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TERRORISMO CRIMINAL©
André
Luís Woloszyn
Analista de Inteligência Estratégicas
e Especialista em Terrorismo
pelo Colégio Interamericano de Defesa/EUA.
andre.woloszyn@terra.com.br
Segmentos da sociedade
brasileira assombrados com o grau de violência
praticado por integrantes de organizações
criminosas, procuram nas causas e conseqüências
deste conflito uma definição para
o atual cenário da violência e da criminalidade
no país.
Destes raciocínios surgem termos como "guerra
civil" e "guerrilha urbana", o que
contribui para causar uma sensação
maior de insegurança na população
comparativamente com o pânico que os norte-americanos
possuem do "terrorismo".
Para que se desenvolva um quadro de guerra civil,
há que existir um estado de beligerância,
pois esta modalidade é caracterizada pela
luta armada entre forças ou grupos nacionais
do mesmo País com o objetivo de estabelecer
um novo governo ou ainda, restabelecer o anterior.
Já a guerrilha urbana, que também
se desenvolve no meio rural, se caracteriza por
ser uma luta armada de combatentes irregulares contra
forças regulares, com ações
bélicas assistemáticas, em alguns
casos, apoiada por países estrangeiros, no
intuito de enfraquecer a autoridade constituída.
Pode-se defini-la como uma rebelião da população
contra uma ordem estabelecida.
Os fatores comuns entre estas duas modalidades de
luta armada são o objetivo político
da tomada do poder central e o envolvimento total
do país no conflito, o que não é
o caso do Brasil.
Com relação ao terrorismo, embora
ainda não se tenha um conceito definitivo,
é caracterizado por ser uma violência
criminosa com o propósito de intimidar e
coagir a população civil, influir
em políticas de governo através de
intimidações e coerções,
afetando a tomada de decisões governamentais
por meio de assassinatos, seqüestros, sabotagens,
emboscadas e ataques de surpresa. .
Estes tipos penais estão previstos na Lei
nº 8.072/90 que trata dos Crimes Hediondos.
Em muitas situações e em diversos
países, é comum organizações
criminosas adotarem métodos e técnicas
terroristas para objetivos distintos e pontuais
que atingem segmentos direcionados da sociedade.
É o caso de grupos como o Primeiro Comando
da Capital-PCC, Comando Vermelho-CV e outras facções
de criminosos que têm protagonizado um cenário
visual de verdadeira guerra. O que as diferencia
de um grupo terrorista são os objetivos que
não são políticos "latu
sensu", nem religiosos e tampouco ideológicos.
Venho defendendo a tese de que estes métodos
e técnicas aplicadas por organizações
criminosas tanto no Estado de São Paulo como
no do Rio de Janeiro, mais recentemente, são
práticas terroristas pois se revestem de
todas as quatro características básicas
aceitas internacionalmente pelos Organismos Internacionais
( ONU-OEA- Comunidade Européia) que são
a natureza indiscriminada, a impresivibilidade e
arbitrariedade, a gravidade e o caráter amoral
e de anomalia. Outra semelhança entre o "modus
operandi" aplicado é o que se conhece
por categoria das ações, que podem
ser seletivas ou indiscriminadas. A simultaneidade
nas ações também é um
método, pois confunde as autoridades policiais
e causa pânico na população.
Portanto, estamos tratando com um novo fenômeno
criminal no País que vamos denominar de terrorismo
criminal. E podemos também, defini-lo com
base no cenário atual de insegurança
do país como sendo ações violentas
e indiscriminadas realizadas assistematicamente
contra a população, praticadas por
organizações criminosas no sentido
de causar pânico e intimidação,
de forma descontínua na busca de interesses
restritos.
O maior problema é a nacionalização
destas práticas para outros estados como
de fato vem ocorrendo e que de certa forma, era
previsível. Terrorismo criminal não
se combate apenas com efetivos policiais mas com
uma política criminal específica.
Caso contrário, as chocantes as imagens dos
incêndios em transporte coletivos, marcas
de projetis nas paredes de residências e prédios
públicos e pessoas estiradas no chão
irão se repetir para gáudio destas
organizações criminosas e desespero
da população.
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