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Brasil negocia
compra de helicópteros da Rússia
Denize Bacoccina
De Brasília
O ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, confirmou que o governo
brasileiro está negociando com a Rússia
a compra de um lote de helicópteros militares
para as Forças Armadas, para atuação
principalmente na região amazônica.
Ele não quis revelar a quantidade, o prazo
de entrega ou o valor do contrato. "As negociações
estão acontecendo. Tem uma trade da área
militar cuidando disso", afirmou o ministro.
Amorim disse que o fornecimento
deve ser feito em três etapas: na primeira,
os helicópteros viriam prontos da Rússia.
Na segunda, seriam montados no Brasil, e na terceira,
os helicópteros teriam alguns componentes
brasileiros.
A possível compra dos
helicópteros está bem avançada,
mas nós queremos que ela caminhe para algum
tipo de investimento no Brasil e também queremos
investir na Rússia, em uma joint-venture
na área de aviões¿, afirmou
Amorim. A idéia é que a Embraer participe
da produção de aviões na Rússia.
O anúncio foi feito
durante a visita do ministro dos Negócios
Estrangeiros da Federação da Rússia,
Serguei Lavrov, que junto com Amorim deu uma entrevista
coletiva no Itamaraty.
Armamentos
Respondendo a uma pergunta sobre se o país
não estaria incentivando uma corrida armamentista
na América Latina, já que a Rússia
também vendeu helicópteros militares
para a Venezuela, Lavrov disse que não.
"Nunca vendemos armamentos
a qualquer país em violação
às regras internacionais. Nossos parceiros
não violam nenhuma convenção
quando compram armamento da Rússia",
afirmou.
Os dois países assinaram
vários acordos na área militar, entre
eles um para fornecimento de tecnologia de combustível
líquido para o Veículo Lançador
de Satélite (VLS) que está sendo desenvolvido
pelo governo brasileiro.
Brasil e Rússia também
assinaram acordos de cooperação na
área de biocombustíveis e finalizaram
o processo para a entrada em vigor do acordo de
extradição.
Carne
A intenção é ampliar a balança
comercial entre os dois países dos atuais
US$ 4 bilhões para US$ 10 bilhões
nos próximos quatro anos.
O governo brasileiro também
quer maior equilíbrio na relação
comercial entre os dois países, hoje com
superávit de US$ 2 bilhões para o
Brasil, com o aumento das importações
russas.
Mas o chanceler russo não
anunciou, durante a visita, o fim do embargo à
importação de carne brasileira.
No início da semana
o governo autorizou a importação da
carne industrializada, mas a carne in natura, que
representava o grosso das exportações
brasileiras, continua proibida.
Nesta sexta-feira, durante
a reunião de ministros do Mercosul, o ministro
russo assina um memorando de entendimento para a
criação de um mecanismo de diálogo
político e cooperação entre
Mercosul e Rússia.
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