Saab finaliza o primeiro de quatro Gripen adicionais para a Hungria

A fabricante sueca Saab concluiu a montagem do primeiro de quatro caças adicionais JAS 39C Gripen destinados à Força Aérea Húngara (Magyar Légierő). A informação foi confirmada pela Embaixada da Hungria em Estocolmo, que divulgou, em 14 de janeiro de 2026, uma imagem da aeronave recém-finalizada na linha de produção da Saab em Linköping.

Expansão da frota e cooperação estratégica

Os quatro novos caças foram encomendados por meio de contrato assinado em 23 de fevereiro de 2024, como emenda ao acordo original firmado em dezembro de 2001 entre o governo húngaro e a Administração Sueca de Materiais de Defesa (FMV). Esse contrato estabeleceu a base da parceria estratégica entre Budapeste e Estocolmo no setor de defesa aérea.

Atualmente, a Hungria opera 14 aeronaves Gripen (12 JAS 39C monopostos e dois JAS 39D bipostos), adquiridas inicialmente por meio de um contrato de leasing. Pelos termos vigentes, toda essa frota passará oficialmente à propriedade húngara no início de 2026. A Saab continuará responsável pelo suporte logístico, manutenção e assistência técnica até pelo menos 2036, garantindo a sustentabilidade operacional no médio e longo prazo.

Modernização e interoperabilidade

Paralelamente à expansão da frota, os Gripens húngaros passam por um programa de modernização contratado em agosto de 2021 com o Ministério da Defesa húngaro. As principais atualizações incluem:

  • Instalação do radar PS-05/A Mk4 aprimorado
  • Atualização do software de missão para o padrão MS20 Block 2
  • Maior interoperabilidade com forças da OTAN
  • Integração de mísseis ar-ar IRIS-T, adquiridos da Alemanha em 2021

Essas melhorias aumentam significativamente a eficácia da frota em cenários de combate modernos e fortalecem a capacidade de participação em missões conjuntas da Aliança.

Contexto geopolítico

A relevância do programa Gripen para a Hungria ganhou destaque em setembro de 2025, quando caças JAS 39 interceptaram aeronaves russas sobre o Mar Báltico durante uma missão de Policiamento Aéreo da OTAN. Os aviões russos voavam sem plano de voo e com transponders desligados, reforçando a importância da prontidão aérea aliada na região.

O progresso do programa Gripen na Hungria combina modernização militar, compromisso com a defesa coletiva da OTAN e aprofundamento da cooperação industrial e estratégica com a Suécia. Em um cenário europeu de tensões persistentes, a ampliação da frota para 18 aeronaves e as atualizações tecnológicas consolidam o país como ator relevante na segurança do flanco leste.

Nota Técnica – Diferenças entre Gripen C/D e Gripen E/F

  • Configuração de assentos Gripen C/D: versões de 4ª geração; C monoposto, D biposto (treinamento e missões especiais). Gripen E/F: nova geração; E monoposto, F biposto, com foco em missões complexas e interoperabilidade avançada.
  • Plataforma e desempenho C/D: aviônicos dos anos 1990/2000, menor peso e capacidade de combustível. E/F: fuselagem redesenhada, maior combustível interno (autonomia +40%), motor GE F414G mais potente e maior carga útil.
  • Sistemas e sensores C/D: radar PS-05/A Mk4, atualizações via software (MS20 Block 2). E/F: radar AESA Raven ES-05, sensor IRST Skyward-G, guerra eletrônica avançada e cockpit digital moderno.
  • Armamentos e interoperabilidade C/D: compatível com AIM-120 AMRAAM, IRIS-T e bombas guiadas. E/F: integração plena com mísseis Meteor de longo alcance, maior flexibilidade para armamentos modernos ar-ar e ar-solo.
  • Função estratégica C/D: aeronaves de transição, foco em defesa aérea e treinamento. E/F: caças 4.5ª geração, multirole para alta intensidade, com sensores superiores e plena interoperabilidade OTAN.

Em resumo, os Gripen C/D formam a espinha dorsal atual da Força Aérea Húngara, enquanto os Gripen E/F representam a evolução tecnológica da Saab, oferecendo capacidades próximas às de caças de última geração, mas com custo-benefício mais favorável e maior adaptabilidade.

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