| Para general,
ONGs se dedicam ao tráfico de drogas
Marcelo Rech
Das 276 mil organizações
não-governamentais que atuam no Brasil, 100
mil estão na Amazônia e muitas atuam
com interesses ocultos na região, envolvidas
com o tráfico de drogas, armas, lavagem de
dinheiro e espionagem.
O diagnóstico foi apresentado
nesta quarta-feira pelo general Maynard Marques
Santa Rosa, secretário de Política,
Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério
da Defesa. Ele participou de audiência pública
realizada pela Comissão de Relações
Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara.
Os dados são dos serviços de inteligência
das Forças Armadas. Santa Rosa fez questão
de afirmar que as informações são
oficiais.
Na avaliação do deputado
Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), as informações
do general não podem ser engavetadas dada
a gravidade das denúncias. De acordo com
o general, "o Brasil é o único
país do mundo que não opõe
restrições à atuação
de ONGs, e a base legal para isso é a própria
Constituição Federal".
O deputado Carlito Merss (PT-SC),
reconheceu que, de fato essa área de atuação
das ONGs "está cheia de pilantragens,
principalmente com os interesses dos laboratórios
internacionais na biodiversidade da região,
as igrejas infiltradas na área ou mesmo com
países como o Japão, que tem patenteado
frutos da Amazônia". Ele disse ainda
que o debate em torno do assunto é prejudicado
por que há deputados que preferem defender
as multinacionais.
Santa Rosa explicou que o artigo
5º, inciso XVII, da Constituição
declara que é plena a liberdade de associação
para fins lícitos e que, com base nessa legislação,
as ONGs atuam livremente no Brasil. Na sua avaliação,
somente com uma reforma constitucional capaz de
restringir essa atuação a situação
poderia ser modificada, pois a legislação
comum é inócua.
Exército
O general Maynard Marques Santa
Rosa destacou que o Exército tem feito a
sua parte com o repasse de informações
confidenciais para os órgãos policiais,
responsáveis pela repressão aos ilícitos
na região.
"As Forças Armadas
estão presente nas áreas de fronteiras,
cumprindo seu papel de defesa nacional. No entanto,
órgãos civis, como o Incra [Instituto
Nacional de Colonização e Reforma
Agrária], Funasa [Fundação
Nacional de Saúde], MEC [Ministério
da Educação], entre outros, estão
ausentes", criticou.
Ele também reconheceu que
militares encontram muitas limitações
para atuar na região por conta do orçamento
apertado e que tem diminuído enquanto, os
efetivos das Forças Armadas na Amazônia
têm aumentado.
Santa Rosa também revelou que as conclusões
e sugestões apresentadas pela Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs,
realizada em 2001 no Senado, até hoje não
saíram do papel.
Uma dessas medidas previa a obrigação
de o Poder Público controlar as ONGs, a partir
de um cadastro público, especialmente daquelas
que recebem recursos públicos. Além
disso, o país teria de modernizar sua legislação
e criar regras para o funcionamento das ONGs, que
passariam por uma autorização expressa
do governo federal.
Dados da Associação
Brasileira de Organizações Não-Governamentais
(Abong), de 2002, mostram que das 276 mil ONGs que
atuam no país, cerca de 29 mil recebiam recursos
governamentais.
Reservas indígenas
Maynard Marques Santa Rosa, também
criticou a "excessiva demarcação
de terras indígenas na Amazônia sem
levar em consideração o Conselho de
Defesa Nacional, o que é irregular".
Segundo ele, algumas áreas equivalem ao tamanho
de duas Bélgicas para uma população
indígena, em alguns casos, de aproximadamente
sete mil índios.
Controle de ONGs que atuam na Amazônia
Em março, o diretor-geral
da Agência Brasileira de Inteligência
(Abin), Márcio Paulo Buzanelli, defendeu
a tipificação do crime de biopirataria
como forma de controlar a ação de
organizações não-governamentais
estrangeiras com atuação irregular
na Amazônia.
Na oportunidade, representantes
da Polícia Federal e do Ministério
da Defesa afirmaram que das 100 mil ONGs que atuam
na Amazônia, apenas 320 estão cadastradas
junto ao governo brasileiro.
Já o coordenador de Operações
Especiais de Fronteiras da Polícia Federal,
delegado Mauro Spósito, defendeu a regulamentação
da atividade de lobista como forma de melhorar o
controle dessas ONGs.
Relatório do Grupo de Trabalho
da Amazônia (GTAM) indica que a atuação
de instituições religiosas e organizações
não-governamentais estrangeiras resulta em
espionagem, apropriação indevida de
recursos naturais e pesquisas clandestinas para
fins de biopirataria.
As conclusões do GTAM foram
entregues à Abin no final de janeiro deste
ano. Para Márcio Paulo Buzanelli, “muitas
ONGs poderiam responder por falsidade ideológica,
evasão de divisas, lavagem de dinheiro e
biopirataria, se este último crime fosse
tipificado".
Buzanelli afirmou que as bases
norte-americanas na região amazônica
foram montadas para combater ações
de narcotraficantes e perderam apoio do governo
dos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de
setembro de 2001, que passou a priorizar o combate
ao terrorismo.
"Não vemos nenhuma
tentativa de cerco estratégico ao Brasil",
afirmou Buzanelli, para quem o relatório
produzido pela Abin relativo à presença
de bases dos Estados Unidos na região amazônica
não é "conclusivo".
Já o relatório elaborado
pelo Grupo de Trabalho da Amazônia (GTAM)
sobre a atuação de instituições
religiosas e organizações não-governamentais
(ONGs) estrangeiras, apresenta suspeitas que as
entidades atuem como fachadas de governos de países
como Estados Unidos, Reino Unido, Holanda e Alemanha.
No caso dos Estados Unidos, o documento
do GTAM explica que as entidades norte-americanas
atuam de forma estratégica para assegurar
presença militar direta na região
andino-amazônica e no Cone Sul, em torno do
Brasil.
Quanto à política
de combate ao narcotráfico, Márcio
Paulo Buzanelli afirmou que a produção
ilegal de coca destinada à fabricação
de cocaína tem aumentado na Bolívia
desde a eleição do presidente Evo
Morales, em dezembro de 2006.
Na sua avaliação,
esse incremento na produção de cocaína
foi provocado pela redução da cooperação
entre Estados Unidos e Bolívia, o que afeta
o Brasil, uma vez que a produção boliviana
é comercializada no país, pois sem
qualidade, não tem espaço nos mercados
dos Estados Unidos e da Europa.
O diretor apontou ainda problemas
na área da Cabeça do Cachorro, no
Amazonas, onde as Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia (Farc) estariam trocando drogas
por armas, que abastecem a guerrilha colombiana. |