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PCC fez festa
de fim de ano com
drogas em Diadema-SP
Agência
Estado
13 Fev 2007
Um DVD obtido com
exclusividade pela TV Bandeirantes mostra uma confraternização
de fim de ano patrocinada pelo Primeiro Comando
da Capital (PCC) na Favela Morro do Samba, em Diadema,
no ABCD paulista. A festa, com direito a churrasco,
também é regada a cocaína,
maconha e cerveja. Promotores de Justiça
do Grupo de Atuação Especial e Repressão
ao Crime Organizado (Gaeco) viram as imagens e ficaram
indignados. A confraternização reuniu
pelo menos 500 pessoas na Travessa Jurupis. Nas
imagens, há jovens formando uma enorme fila
para cheirar cocaína. Grande quantidade da
droga é colocada numa bandeja de alumínio.
Os traficantes,
alguns exibindo pistolas automáticas na cintura,
deixaram na bandeja a marca do crime: espalharam
a cocaína usando as iniciais PCC. Para cheirar
a droga, os viciados improvisaram como canudo notas
de real e de dólar. Alguns utilizaram papel.
As imagens mostram um rapaz com sintomas de overdose.
Ele aparece caído na calçada, com
princípio de convulsão.
A fila para cheirar não
era formada apenas por homens. Uma mulher também
improvisou um canudo para aspirar o pó, na
frente de crianças e adolescentes. Depois
subiu no palco, onde havia shows com bandas de rap
e grupos de pagode. Os organizadores do evento também
providenciaram maconha para os convidados. Os traficantes
não se cansavam de exibir tijolos da droga.
Um cigarro gigante com a erva, do tamanho de um
rojão, foi enrolado. Várias pessoas
fumaram.
Também não faltou
cerveja. Adolescentes dançavam ao som de
rap com garrafas de bebida nas mãos. Em meio
às danças, traficantes voltavam a
servir cocaína na bandeja para as centenas
de convidados. Todos aguardavam na fila a vez para
cheirar. Não houve incidentes.
Uma queima de fogos de pelo
menos 10 minutos marcou a confraternização.
O espetáculo pirotécnico foi visto
por todos. Nas lajes das casas de alvenaria, um
grupo de menores acompanhava todos os lances do
evento. Já no fim da festa, o apresentador
dos grupos musicais usou o microfone para homenagear
os amigos mortos em confrontos com a polícia.
O Morro do Samba é
a mesma favela onde grafiteiros desenharam no muro,
durante uma das ondas de ataques do PCC, um carro
da Rota capotado e PMs feridos. A área foi
ocupada em julho de 2006 por 465 PMs. Segundo a
Polícia Civil, o tráfico no local
é comandado por Edilson Borges Nogueira,
o Biroska, de 33 anos, um dos principais líderes
do PCC, preso na Penitenciária 2 de Presidente
Venceslau, no oeste do Estado.
As imagens de pessoas usando
entorpecentes chocaram os promotores do Gaeco, que
prometem investigar o caso. Segundo o Ministério
Público, Biroska é um dos homens fortes
do PCC. Ele foi condenado a 21 anos e 4 meses por
tráfico e roubo. Ele começou a roubar
carros na adolescência. Dez anos depois passou
a realizar assaltos a banco e seqüestros. Acabou
preso em 2001. Comandaria o tráfico em Diadema,
Grajaú, na zona sul de São Paulo,
e na Baixada Santista.
Secretário da
Segurança diz que gravação
de festa do PCC é de 2005
da Folha Online
14 Fev 2007
O secretário da
Segurança Pública de São
Paulo, Ronaldo Marzagão, disse terça-feira
(13) no Fórum Metropolitano de Segurança
Pública que as imagens da festa do
PCC (Primeiro Comando da Capital) que foram
exibidas segunda-feira (12) pela TV Bandeirantes
foram gravadas em dezembro de 2005.
O filme foi feito na favela Morro do
Samba, em Diadema (Grande São Paulo).
Nele, há uma grande distribuição
gratuita de cocaína e maconha. Em plena
rua, homens e mulheres fazem fila para consumir
a droga em uma bandeja de metal na qual a
sigla do PCC é desenhada com carreiras
de cocaína. Os canudos são feitos
com cédulas de real e dólar.
Uma produtora chegou a ser contratada
para filmar a festa, que tinha comida, cerveja,
show de pagode e fogos de artifício.
Cerca de 500 pessoas participaram do evento.
Nas imagens, os usuários de droga fazem
algazarra, posam para a câmera. Um jovem
ao microfone anuncia que tudo está
sendo patrocinado pela "firma" --gíria
para quadrilha.
Na gravação também
aparecem adolescentes dançando com
garrafas de cerveja nas mãos e um rapaz
com uma pistola na cintura.
De acordo com o secretário,
desde aquela ocasião, "dezenas
de prisões ocorreram" e desarticularam
a organização criminosa naquela
cidade.
Reação
Operações da PM (Polícia
Militar) e da Polícia Civil "colocaram
fim" às lideranças criminosas
do morro do Samba, de acordo com a Secretaria
da Segurança Pública.
Como provas da desarticulação
da quadrilha em Diadema, o secretário
citou as prisões do suposto líder
do tráfico de drogas na cidade, Edilson
Borges Nogueira, o Biroska, que está
atualmente preso na Penitenciária 2
de Presidente Venceslau (620 km de SP); e
de Emivaldo Silva Santos, o BH, outro líder
da facção no ABC.
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