Coreia do Sul incorpora redes antidrone a blindados de primeira linha: adaptação de guerra na era dos UAVs

Por Ricardo Fan, para DefesaNet

Em um movimento que materializa as lições de combate da guerra na Ucrânia, as Forças Armadas da República da Coreia (ROK) começaram a equipar seus principais veículos blindados com sistemas de proteção antidrone baseados em redes físicas, visando mitigar ameaças de drones FPV (First Person View) e munições circulantes.

Imagens oficiais divulgadas no início de fevereiro mostram tanques K2 Black Panther e veículos de combate de infantaria K21 operando em exercícios com telas de proteção montadas sobre as torres e áreas superiores das casas de combate. Essas redes leves, projetadas para serem rapidamente implantadas pelas tripulações, não surgem como mera adaptação improvisada, mas como equipamento operacional padronizado em cenários de alta intensidade.

O que são redes antidrone e como funcionam

As redes antidrone são estruturas físicas (geralmente em malha metálica ou fibras de alta resistência) montadas sobre pontos vulneráveis de uma blindagem. Elas atuam de forma passiva para:

  • Disparar a detonação prematura de munições de ataque aéreo — obrigando drones kamikaze a explodirem antes de entrar em contato com o casco do veículo.
  • Desorientar ou interromper o trajeto de pequenos drones, atrapalhando sensores visuais e perturbando aproximações de baixo nível.
  • Aumentar o tempo de reação da tripulação ao criar uma primeira linha de “barreira física” contra ameaças de baixa altitude.

Esse tipo de proteção, já observado em veículos ucranianos adaptados no Leste Europeu, representa um contrapeso ao crescimento exponencial dos drones táticos — plataformas leves, baratas e cada vez mais usadas para reconhecimento e ataques de precisão a blindados convencionais.

Por que isso importa agora

A proliferação de drones armados e enxames não tripulados transformou radicalmente o campo de batalha. Veículos que outrora dependiam do perfil de proteção frontal e lateral para sobreviver em combates convencionais agora enfrentam ameaças que vêm do alto, onde a blindagem tradicional é mais fina. A guerra na Ucrânia expôs essa vulnerabilidade: tanto blindados pesados quanto veículos logísticos são expostos diariamente a ataques de drones que operam abaixo da cobertura de radar.

Ao empregar redes antidrone, a Coreia do Sul reconhece que a defesa blindada não pode se limitar ao casco e à torre. Ela deve incluir contramedidas adaptativas que cubram ângulos de aproximação que eram historicamente negligenciados.

Como se posiciona no contexto global de C-UAS

A implantação sul-coreana se insere em um contexto maior de investimentos em sistemas counter-UAS (C-UAS) que vão desde jammers eletrônicos e interceptadores até contramedidas cinéticas. Enquanto tecnologias como lasers de alta energia e jamming oferecem intercepção ativa, as redes físicas representam uma camada adicional — barata, robusta e confiável mesmo em ambientes de guerra eletrônica saturada.

Analistas de defesa destacam que a evolução da ameaça de drones exige defesa em profundidade: detecção, identificação, neutralização eletrônica e, quando necessário, proteção física direta dos ativos mais valiosos. A iniciativa sul-coreana demonstra que as forças modernas estão prontas a combinar todas essas capacidades.

Compartilhar:

Leia também
Últimas Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter