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CIVILIZED
WARRIORS
Der SPIEGEL: Entrevista
com o
GENERAL DAVID PETRAEUS (US Army)
(original in english)
"Temos
de ajustar nossas miras além do alcance do
M-16"
Em uma entrevista
com o SPIEGEL, o General David Petraeus, ex-comandante
no Iraque que agora é responsável
pelo treinamento das tropas do United States Army,
discute as lições de Bagdá,
as razões pelas quais a guerra na pode ser
vencida pelas armas somente e qual a razão
dos futuros combatentes americanos necessitam de
um curso de pós-graduação.(Nota
Defesa@Net no dia 05 Janeiro 2006 o General Petreus
foi promovido a quatro estrelas e nomeado para ser
o Comandante da " Multi-National Forces - Iraq".
Como comandante da 101 Airborne Division, na área
de Mosul, terceira cidade do Iraque - o General
Petraeus conduziu uma série de programas
que em poucos meses estabilizaram o governo local
reativaram a economia local, e organizou as forças
de segurança locais. Outra missão
foi a de treinar e equipar o exército e força
policial do Iraque.)
SPIEGEL: General Petraeus, o Senhor estava no
comando de operações no Iraque, supervisionava
a reconstrução do exército
e das forcas de segurança do Iraque, agora
trabalha o treinamento e educação
dos oficiais do Exército Americano aqui em
Fort Leavenworth. O Senhor concordaria que os Estados
Unidos está tentando impor uma revolução
cultural no United States Army?
Petraeus: Realmente há uma grande mudança
cultural acontecendo. Nós dizemos que se
você pode fazer o "big stuff": grandes
operações combinadas, operações
de grande intensidade e ter uma força disciplinada
e motivada, então você pode fazer o
chamado "little stuff". Isso mostrou-se
incorreto.
Quando eu cheguei a Fort Leavenworth (U.S. Army
Combined Arms Center), no ano passado (2005), todos
sabiam desde o Chefe do Estado Maior descendo pela
escala de comando, que nós necessitávamos
de fazer mudanças substanciais no Exército.
Meu antecessor, General William Wallace, cunhou
o logo "motor de mudanças" para
toda a organização que nos comandamos,
e que testamos para depois ser aplicado ao Exército
como um todo. Nós estamos lidando com novas
doutrinas, novos conceitos em todos os níveis,
que moldarão a educação de
oficias, praças e líderes não-comissionados
do Exército, e portanto influenciarão
o treinamento de nossas unidades nos grandes centros
de treinamento de combate. Todos terão de
ser modificados com base nas lições
que aprendemos em nossas operações
militares, e daquelas que testamos.
SPIEGEL: Quais são estas lições?
Petraeus: Nós trouxemos uma grande experiência
do Iraque, da América Central e de alguma
maneira de outras operações como:
Haiti, Bósnia e Kosovo. Mas havia o sentimento
da importância de reconhecer e compreender
o grande impacto cultural, religioso e fatores étnicos
- que chamamos do "terreno cultural",
às vezes mais importante que o conhecimento
do terreno físico nas operações
contemporâneas. Nós tínhamos
de lidar com estes desafios especialmente quando
eles tornam-se importantes no planejamento e conduta
de operações militares modernas.
SPIEGEL: O Senhor é co-autor de uma nova
doutrina de contra-insurgência que será
publicada esta semana (FM 3-24 - MCWP 3-33.5 COUNTERINSURGENCY
publicado dia 15 Dezembro 2006). Quando se lê
o Manual ficamos com a impressão que o Exército
do futuro não será somente uma máquina
de guerra , mas também uma agência
tipo "nation-building".
Petraeus: Nós revisamos o documento várias
vezes para evitar incompreensões. Mas de
maneira geral estamos falando de problemas muito
complexos. Em áreas chaves nós tínhamos
inúmeros paradoxos, grandes paradoxos. O
que estamos tentando fazer é apresentar situações
que necessitem intuição e por o pessoal
realmente a pensar. E as operações
de contra-insurgência são de Guerra
ao nível de graduação, esse
é o pensamento do combatente.
Um dos paradoxos, por exemplo: "A melhor
arma em operações de contra-insurgência
é: Não atire ( Don´t Shoot)".
Bem isso é válido em Mosul onde o
nível de violência é baixo,
e você tem uma situação onde
dizemos: "Money is the best ammunition".
