Os tão esperados caças F-16 da Fuerza Aerea Argentina podem estar em risco
Na foto o presidentre Argentino Javier Milei na chegada dos primeiros 6 F-16 oriundos da Dinamarca.
Nelson Düring
Redator-chefe
DefesaNet
A crescente pressão estratégica dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, território autônomo sob soberania da Dinamarca, já começa a produzir efeitos colaterais relevantes no mercado internacional de defesa. Entre eles, surge a possibilidade concreta de Copenhague não entregar à Argentina os lotes adicionais de caças F-16 negociados no contexto da modernização da Força Aérea Argentina.
A Groenlândia ocupa posição central no tabuleiro geopolítico do Ártico. A intensificação da rivalidade entre grandes potências — especialmente entre Estados Unidos, Rússia e China — transformou a ilha em ativo estratégico de primeira ordem, seja pelo controle de rotas polares, seja pelo acesso a recursos minerais críticos. Washington, que já mantém presença militar significativa no território, vem sinalizando de forma cada vez mais explícita que a segurança da Groenlândia é um interesse vital americano, reduzindo drasticamente a margem de manobra política da Dinamarca.
Nesse contexto, a transferência de meios aéreos sensíveis, ainda que para um parceiro distante como a Argentina, passa a ser vista sob outro prisma. Os F-16 dinamarqueses, mesmo em versões mais antigas, representam ativos estratégicos que poderiam ser reempregados no flanco norte da OTAN ou utilizados como reserva operacional em um cenário de escalada no Ártico. A simples possibilidade de uma crise mais aguda envolvendo a Groenlândia tende a levar Copenhague a reavaliar compromissos de exportação que, até pouco tempo atrás, pareciam politicamente seguros.
Para a Argentina, o impacto seria significativo. O acordo pelos F-16 simboliza não apenas a recuperação de capacidades de defesa aérea perdidas há décadas, mas também um reposicionamento estratégico do país no Cone Sul. Um eventual atraso — ou cancelamento — dos lotes adicionais comprometeria planejamento operacional, treinamento de pilotos e a própria credibilidade do processo de modernização militar argentino.
As entregas dos caças F-16 serão 6 a cada dezembro até 2028 (ver nota da embaixada Americana abaixo).
Do ponto de vista europeu, o dilema dinamarquês expõe uma contradição crescente: a autonomia formal dos Estados médios da Europa frente às prioridades estratégicas de Washington. À medida que os EUA endurecem sua postura no Ártico, decisões soberanas de aliados passam a ser condicionadas por interesses que extrapolam o âmbito regional.
Em síntese, a crise latente em torno da Groenlândia demonstra como tensões geopolíticas no extremo norte do planeta podem repercutir diretamente na segurança do Atlântico Sul. Para a Argentina, o episódio serve de alerta sobre a fragilidade de acordos de defesa em um sistema internacional cada vez mais instável. Para a Dinamarca, trata-se de mais um sinal de que o custo estratégico da Groenlândia pode ser maior — e mais imediato — do que muitos em Copenhague estavam dispostos a admitir.
A Dinamarca adquiriu dois lotes de F-35A para substituir a sua frota de F-16. O plano inicial de 2016 previa a compra de 27 aeronaves, e uma decisão recente em outubro de 2025 aumentou esse número para um total de 43 jatos.
Primeira encomenda, em junho de 2016, a Dinamarca concordou em adquirir 27 jatos F-35A. Em outubro de 2025, foi anunciada a decisão de comprar mais 16 aeronaves F-35 adicionais, num investimento de cerca de 4,5 bilhões de dólares), para reforçar a defesa no Ártico e a contribuição para a OTAN.

Os primeiros jatos chegaram à Dinamarca em 01OUT2023, na base aérea de Skrydstrup. A entrega da encomenda inicial de 27 caças deverá ser concluída até 2026. (foto acima)
A Dinamarca opera cerca de 15 caças F-35, com outros seis baseados numa instalação de treinamento nos Estados Unidos.
Capacidade Operacional Total: Espera-se que a frota dinamarquesa de F-35 seja declarada totalmente operacional em 2027
Os Estado Unidos Participaram ativamente do fornecimento dos caças dinamarqueses para a Fuerza Aerea Argentina
Abaixo a Nota da Embaixada Americana em Buenos Aires quando da chegada dos primeiros F-16 na Argentina
U.S. Embassy in Argentina
December 6, 2025
The first six F-16 fighter aircraft purchased by Argentina have landed in Río Cuarto (Cordoba), marking a major step in the country’s efforts to modernize its air capabilities and deepen defense cooperation with the United States.
U.S. Ambassador Peter Lamelas and officials from the U.S. Air Force took part in the arrival ceremony led by President Javier Milei, Defense Minister Luis Petri, and other Argentine authorities.
The United States supported Argentina throughout the acquisition process, approving the transfer of the U.S.-origin aircraft from Denmark and provided $40 million in Foreign Military Financing to help cover the down payment on the $560 million Foreign Military Sales package, through which the United States will supply training, maintenance, and long-term support. Argentina is providing the remaining funds.
Today’s delivery is the first of four batches. Six additional aircraft will arrive each December through 2028, bringing the total to 24 F-16s. The jets will operate initially in Río Cuarto before transitioning to their permanent base in Tandil.
The arrival of the F-16s strengthens Argentina’s air-defense capabilities and supports operations coordination with the United States, and other NATO partners, reflecting a long-term commitment to cooperation between Argentina and the United States.





















