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ONG coordena projeto
de pacificação no Haiti
Viva Rio Trabalhará no Haiti
Uma organização não-governamental
brasileira, com experiência em políticas
sociais nas favelas cariocas, será responsável
em Porto Príncipe, a capital haitiana, por
um projeto ligado ao desarmamento e a pacificação
do país, a cargo da Missão das Nações
Unidas para a Estabilização do Haiti
(Minustah).
O Viva Rio será responsável
por consolidar o processo de paz em Bel Air, bairro
de cerca de 70 mil habitantes em Porto Príncipe.
O cientista social Rubem César Fernandes,
diretor da entidade, conta que a ação
se dará em parceria com as tropas, que continuarão
a manter a segurança na área.
Enquanto isso, obras aumentarão
a oferta de água potável, energia,
coleta de lixo e saneamento, e equipes capacitarão
a população local em temas como o
manejo da água e saúde da família.
Bel Air fica no centro da
capital haitiana, tem importância histórica
para o país e, por isso, a recuperação
da área terá sentido simbólico,
segundo Fernandes.
"È como o que
se deu na Lapa, no Rio, ou no Pelourinho, em Salvador",
compara ele. "A nossa preocupação
é mostrar que a missão de paz pode
trazer benefícios concretos, palpáveis
para os haitianos."
A pacificação
das zonas mais violentas das cidades haitianas é,
desde 2004, uma das principais metas da Minustah.
Até agora, houve poucos avanços em
temas como o desarmamento. Segundo o mais recente
balanço da ONU, apenas 104 pessoas entregaram
as armas até agora para juntar-se aos programas
de reintegração social que a missão
oferece.
O diretor da Viva Rio explica
que o objetivo do projeto em Bel Air não
será, propriamente, o de desarmar a população.
"O mais importante é livrar o bairro
dos tiroteios, da presença das armas na vida
pública, na política local",
explica ele. "Existem dificuldade econômicas
no mundo inteiro, e nem por isso, há violência
armada nesses locais."
Fernandes compara a realidade
da pobreza haitiana com o quadro encontrado nas
favelas do Rio. "A diferença é
que, lá, as facções armadas
não extraem sua força do tráfico
de drogas, e sim da política", diz ele.
Bel Air, segundo o diretor
da Viva Rio, é um bairro onde a ação
das tropas brasileiras da Minustah conseguiu estabelecer
uma "razoável tranqüilidade"
nas ruas, diferentemente do que acontece em Cité
Soleil.
Segundo o diretor do Viva
Rio, o projeto em Bel Air já se encontra
em fase inicial, será financiado pelo governo
norueguês, durará quatro anos e tem
orçamento de US$ 1,4 milhão para 2007.
A mão-de-obra local será priorizada
nos trabalhos.
Neste primeiro ano, a prioridade
é a construção de cisternas
públicas (ao lado de escolas, igrejas etc.),
para acumulação da água da
chuva e a formação de redes de mulheres
que atuem como agentes de saúde e na gestão
dessa água.
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