Editorial – Fragatas pesadas: o próximo passo inadiável do poder naval brasileiro

A ocupação do Atlântico Sul pelo Brasil é uma necessidade imperiosa. Na foto três unidades das excepcionais Fragatas Niterói

DefesaNet
Janeiro 2026

A construção de uma Marinha capaz de proteger os interesses estratégicos do Brasil no século XXI exige decisões corajosas e coerentes com a realidade geopolítica do Atlântico Sul. Nesse contexto, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de a Marinha do Brasil investir em fragatas pesadas multimissão, com deslocamento igual ou superior a 6 mil toneladas, capazes de ir muito além das funções clássicas de escolta.

Não se trata de substituir programas em andamento, mas de evoluir a ambição estratégica do poder naval brasileiro para uma nova classe de navios de guerra.

As condições d navegabilidade do Atlântico Sul não comportam meios leves

O Brasil possui uma das maiores áreas marítimas de interesse do mundo, com rotas comerciais vitais, infraestrutura energética offshore, cabos submarinos e crescente presença de marinhas extrarregionais. Fragatas de médio porte, como as da Classe Tamandaré, cumprem papel relevante, mas não são suficientes para missões de patrulhas oceânicas prolongadas, operações de alta intensidade e projeção real de poder em grandes distâncias e em outros continentes.

Fragata Classe Tamandaré em Testes de navegabilidade Foto Marinha do Brasil

Fragatas pesadas oferecem:

                •  Maior autonomia e resistência no mar, fundamentais para o Atlântico Sul;
                •  Capacidade antiaérea de área, hoje inexistente na Esquadra;
                •  Melhor integração de sensores, radares AESA e sistemas de guerra eletrônica;
                •  Capacidade real de comando de forças-tarefa navais.

Sem esse tipo de navio, o Brasil permanece limitado a uma postura essencialmente defensiva e reativa.

Multimissão de verdade, não de discurso

Fotos da Classe Tamnadaré

Uma fragata pesada moderna não é apenas “maior”. Ela é um nó central de combate naval, capaz de atuar simultaneamente em:

                •  Defesa aérea de área contra aeronaves e mísseis;
                •  Guerra antissuperfície com mísseis de longo alcance;
                •  Guerra antissubmarino em cenários oceânicos complexos;
                •  Apoio à projeção de poder, inclusive com operações conjuntas e combinadas.

Esse tipo de meio transforma a Esquadra de uma força de presença em uma força de dissuasão.

ClasseNiteróiTamandaréPesada
Deslocamento t3.500 – 3.8003.450-3.7005.500 – 7.000
Autonomia km5.7007.400+ 9.000

Continuidade industrial: depois da Tamandaré

Um dos maiores erros históricos da defesa brasileira foi a descontinuidade de programas navais. A conclusão da Classe Tamandaré não pode significar o esvaziamento dos estaleiros, da engenharia nacional e da mão de obra especializada recém-formada. Além disso, a construção de navios desse tipo poderia levar desenvolvimento e criar empregos qualificados em outras regiões do país.

Dissuasão se constrói com meios, não com intenções

No cenário atual, discursos sobre “zona de paz” não substituem capacidades militares reais. Fragatas multimissão são instrumentos visíveis, permanentes e politicamente relevantes de dissuasão. Elas elevam o custo de qualquer ameaça aos interesses brasileiros e reforçam a posição do país como líder natural no Atlântico Sul.

Marinhas que desejam ser levadas a sério operam navios desse porte. A ausência dessa capacidade comunica fraqueza estratégica, independentemente das intenções diplomáticas.

Com os submarinos Classe Scorpéne a Marinha tem a capacidade de negar o acesso no Atlântico Sul – Foto da Marinha do Brasil

Projeção de poder nacional

Mais do que defender o litoral, o Brasil precisa projetar poder naval, proteger parceiros estratégicos, participar de operações internacionais com relevância e garantir liberdade de ação no mar. Fragatas pesadas são o elo entre a defesa costeira e uma marinha de águas azuis.

Investir em fragatas pesadas multimissão acima de 6 mil toneladas não é luxo, nem vaidade. É uma decisão estratégica necessária para um país com ambições marítimas compatíveis com seu tamanho, economia e responsabilidade regional.

Após as Tamandaré, o caminho natural é avançar e a hora para se começar é agora. Sem fragatas pesadas, não há dissuasão plena. Sem dissuasão, não há poder naval efetivo.

Fragata Tamandaré faz primeiros testes de mar – 2025

Nessa fase inicial de avaliações técnicas, o navio partiu do Estaleiro Brasil Sul, da empresa TKMS, em Itajaí (SC), com cerca de 130 militares e civis a bordo. Durante a navegação pela costa catarinense, foram testadas a integração dos sistemas de propulsão, geração de energia e automação. O objetivo é comprovar o desempenho do navio em mar aberto, incluindo os quadros elétricos e os sistemas de alarme e segurança.

Testes de manobrabilidade da Fragata Tamandaré – Foto Marinha do Brasil

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