FAB lidera iniciativas com drones em missão de paz da ONU em área de conflito

Atuação no Sudão combina ações humanitárias, coordenação operacional e capacitação internacional para o uso seguro de aeronaves não tripuladas

Por Capitão Eduardo Silva / ONU

A Força Aérea Brasileira (FAB) exerce papel de destaque em operações internacionais ao atuar em missões de paz das Nações Unidas, demonstrando elevado nível de preparo, versatilidade e liderança em ambientes operacionais complexos.

Nesse contexto, integrou a Força Interina de Segurança das Nações Unidas para Abyei (UNISFA), no Sudão, representada pelo Capitão Especialista em Controle de Tráfego Aéreo Eduardo Araújo da Silva. Entre 23 de março de 2025 e 22 de março de 2026, ele conduziu iniciativas estratégicas, incluindo o emprego de drones em uma região marcada por instabilidade e desafios humanitários.

O militar brasileiro atuou ao norte da Base da UNISFA, diretamente no apoio às comunidades locais e na manutenção da estabilidade, participando de ações humanitárias, como distribuição de alimentos, água, medicamentos e mosquiteiros, além de apoiar estruturas locais de proteção comunitária. Também realizou visitas a centros de detenção para verificação de condições, prestou atendimentos pré-hospitalares em patrulhas e contribuiu para a proteção de civis.

No campo operacional, coordenou atividades em área remota, garantindo segurança, logística e comunicação com o comando da missão. Na aviação, atuou na inspeção de aeródromos e helipontos, gestão de riscos e prevenção de ocorrências, além de contribuir para o uso seguro de drones, capacitando equipes e fortalecendo a segurança das operações aéreas.

Workshop fortalece uso seguro de drones na missão

Como parte dessas iniciativas, foi realizado o 1º Workshop de Sistemas de Aeronaves Não Tripuladas (UAS) da UNISFA, reunindo militares das tropas em apoio à missão. O encontro representou o primeiro fórum dedicado ao fortalecimento da doutrina e à padronização de procedimentos relacionados ao uso de drones em cenários complexos.

O militar brasileiro participou da coordenação do evento e ministrou instruções sobre inspeção de drones, segurança operacional, coordenação do espaço aéreo, processos de autorização de voos, mitigação de riscos e integração entre contingentes.

“A dinâmica foi essencial para fortalecer a segurança das operações. Em um ambiente marcado por desafios logísticos, sensibilidade política e compartilhamento do espaço aéreo, o alinhamento técnico entre os contingentes garante eficiência e conformidade com os princípios das Nações Unidas, além de ampliar a consciência situacional e a interoperabilidade”, destacou o Capitão Eduardo Silva.

Representantes do Paquistão, Gana, Bangladesh, Vietnã, Índia, Nigéria e China participaram do evento, evidenciando o compromisso conjunto com a excelência operacional e o uso seguro de UAS em missões de paz.

O Chefe da Subchefia de Coordenação de Missões de Paz do EMAER, Coronel de Infantaria José Paulino Sobrinho Junior, ressaltou a relevância da participação brasileira. “A presença de militares da FAB em missões da ONU reflete o alto nível de profissionalismo do nosso pessoal em operações internacionais. O 1º Workshop UAS evidencia a contribuição brasileira para o fortalecimento da segurança operacional e a harmonização de protocolos, consolidando o papel do Brasil na promoção da paz e da estabilidade em ambientes complexos”, afirmou o militar.

O workshop consolidou-se como uma iniciativa estratégica para fortalecer a governança operacional, ampliar a consciência situacional e promover uma cultura de segurança na missão. A expectativa é que seus resultados contribuam para o desenvolvimento de um arcabouço integrado para o uso de drones, alinhado às melhores práticas internacionais.

Ao término da missão, o Capitão Eduardo Silva foi condecorado com a Medalha da Paz das Nações Unidas, sendo o primeiro Especialista em Controle de Tráfego Aéreo a atuar como Observador Militar e Oficial de Segurança de Voo em um ambiente operacional tão complexo, o que evidencia o elevado nível de qualificação, adaptabilidade e a capacidade de desempenho dos profissionais da Força Aérea Brasileira em cenários internacionais desafiadores.

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