Mas, se você está em uma ´area
de Bagdá que é muito afetado pela
violência. Então a melhor arma é
atirar e a melhor munição é
a munição real (the best ammunition
is real ammunition). Tudo depende da situação,
e é vital que os nossos líderes (comandantes
militares no campo) compreendam essa realidade e
constantemente avaliem e re-avaliem a situação
em suas áreas de operações
O que não desejamos mais é simplesmente
dar à tropa um checklist do que fazer e não
fazer. Nós desejamos que eles pensem, não
memorizem. Você sabe que grande parte disso
é para jovens oficiais. Mas, nós temos
de ser claros para eles, eles têm de saber:
Você deve ser um guerreiro primeiro, isso
é fato, é por isso que nós
existimos para em muitos casos matar ou capturar
"the bad guys". Mas, de outro lado,
nós temos de ensinar-lhes: Você não
está indo para eliminar uma insurgência
à bala. Não, você deve afastar
os elementos que nunca irão se reconciliar
com o novo governo, com o sistema, para então
tentar vencer o resto. Isso não é
feito com tanques ou fuzis.
SPIEGEL: Essa visão é compartilhada
pelo US Army?
Petraeus: Sim. Você sabe, lógico
que é menos claro que lutar em Bagdá,
mas não me entenda errado. Lutar em Bagdá
não é fácil. É muito,
muito difícil, pessoais reais morrem e explodem
e muitas coisas explodem também, mas nós
sempre sabíamos como fazer as coisas, nós
tínhamos refinado nossas técnicas
de operações combinadas que são
a parte mais sofisticada em nossa atividade. De
fato posso afirmar que nós praticamos o "big
stuff" por um período de tempo de 25
a 30anos, enquanto esperávamos o grande avanço
das tropas blindadas Soviéticas e do Pacto
de Varsóvia no "Passo de Fulda",
ou no norte da Alemanha (Nota Defesa@Net: O avanço
sobre a Alemanha o que era reconhecido como o plano
básico do Pacto de Varsóvia para uma
Guerra convencional, ou com emprego de armas nucleares
táticas, contra a OTAN)
Mas essa outra atividade, que nós chamamos
de "little stuff" - a construção
de infra-estrutura civil, o combate contra violência
separatista, o trato com líderes locais,
é muito, muito desafiador devido a não
ter um padrão ou norma a ser seguido e que
nós temos de ser treinados para tal. As demandas
são muito diferentes. Quando tratamos de
insurgência, não há um exército
do outro lado, nem batalhões, o inimigo não
se expõe, fica tudo com a inteligência.
SPIEGEL: Na sua visão , qual o oficial
ideal hoje?
Petraeus: Certamente temos de ser guerreiros
primeiro. Obviamente a Guerra é a nossa existência.
Mas nós também desejamos líderes
que possam fazer mais que lutar. Nós desejamos
o que nós chamamos de um Líder
penta-atleta, metaforicamente - um líder
que não é somente um corredor (sprinter),
mas também um corredor de longa distância
e um saltador (high jumper). Nós necessitamos
de pessoas que sintam-se bem e aptas em todo o espectro
de um conflito e não somente em operações
de combate. Elas deverão compreender
um conflito em um sentido mais profundo, suas origens
e a natureza dele. Operações de contra-insurgência,
são de fato um mix de ações
ofensivas, defensivas e de estabilização,
e pode incluir a reconstrução da infra-estrutura
civil, poços artesianos, dar bolas de futebol,
tomar chá com lideres da comunidade ou o
que você quiser mais.
SPIEGEL: Você propaga a idéia que
jovens oficiais devem ir a um curso de pós-graduação.
Qual a razão de um soldado necessitar de
um "master degree"?
Petraeus: Nós estamos falando de como
reagir à incerteza, não são
tarefas comuns , estamos falando de ambientes que
são muito diferentes daqueles que usamos.
Você tem de trabalhar com uma língua
estrangeira, você tem de negociar com pessoas
com outro perfil religioso, e que não compartilham
com você os mesmos princípios básicos.
Agora você indo para uma escola de pós-graduação,
coloca-o fora de uma zona de conforto intelectual
- e é o que um jovem oficial deve experimentar.
Você sabe, nós do Exército,
temos de admitir, que vivemos em uma árdua
clausura. Nós trabalhamos duro, porém
tendemos a viver em um tipo de clausura a maior
parte de nossa vidas. Então nós temos
de ajustar, como um dos meus colegas afirmou, a
mira do M-16 para além do alcance máximo
efetivo. Escolas que nos coloquem fora de nossa
zona de conforto intelectual nos ajudam a fazer
isso.
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