY2020 – Delegação Brasileira uma inusitada presença em Moscou


ARMY2020 – Delegação Brasileira uma inusitada presença em Moscou

 

 A publicação russa Sputnik publicou, em 25AGO2020, uma inusitada reportagem com autoridades brasileiras presentes à Exposição Army2020, que ocorre no Parque Patriota, cercanias de Moscou, de 23 a 29 Agosto.

 Estavam presentes as seguintes autoridades brasileiras:


Emb Tovar da Silva Nunes, Embaixador Brasileiro em Moscou;

 

- Marcos Degaut, Secretário Produtos e Defesa (SEPROD);

- Tiago Carneiro, Secretário da Área de Defesa do Itamaraty;

- General Duizit Brito, Diretor do Departamento de Promoção Comercial do Exército (DEPCOM), e,
- Dr Roberto Gallo – Presidente da ABIMDE e CEO da Kryptus.

A matéria da Sputnik recupera antigos pontos caros aos russos, como a possível aquisição do sistema de defesa aérea Pantsir.

A presença da delegação brasileira e a pauta de assuntos discutidos deve ter sido bem avaliada pelo governo brasileiro, tanto o Palácio do Planalto, Itamaraty e Ministério da Defesa. Fontes de inteligência com acesso aos russos informaram antes do evento de que os russos tentariam um ”Krompromat” com a presença da delegação brasileira em Moscou.

Também ocorre uma semana após o anúncio de que o governo da Ucrânia está próximo de decidir pela aquisição do EMB-314 Super Tucano.





Post do CEO da Kryptus e presidente da ABIMDE no Linkedin.



Segue abaixo o texto da Agência Sputnik 

 

 

EXÉRCITO 2020: Brasil leva delegação de alto nível para promover seus produtos de defesa na Rússia

Por Ana Livia Esteves

Ministério da Defesa do Brasil envia delegação de alto nível para fórum internacional militar na Rússia. O que podemos vender e o que queremos comprar de Moscou?

Entre os dias 23 de agosto e 5 de setembro, Moscou sedia o Fórum Internacional Técnico-Militar ARMY2020 e os Jogos Militares Internacionais Exército 2020, em um evento de grandes proporções que reúne feira comercial, congresso de especialistas e verdadeiro show de demonstrações de equipamentos militares de ponta.

O Brasil não ficou de fora desse evento e enviou uma delegação de alto nível para promover produtos da base industrial de defesa brasileira em território russo.

"Os produtos de defesa não só criam empregos e desenvolvem tecnologia, mas também precisam de um envolvimento forte [...] para poder se desenvolver", disse o embaixador do Brasil em Moscou, Tovar da Silva Nunes, à Sputnik Brasil.

"Estamos inaugurando aqui na Rússia nesta feira [...] uma nova fase [...] mais assertiva na estratégia de promoção comercial", afirmou o secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa do Brasil, Marcos Degaut, à Sputnik Brasil. "Cruzamos meio mundo e estamos muito felizes."

O Brasil tem muito a oferecer à Rússia, uma vez que detém base industrial de defesa "complexa, robusta e diversificada", garantiu Degaut.

"Nós somos muito eficientes na produção de armas de curto calibre, de sistemas de controle de monitoramento de fronteiras, artilharia e aviação", ressaltou o secretário, adicionando que "produzimos do alfinete ao foguete".

O que a Rússia pode oferecer ao Brasil?

O Brasil tem particular interesse em produtos russos das áreas de artilharia a de sistemas de monitoramento de fronteiras e apoio à construção naval, revelou Degaut.

"Nós temos equipamentos russos em uso nas Forças Armadas brasileiras já há alguns anos, e estamos discretamente muito satisfeitos", pontuou o general Diniz Brito, diretor do Departamento de Promoção Comercial do Exército (DEPCOM), à Sputnik Brasil.

Para Brito, Brasília e Moscou podem cooperar na área de construção naval e no desenvolvimento de projetos para a Antártica.

"[Os russos] são muito especializados em áreas geladas, e nós temos os estaleiros. Então há uma possibilidade de parceira de longo prazo", acredita o general.

No entanto, o Brasil tem interesse não em realizar simples transações comerciais com os russos, mas em selar acordos que envolvam parceria tecnológica e troca de conhecimentos.

"Comprar é fácil [...], mas não é isso que se quer. Se quer um trabalho conjunto de desenvolvimento levando tecnologia russa, mas incrementando também o parque industrial brasileiro", disse Brito.

Delegação brasileira no Fórum EXÉRCITO 2020. Da esquerda para direita: secretário Tiago Carneiro, embaixador Tovar da Silva Nunes, secretário Marcos Degaut e general Diniz Brito

Delegação brasileira no Fórum ARMY2020. Da esquerda para direita: secretário Tiago Carneiro, embaixador Tovar da Silva Nunes, secretário Marcos Degaut e general Duizit Brito

Para ele, o ideal é fechar acordos nos quais "todos cresçam: a indústria russa tenha acesso a novos mercados, mas nós também acesso a conhecimento para determinadas áreas que serão permanentes", como a exploração da Antártica.

Sistema de artilharia antiaérea Pantsir

Há alguns anos, o Brasil debate com a Rússia a possibilidade de adquirir o sistema de artilharia antiaérea móvel Pantsir-S1, um dos mais avançados do mundo.

Para Brito, o negócio depende da sincronização entre o Pantsir e as tecnologias instaladas no Brasil, como sistemas de rádio, software e radares.

"Tudo depende de como a tecnologia se encaixa nas outras. O sistema [Pantsir] tem que ter conectividade e compatibilidade. Se não houver, não adianta ser um sistema excelente, que não se encaixe no sistema [brasileiro]", explicou Brito.

 

Complexo de artilharia antiaérea Pantsir-S1 em exposição no Fórum Internacional Army2020, próximo a Moscou, na Rússia, 23 de agosto de 2020

Armado com mísseis terra-ar, o Pantsir opera sobretudo em baixas e médias alturas.

 "O interesse do Brasil é de tecnologias de média altura que possam ser compartilhadas e desenvolvidas em conjunto com o nosso país", disse o general.

O chefe do Departamento de Produtos de Defesa do Ministério das Relações Exteriores (DIPROD), Tiago Carneiro, concorda:

"Ambos os países já estão em um nível de sofisticação na área de produtos de defesa que nos permite pensar em realizar projetos conjuntos", afirmou Carneiro à Sputnik Brasil.

Durante o ARMY2020, a delegação brasileira realizará contatos com empresas-chave do complexo industrial militar russo, a fim de selar "uma parceria estratégica no sentido mais profundo do termo", asseverou Degaut.

De fato, "a presença de uma delegação deste nível aqui demonstra o prestígio que a Rússia tem perante o Brasil", concluiu o embaixador Nunes.

A exposição ARMY2020, realizada no Parque Patriot (Patriota), nos subúrbios de Moscou, apresentará 730 armamentos e equipamentos militares russos, além de contar com stand de 28 mil empresas do ramo e representantes de mais de 70 países.



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