28 de Março, 2022 - 08:00 ( Brasília )

Armas

As vendas de armas suíças caíram quase um quinto


Empresas suíças exportaram CHF742,8 milhões (US$801 milhões) de material de guerra para 67 países em 2021, 18% abaixo do ano anterior, informou na sexta-feira a Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos (SECO).

Essas exportações de armas representaram 0,21% do total das exportações de mercadorias da Suíça, segundo a SECOLink externo, que é responsável pela concessão de licenças de exportação de armas.

Os cinco maiores importadores de material de guerra suíço foram a Alemanha (com entregas no valor de CHF123,4 milhões), seguida pela Dinamarca (CHF96 milhões), os EUA (CHF90,2 milhões), a Romênia (CHF87,1 milhões) e Botsuana (CHF63,5 milhões).

A Arábia Saudita vem em sexto lugar (entregas no valor de CHF51,3 milhões). A lista também inclui os Emirados Árabes Unidos, que como a Arábia Saudita estão envolvidos na guerra do Iêmen.

As principais transações foram veículos blindados de rodas para a Dinamarca (CHF94,6 milhões) e Romênia (CHF86,9 milhões); vários tipos de munições e componentes de munição para a Alemanha (CHF71,9 milhões); e veículos blindados de rodas para Botsuana (CHF63,5 milhões), diz a SECO.

As exportações para a Europa representaram 65% do total (62% em 2020), enquanto que a Ásia representou 10,9% (18,8%), a África 9,6% (9,6%), as Américas 13,3% (8,5%) e a Austrália 1,2% (1,1%).


Empresas suíças temem pressão da guerra na Ucrânia

O setor industrial suíço, especialmente as empresas químicas, de engenharia e de produção de alimentos, já está sentindo os efeitos do aumento do custo das matérias-primas e dos bloqueios logísticos causados pela invasão russa da Ucrânia.

Metade das empresas suíças está sentindo o impacto da guerra, de acordo com uma pesquisa de 306 empresas realizada pela Federação das Empresas Suíças (economiesuisse) neste mês. As principais preocupações são o aumento dos preços da energia, o aumento do custo de uma série de matérias-primas e as rupturas nas cadeias de abastecimento que estão atrasando os embarques de matérias essenciais para a produção industrial. Isto vai resultar em um aumento de preços para uma série de bens de consumo, adverte a economiesuisse.

"Por exemplo, a indústria química utiliza matérias-primas para fabricar produtos que são utilizados em nossa vida diária - desde plásticos até fertilizantes. Dispositivos eletrônicos, carros ou artigos esportivos como bicicletas podem se tornar mais caros, mas o mesmo poderia acontecer com muitas mercearias", disse o grupo em um relatório.

Moeda forte

A indústria do turismo, que já foi devastada pela pandemia do coronavírus, também está sentindo a pressão - e não apenas porque menos russos estão visitando os Alpes. "Alguns operadores de turismo também relatam que turistas americanos e asiáticos estão evitando a Europa por causa da guerra", diz economiesuisse.

As sanções impostas à Rússia pelos Estados Unidos e pela União Europeia estão tendo um impacto sobre o setor financeiro, mas até agora têm tido pouco efeito sobre outros setores. Uma pesquisa com 99 diretores financeiros suíços realizada pelo grupo de consultoria Deloitte destacou muitos dos mesmos problemas.

Mas os diretores entrevistados também expressaram o otimismo de que a Suíça está mais preparada para lidar com a crise geopolítica do que outros países. Parte dessa confiança pode ser explicada pelo fato da Suíça resistir melhor à pandemia da Covid-19 do que outras economias. Cerca de 57% dos diretores financeiros suíços esperavam que sua empresa prosperasse nos próximos 12 meses, em comparação com apenas 15% que previam dificuldades financeiras.

Parceiros comerciais

Embora a maioria das empresas pretenda repassar a maior parte de seus custos crescentes aos consumidores, elas também prevêem que a inflação permanecerá dentro de níveis gerenciáveis.

"Os diretores não esperam que os preços ao consumidor aumentem significativamente em seu próprio país. Eles acreditam que a inflação dos preços ao consumidor será de 2% nos próximos dois anos", disse Deloitte.

Tanto a Deloitte quanto a economiesuisse concordam que o franco forte protegerá a Suíça dos piores efeitos da inflação global, amortecendo o aumento dos custos de importação. Mas a Deloitte também adverte que a economia suíça não pode funcionar de forma isolada.

"Os indicadores econômicos para nosso parceiro comercial mais importante, a Alemanha, também estão parecendo menos positivos. Portanto, resta saber nas próximas semanas e meses se a recuperação econômica na Suíça continuará ou se voltaremos a cair em uma recessão", disse o CEO Reto Savoia.



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