Por Ricardo Fan
DefesaNet
Em um cenário estratégico marcado pela consolidação do combate no multidomínio, pela crescente influência da dimensão informacional e pela emergência de ameaças híbridas, a relevância do poder terrestre — e, em particular, da tropa blindada — volta a ocupar posição central no debate doutrinário e operacional.
Longe de representar um vetor do passado, as forças blindadas permanecem como instrumento decisivo para a conquista e a manutenção de objetivos no domínio terrestre, desde que integradas de forma sinérgica às demais capacidades da Força Terrestre Componente.
É nesse contexto que o Centro de Instrução de Blindados (CI Bld) se afirma como um dos pilares estruturantes da prontidão operacional do Exército Brasileiro. Responsável pela formação, especialização e atualização doutrinária de oficiais e praças das tropas blindadas e mecanizadas, o Centro atua como verdadeiro núcleo de convergência entre doutrina, tecnologia, simulação e experiência operacional, acompanhando de forma sistemática a evolução dos conflitos contemporâneos e suas implicações para o emprego da Força.
Nesta entrevista exclusiva, o comandante do CI Bld, Tenente-Coronel de Cavalaria Luciano Sandri de Vasconcelos, analisa, com profundidade e clareza conceitual, o papel da tropa blindada no ambiente operacional contemporâneo, os desafios impostos pela rápida evolução tecnológica, as restrições logísticas e orçamentárias, bem como a importância da formação técnica, tática e cognitiva dos líderes militares.
São abordados, ainda, temas centrais como interoperabilidade, integração das funções de combate, emprego intensivo de simulação, desenvolvimento doutrinário e avaliação de sistemas de emprego militar.
Conduzida por Ricardo Fan, a entrevista oferece uma visão abrangente e tecnicamente fundamentada sobre como o CI Bld vem preparando os comandantes e quadros técnicos que irão conduzir a evolução das forças blindadas brasileiras nas próximas décadas, assegurando que a modernização dos meios resulte, efetivamente, em incremento de poder de combate, dissuasão e eficácia operativa frente aos desafios do século XXI.

Defesanet – Na sua avaliação, qual é o papel da tropa blindada no ambiente operacional contemporâneo, marcado pelo combate no multidomínio e por ameaças híbridas cada vez mais complexas?
Tenente-Coronel de Cavalaria Luciano Sandri de Vasconcelos – A complexidade do combate multidomínio é reflexo das sucessivas alterações na forma de condução dos conflitos armados ao longo dos tempos. Ela é decorrente das mudanças na sociedade e, concomitante a isso, do avanço tecnológico. Nesse contexto, primeiramente, devemos compreender que o ambiente operacional contemporâneo extrapola os limites da guerra convencional, exigindo que a Força Terrestre seja capaz de operar de forma integrada em todos os domínios e dimensões.
Nessa senda, o papel da tropa blindada, como componente da Força Terrestre, afeta diretamente a potencialização de seu poder de combate. Num ambiente operacional caracterizado por ameaças híbridas, que abrange desde a guerra convencional até as operações na zona cinza, a vitória somente será alcançada por intermédio da integração e sincronização de capacidades, sendo primordial atentar para que todas as etapas do ciclo OODA (observar, orientar, decidir e agir) sejam realizadas de forma rápida e eficaz, negando a iniciativa das ações ao inimigo. Não obstante, os desafios impostos por esse novo espectro dos conflitos ainda são solucionados sem abrir-se mão de preceitos já consagrados na arte da guerra, dos quais destaco: o espírito ofensivo, a rapidez na execução das operações e a iniciativa.
Dessa forma, a tropa blindada, por tratar-se de uma força altamente móvel e potente, cujo emprego é vinculado, em geral, às ações dinâmicas e profundas, segue com a missão principal de decidir o combate. Apesar da existência de teorias que afirmam que as guerras são decididas pelo ar ou pelos mares, tais como, respectivamente, as propostas pelo general Douhet e pelo almirante Alfred Mahan, a experiência tem indicado que é no domínio terrestre onde se define o lado vencedor. Vence a guerra aquele que tem a maior capacidade de neutralizar o oponente e de resistir. Dessa constatação emergem os atributos da tropa blindada: proteção blindada, mobilidade e poder de fogo. Essas características se combinam, gerando a ação de choque sob o oponente, responsável por afetar seu moral, interromper o ciclo decisório e levá-lo à derrota.
Na verdade, devido à influência da dimensão informacional no espaço de batalha, estudos mais recentes indicam já uma transição dessas características da tropa blindada, as quais agora seriam: mobilidade, sobrevivência, letalidade, autonomia, adaptabilidade e conectividade. Contudo, a despeito de todas as mudanças no ambiente de combate contemporâneo, prevalece a tropa blindada como elemento indispensável para decidir o combate, conquanto que haja o emprego sinérgico e integrado de seus meios, junto ao restante da Força Terrestre Componente.
O CI Bld é reconhecido como referência internacional na formação de tropas blindadas e mecanizadas. Quais são, hoje, as principais competências que o Centro busca desenvolver nos militares que passam por seus cursos e estágios?
Devido as mudanças comentadas anteriormente quanto ao ambiente multidimensional contemporâneo e, principalmente, as influências do campo informacional, não basta mais ao militar pertencente à tropa blindada ou mecanizada operar e empregar com aptidão os meios de combate de sua fração. Além da excelência técnica e tática exigida ao desempenhar suas atribuições em combate, este deverá também usar da capacidade tecnológica disponível para ampliar sua consciência situacional, transformando informação em ação. Há também que, cada vez mais, trabalhar de maneira sinérgica (tanto no âmbito de sua guarnição como dos demais elementos de sua fração).
Assim sendo, o CI Bld busca especializar, por meio de cursos e estágios, o pessoal que ocupará cargos e desempenhará funções relacionadas às tropas blindadas ou mecanizadas. O Centro atua, também, no aprimoramento dos conhecimentos correlatos às táticas, técnicas e procedimentos, desenvolvendo competências para formar os instrutores, monitores e assessores nas organizações militares.
Ademais, o Centro conta com uma Seção de Doutrina e Pesquisa, que mantém acompanhamento dos conflitos modernos, garantindo que as novas técnicas, táticas e procedimentos ensinadas sejam mantidas atualizadas e aprimoradas. Em conjunto, uma Divisão de Ensino mantém o currículo dos cursos e estágios atualizados, de forma que os alunos e estagiários obtenham as competências necessárias para enfrentar as novas ameaças.
Considerando a rápida evolução tecnológica dos sistemas de armas e das plataformas blindadas, como o CI Bld tem integrado inovação, tecnologia e doutrina aos seus processos de ensino-aprendizagem?
O desenvolvimento da doutrina, idealmente, deve sempre ocorrer junto das inovações tecnológicas e do preparo da tropa. Isto posto, a integração entre inovação, tecnologia e doutrina no ecossistema de ensino do CI Bld é sustentada por vetores estratégicos fundamentais. O Centro atua como um pilar consultivo do Exército Brasileiro, exercendo o assessoramento especializado em assuntos correlatos ao emprego tático e operacional de meios blindados e mecanizados.
Essa contribuição para a doutrina militar consolida-se por meio de um ciclo ininterrupto de produção de conhecimento, que engaja, no processo, instrutores e instruendos na pesquisa, desenvolvimento e publicação desde artigos científicos até manuais. Esse dinamismo é alicerçado nas lições aprendidas pelos operadores em suas unidades de origem, na análise de literaturas técnicas internacionais de vanguarda reconhecidas, na participação ativa de militares em simpósios, conferências e feiras de tecnologia e no intercâmbio com nações amigas — seja pela presença de instrutores estrangeiros no Centro ou pelo retorno de militares brasileiros que, após conclusão de sua missão no exterior, incorporam ao CI Bld, como instrutores e monitores, as melhores práticas observadas.
Essa integração também se dá pelo vetor da simulação. O CI Bld possui uma vasta gama de simuladores, os quais se constituem de uma ferramenta essencial na preparação e adestramento de tropas blindadas e mecanizadas, permitindo o treinamento desde o nível individual até subunidade. Nesse ínterim, o uso dos simuladores permite obter elevado nível de realismo durante a instrução e treinamento, possibilitando um melhor rendimento e facilitando o diagnóstico de falhas no emprego técnico do material em um ambiente controlado.
O emprego de simuladores no processo de ensino-aprendizagem atua, também, como fator de otimização de recursos. Constitui-se como uma ponte necessária para que o erro ocorra tão somente no ambiente virtual, garantindo que o objetivo de instrução seja plenamente atingido antes mesmo do emprego de munição real e de combustível. Como consequência, eleva-se a eficiência do treinamento, ao passo que são reduzidos custos.
Por fim, ainda sobre esse assunto, é preciso salientar que o Brasil é um dos poucos países no mundo possuidor de um treinador sintético de blindados nível pelotão, o que reforça o compromisso do CI Bld com a inovação, tecnologia e desenvolvimento da doutrina no processo de ensino-aprendizagem.
Os estágios táticos conduzidos pelo Centro enfatizam o planejamento e a tomada de decisão sob pressão. Como essa abordagem prepara oficiais e sargentos para os desafios reais do combate moderno?
Segundo o novo manual de campanha Operações (MC 3.0), do Exército Brasileiro, o ambiente operacional moderno pode ser caracterizado como altamente volátil, complexo, incerto e ambíguo. Isso impõe que a metodologia para solução de um problema militar seja norteada na compreensão dos fatores de decisão durante o exame de situação. Não obstante, a rapidez e dinâmica dos eventos que se sucedem num conflito de ameaças híbridas, além da constante incerteza presente, aumentam a dificuldade de realização dessa análise pelos comandantes nos diversos níveis.
Diante disso, o melhor modo para se preparar para combater nesse tipo de cenário é instruir, treinar e adestrar buscando simular esse mesmo tipo de ambiente. Partindo desse pressuposto, o CI Bld, baseado na lógica de uma metodologia de ensino por competências, prepara o oficial e sargento não somente a executar tarefas, mas também a pensar, decidir e agir, priorizando o desenvolvimento do raciocínio militar.
Essa abordagem no ensino-aprendizagem, dentre outros, capacita o instruendo a filtrar dados essenciais, propiciando uma melhor compreensão tática e consciência situacional em meio à saturação de informações do campo de batalha. Além disso, o proveito dos simuladores aliados à instrução replica, em boa medida, o stress de combate advindo da imprevisibilidade das ações do oponente, propiciando, tanto no treinamento como numa situação de combate real, a tomada de decisão de maneira rápida e assertiva.
De que forma o CI Bld trabalha a integração das funções de combate — movimento e manobra, fogos, proteção, comando e controle e logística — no adestramento da tropa blindada e mecanizada?
Conforme já comentado, o ambiente operacional contemporâneo exige a integração das capacidades de combate em todos os domínios e dimensões do espaço de batalha. Assim sendo, o CI Bld busca, num primeiro momento, durante a instrução tática teórica, conceituar a integração das funções de combate por intermédio de uma abordagem sistêmica. Isso garante que o docente se compreenda não como um elemento isolado, mas como parte de uma rede complexa. Isso viabiliza a absorção de conceitos abstratos para um plano mais tangível, o que será ferramenta fundamental para a próxima etapa, durante o planejamento e execução de uma missão simulada.
Num segundo momento, mediante o emprego intensivo da simulação virtual e ou real, os conhecimentos teóricos da integração das funções de combate são consolidados e aplicados pelo instruendo no campo prático ao planejar e executar uma missão de combate. Enquadrado em uma determinada fração, blindada ou mecanizada, por intermédio da confrontação com problemas militares que demandam respostas imediatas e, supervisionado continuamente pela equipe de instrução, o aluno é induzido a operar de maneira integrada às demais funções de combate, garantindo assim a máxima sinergia e eficácia do aprendizado. Essa consolidação pedagógica se materializa em atividades críticas, como por exemplo: a emissão de uma ordem de operações para uma força tarefa, a execução de ensaios numa matriz de sincronização, a execução de pedido e correção de fogos de artilharia durante o combate em tempo real, a emissão de ordens fragmentária em ambiente sob pressão, dentre outras.
A interoperabilidade e o emprego combinado de meios são aspectos centrais da Doutrina Militar Terrestre atual. Como o Centro estimula essa mentalidade durante os cursos e estágios?
O CI Bld estimula a interoperabilidade concomitante à integração das Funções de Combate durante a prática intensiva em ambientes de simulação virtual e real, pois envolve o comando e controle, a coordenação logística e a uniformização de processos decisórios.
Ao longo dos cursos e estágios, o Centro fomenta no aluno a compreensão de que as capacidades operacionais, a moldagem do campo de batalha e o emprego combinado entre as forças são fundamentais para manter a coesão e a eficácia das operações. Nesse sentido, busca-se associar ao planejamento da operação terrestre, capacidades de elementos de outros componentes militares ou agências, agregando com isso maior complexidade de coordenação e incutindo naturalmente o entendimento dos preceitos advindos da Doutrina Militar Terrestre.
No contexto brasileiro, quais o senhor considera os principais desafios para manter a prontidão operacional e a relevância da tropa blindada diante das restrições orçamentárias e das demandas crescentes?
Na primeira década do século XXI, o Exército Brasileiro vivenciou a implementação do Projeto Leopard, que desencadeou uma mudança expressivamente positiva na instrução e na gestão de blindados no âmbito da Força. Posteriormente, tirando proveito dessas lições aprendidas e alinhado ao Programa Estratégico do Exército Forças Blindadas, presenciamos a execução do Projeto Guarani, que hoje serve como referência para a aquisição de produtos nacionais de defesa. Nesse processo podemos citar também a modernização dos VBTP M 113, e as aquisições dos Obuses M 109, das viaturas multitarefas 4×4 Guaicurus e dos modernos caça tanques 8×8 Centauro.
Essa trajetória de sucesso, no entanto, criou o problema atual de integrar plataformas de gerações e origens distintas em um cenário operacional único, diante das restrições orçamentárias e da carência de peças de reposição no mercado mundial, para os blindados que não mais estão em produção. Dito isso, entendo que esses dois fatores são hoje os principais desafios para manutenção da prontidão operacional e relevância da tropa blindada.
A disponibilidade de suprimentos de Classe IX (Motomecanização) é crítica, sobretudo, para a frota Leopard 1A5 Br e suas variantes. O principal óbice reside na escassez global de componentes que já atingiram o fim de seu ciclo de produção na Europa. Esse cenário de obsolescência foi acelerado pela transição para o MBT Leopard 2, ainda na década de 1980, processo que resultou na desativação das linhas de montagem originais e na consequente interrupção do suporte industrial para a plataforma Leopard 1.
Soma-se a esse cenário o impacto do conflito russo-ucraniano na cadeia global de defesa. O que antes era suprido por acervos históricos de peças de reposição na Europa Ocidental foi redirecionado prioritariamente para o teatro de operações no Leste Europeu. Em consequência, o Exército Brasileiro perdeu o acesso a fontes de suprimento economicamente vantajosas, transformando a dependência de uma linha de blindados descontinuada em um problema latente, diante da escassez de ativos de reposição no mercado internacional.
Esse fato evidencia que a dependência de uma cadeia de suprimentos para blindados que já saíram de linha constitui-se de um risco estratégico à sua permanente prontidão. Diante desse impasse logístico o Exército, no futuro, será instado a decidir por dois caminhos, quais sejam: tal qual o projeto de aquisição da viatura caça tanques 8×8 Centauro, buscar por viaturas blindadas estrangeiras já consolidadas na indústria de defesa mundial, ou investir no desenvolvimento de um projeto nacional de longo prazo, segundo o modelo preconizado pelo Projeto Guarani.
Qual é a importância da formação e da capacitação na área de manutenção de viaturas blindadas para a efetividade operacional das unidades no terreno?
A formação e a capacitação de pessoal em manutenção de viaturas blindadas constituem a espinha dorsal da prontidão operacional. No campo de batalha moderno, onde os meios são tecnologicamente densos e os recursos logísticos e orçamentários limitados, a competência técnica das tripulações e dos mecânicos atua como um multiplicador de forças.
Sem essa prontidão as Unidades não poderão emassar poder de combate no ponto e momento decisivos, tolhendo a ação de choque e levando, portanto, como resultado, ao insucesso da operação no plano tático.
Nesse cenário, o Centro de Instrução de Blindados assume um papel fundamental como o “Centro de Gravidade” do conhecimento técnico de manutenção das tropas blindadas e mecanizadas. Ao padronizar a instrução e disseminar a mentalidade de manutenção preventiva e corretiva, o Centro assegura que seus instruendos, das distintas armas e quadros, regressem às suas unidades de origem capazes de gerenciar a frota sob sua responsabilidade, formando especialistas que compreendem que a disponibilidade do material é o que viabilizará a efetividade operacional no terreno.
O CI Bld também atua no apoio ao desenvolvimento doutrinário e na avaliação de sistemas e materiais de emprego militar. Como essa interação contribui para a modernização da Força Terrestre?
Exatamente. Essa é também uma das missões do CI Bld. Ao atuar no apoio ao desenvolvimento doutrinário, o Centro submete os novos sistemas e ou materiais a rigorosos ciclos de experimentação, onde os requisitos técnicos são comprovados e certificados, garantindo que o ciclo de modernização e melhoria das capacidades da Força Terrestre seja constante e progressivo.
Exemplo disso foi a participação do CI Bld, por meio de sua seção de doutrina, no processo de assessoramento relativo ao Projeto Guarani. O Centro cooperou confeccionando diversos relatórios, cujas sugestões foram sempre prontamente atendidas pela coordenação do projeto. Também participou dos testes do Sistema de Comando e Controle realizados no Centro de Avaliações do Exército. Portanto, estamos sempre buscando a atuação ativa para responder às demandas da tropa blindada e mecanizada.
Olhando para o futuro, como o senhor enxerga a evolução da tropa blindada do Exército Brasileiro e o papel do CI Bld na preparação dos líderes que irão conduzi-la nos próximos anos?
Não é mais possível imaginar a evolução da tropa blindada dissociada da aceleração tecnológica, seja no Brasil, seja no mundo. Devido aos fatores que afetam os conflitos armados – cito em especial a dimensão humana, o combate em áreas humanizadas, a informação e o caráter difuso das ameaças – esses meios de guerra serão cada vez mais precisos, letais, seguros e interoperáveis entre si. Hoje são tendências consolidadas a horizontalidade e a comunalidade, a digitalização, a integração de sistemas de proteção ativa e passiva, de georreferenciamento, de compartilhamento de dados e de auxílio à direção. Em determinados casos, até mesmo a robotização e a automação têm ganhado espaço. Analogamente, conceitos de eletrificação e de transparência do campo de batalha emergem como soluções para ampliar a capacidade de sobrevivência dos integrantes dessas frações.
Nesse contexto o CI Bld estabelece-se como elo entre o avanço tecnológico e o emprego operacional tático da tropa blindada. Em um cenário onde a letalidade e a sobrevivência dependem da coordenação e sincronização de sistemas avançados com cada vez mais interfaces agregadas que auxiliam à decisão do comandante e à neutralização do oponente, o Centro atuará sempre no que considero ser a vanguarda da capacitação técnica e doutrinária do pessoal que operará esses meios, assegurando que oficiais e sargentos desenvolvam a proficiência necessária para empregar sistemas d’armas em ambientes complexos, humanizados e de ameaças difusas.
Além da instrução, o CI Bld seguirá desempenhando um papel central no desenvolvimento doutrinário, antecipando as novas tendências a partir da pesquisa e da construção de cenários prospectivos. Dessa forma, o Centro continuará institucionalizando a inovação tecnológica, garantindo que a modernização da tropa blindada resulte em um incremento real na dissuasão e na eficácia operativa do Exército Brasileiro frente aos desafios do século XXI – e dos seguintes.
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O Tenente Coronel de Cavalaria LUCIANO SANDRI DE VASCONCELOS é o Comandante do Centro de Instrução de Blindados – Centro General Walter Pires – sediado na cidade de Santa Maria-RS. Foi declarado aspirante a oficial em 2002 pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Possui os cursos de aperfeiçoamento de Oficiais de Cavalaria (EsAO), Comando e Estado Maior na ECEME, Oficial de Comunicações, Estágios técnicos de blindados, tático de Força Tarefa Blindada, tático de Pelotão de Exploradores, Tático de Cavalaria Mecanizada, Comandante de Organizações Militares Blindadas/ Mecanizadas, Oficial de Ligação no exterior, Comunicação Social para Oficiais do QEMA, Oficial de doutrina e Lições Aprendidas e Operações Aeromóveis. Fez o curso Básico de Plana Mayor, na Escuela de Las Armas, na República da Argentina e a Proeficiência em Combate das Forças Armadas da Alemanha. Foi instrutor do Centro de Instrução de Blindados, Curso de Cavalaria da AMAN, comandou o 6° Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, Oficial de Operações e Chefe do Estado Maior da 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada. Desempenhou a função de Oficial de Ligação junto ao Centro de Excelência de Manobra dos EUA, Fort Bening – Georgia e Oficial Formulador do Centro de Doutrina do Exército.
(sandri.luciano@eb.mil.br/luciano.s.sandridevasconcelos.fm@army.mil).
Ver o artigo do TC Vasconcelos: Uma Força Tarefa Blindada como vanguarda da marcha para o combate da Brigada Blindada: reflações sobre a Operação Punhos de Aço 2025





















