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Panorama Haiti

Defesanet 24 Janeiro 2007
Agência Brasil 24 Janeiro 2007

ONG coordena projeto de pacificação no Haiti
Viva Rio Trabalhará no Haiti


Uma organização não-governamental brasileira, com experiência em políticas sociais nas favelas cariocas, será responsável em Porto Príncipe, a capital haitiana, por um projeto ligado ao desarmamento e a pacificação do país, a cargo da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).

O Viva Rio será responsável por consolidar o processo de paz em Bel Air, bairro de cerca de 70 mil habitantes em Porto Príncipe. O cientista social Rubem César Fernandes, diretor da entidade, conta que a ação se dará em parceria com as tropas, que continuarão a manter a segurança na área.

Enquanto isso, obras aumentarão a oferta de água potável, energia, coleta de lixo e saneamento, e equipes capacitarão a população local em temas como o manejo da água e saúde da família.

Bel Air fica no centro da capital haitiana, tem importância histórica para o país e, por isso, a recuperação da área terá sentido simbólico, segundo Fernandes.

"È como o que se deu na Lapa, no Rio, ou no Pelourinho, em Salvador", compara ele. "A nossa preocupação é mostrar que a missão de paz pode trazer benefícios concretos, palpáveis para os haitianos."

A pacificação das zonas mais violentas das cidades haitianas é, desde 2004, uma das principais metas da Minustah. Até agora, houve poucos avanços em temas como o desarmamento. Segundo o mais recente balanço da ONU, apenas 104 pessoas entregaram as armas até agora para juntar-se aos programas de reintegração social que a missão oferece.

O diretor da Viva Rio explica que o objetivo do projeto em Bel Air não será, propriamente, o de desarmar a população. "O mais importante é livrar o bairro dos tiroteios, da presença das armas na vida pública, na política local", explica ele. "Existem dificuldade econômicas no mundo inteiro, e nem por isso, há violência armada nesses locais."

Fernandes compara a realidade da pobreza haitiana com o quadro encontrado nas favelas do Rio. "A diferença é que, lá, as facções armadas não extraem sua força do tráfico de drogas, e sim da política", diz ele.

Bel Air, segundo o diretor da Viva Rio, é um bairro onde a ação das tropas brasileiras da Minustah conseguiu estabelecer uma "razoável tranqüilidade" nas ruas, diferentemente do que acontece em Cité Soleil.

Segundo o diretor do Viva Rio, o projeto em Bel Air já se encontra em fase inicial, será financiado pelo governo norueguês, durará quatro anos e tem orçamento de US$ 1,4 milhão para 2007. A mão-de-obra local será priorizada nos trabalhos.

Neste primeiro ano, a prioridade é a construção de cisternas públicas (ao lado de escolas, igrejas etc.), para acumulação da água da chuva e a formação de redes de mulheres que atuem como agentes de saúde e na gestão dessa água.

   
   
   
 

 

 

Panorama Haiti
Responsável
Kaiser Konrad

   
 

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