Empresa atrasa pagamentos há um ano e cancelou planos de saúde
Sindicato São José dos Campos
11 Fevereiro 2026
A Akaer, fábrica do setor aeroespacial localizada em São José dos Campos, iniciou mais um ano com irregularidades no pagamento de salários e direitos. Até esta quarta-feira (11), os cerca de 700 trabalhadores da empresa não receberam os vencimentos de janeiro. O Sindicato exige que a situação seja regularizada com urgência.
Não é de hoje que a Akaer atrasa os pagamentos. O Sindicato denuncia o grave desrespeito desde março de 2025. Além de não pagar salários em dia, a empresa não deposita o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) há um ano e também atrasa com recorrência o vale-alimentação.
Além disso, o plano de saúde foi novamente cortado, sem aviso prévio. Em dezembro, a Akaer já tinha suspendido os convênios médico e odontológico. Após mobilização dos trabalhadores, a promessa era reativá-los.
Para o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves, a situação é preocupante e se assemelha ao que ocorreu com os trabalhadores da Avibras, em 2022. Atualmente, a empresa do setor de Defesa, localizada em Jacareí, deve 35 salários aos metalúrgicos.
“A Akaer, assim como a Avibras, é uma grande detentora de tecnologia. É um absurdo que atrase o pagamento dos salários e direitos e corte o plano médico. A situação é inaceitável”, afirma Weller.
Sumiço de R$ 24 milhões
Na semana passada, o jornal Estadão denunciou que a Finep, agência do governo federal, cancelou o projeto de fabricação do foguete brasileiro pela Akaer. O motivo é o sumiço de R$ 24,5 milhões de verba pública repassados à empresa.
De acordo com a denúncia, a Finep suspendeu o Programa do Veículo Lançador de Pequeno Porte (foguete VLPP) em agosto de 2025, após irregularidades na prestação de contas da Akaer. A fábrica só justificou o uso de R$ 16,7 milhões dos R$ 41,3 milhões já repassados pela agência.
O programa tinha valor total de R$ 180 milhões. Além de rescindir o contrato, a Finep exige que a Akaer e suas parceiras devolvam o total da verba já repassada.
“Se, com dinheiro público, os trabalhadores da Akaer já passavam por dificuldades, o Sindicato teme que a situação se agrave com a rescisão do contrato. Por isso, exigimos respostas”, complementa Weller.
Irregularidades no setor
A situação da Akaer e da Avibras refletem um lamentável padrão no setor aeroespacial.
A Embraer, por exemplo, se nega a assinar convenção coletiva de trabalho desde 2017, enquanto lucra alto e recebe diversos financiamentos públicos.
Só do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a Embraer recebeu R$ 28,8 bilhões de janeiro de 2023 a janeiro deste ano. É mais que o dobro do que foi repassado pelo banco à fabricante de aviões entre 2019 e 2022 (R$ 13,8 bilhões).





















