02 Março 2007
09:30 Horas
Notícias
Arquivo Notícias
Boletíns
Editoriais
Revista Virtual
SOF História
Artigos
Documentos
Links
Fotos
Vídeos
Eventos
Busca Arquivo
  Defesa@Net
A Empresa
Equipe
 

DEFESA
Defesanet 02 Março 2007
MB 01 Março 2007
Marinha do Brasil

Mudança na Caserna

MARINHA DO BRASIL

Ordem do dia
Alte. Esq. Moura Neto

Para a Ordem do Dia do
Alte Esq Carvalho Guimarães


Em 1º de março de 2007.

ORDEM DO DIA Nº2/2007

Assunto: Assunção do Cargo de Comandante da Marinha

Hoje, é um dia de festa para a Marinha do Brasil! Hoje, realiza-se a passagem do cargo de seu Comandante. A nossa Força, unida e coesa, prepara-se para levar até o patim superior da escada de portaló aquele que, durante os últimos quatro anos, a chefiou; do mesmo modo, receberá o seu substituto e o conduzirá ao Passadiço, dele aguardando as ordens e prioridades. É uma ocasião de muito simbolismo!

Ao meu lado, encontra-se o Almirante-de-Esquadra ROBERTO DE GUIMARÃES CARVALHO, que transmitiu-me o cargo, e a quem cabe um agradecimento peculiar por todo o trabalho desenvolvido. Os tempos têm sido difíceis, mas V. Exa. soube conduzir o nosso barco, ajustando o rumo e a velocidade conforme necessário, porém sempre avançando nas conquistas e asseverando que, em todas as ocasiões, fosse dado um passo à frente.

Neste momento solene, confesso que sou absorvido por um turbilhão de sentimentos que me fazem retornar ao passado e muito me emocionam. Passam, pela minha mente, reminiscências de Praças d’ Armas, recordações de Chefes e de amigos e boas passagens vividas nesse quase meio século de serviço. A certeza maior é que foi muito bom ter podido, durante todo esse tempo, envergar o uniforme branco. Daí, o enorme orgulho, não só de assumir a titularidade da nossa Instituição, como também de poder continuar a servi-la e ao nosso querido Brasil.

Independentemente da satisfação profissional que a ocasião me proporciona, não posso negar que me deparo com alguns desafios.

O Brasil é um país marítimo, tendo importantes implicações em termos de comércio exterior, pois mais de 95% de nossas importações e exportações são feitas por mar, representando, em 2006, cerca de 228 bilhões de dólares. Além disso, há a existência de petróleo (mais de 85% da produção nacional), de gás, de nódulos polimetálicos e de recursos vivos, o que transforma a imensidão da nossa “Amazônia Azul”, com cerca de 4,5 milhões de Km², além de essencial via de comunicação, em um patrimônio de valor inestimável, cuja soberania e jurisdição cumpre à Marinha assegurar.

Pela Constituição Federal, competem às Forças Armadas a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de quaisquer destes, da lei e da ordem.

Através de Lei Complementar, a MB recebeu algumas atribuições subsidiárias, dentre as quais despontam, por sua magnitude, a segurança da navegação, a salvaguarda da vida humana e, de suma relevância, a implementação e a fiscalização do cumprimento de leis e regulamentos no mar e em águas interiores, através da qual se pretende coibir as infrações e enfrentar as chamadas “novas ameaças”: os crimes transnacionais (contrabando, tráfico de drogas e de armas), o terrorismo, os crimes ambientais e a pesca irregular.

Como se vê, as responsabilidades são imensas.

O Brasil requer uma Marinha, corretamente dimensionada e equipada, e apta a cumprir efetivamente o seu dever, como e quando for demandado pela vontade nacional. Para tal, é necessário alocar os recursos e meios indispensáveis para que possa atuar na vigilância e na proteção de nossos vastos interesses e soberania.

Infelizmente, não é o que vem ocorrendo.

Em que pese a gradual recuperação do patamar desde 2004, verifica-se que, pelo menos nos últimos 10 anos, o nosso orçamento tem ficado aquém do que é preciso, impossibilitando a disponibilização de valores suficientes ao funcionamento, preparo e aparelhamento, acarretando a perda da nossa capacidade operacional. Em médio prazo, caso seja mantida essa tendência, a situação do aprestamento do Poder Naval tornar-se-á crítica, provocando o esgotamento da vida útil de numerosos meios, com a sua conseqüente baixa.

Como agravante, dentro desse quadro restritivo, a maior parte dos recursos provenientes da geração dos “royalties” do petróleo não vem sendo repassada à MB, como determina a lei de sua criação, o que limita o cumprimento de suas tarefas.

Para reverter essa insustentável situação, é imprescindível a implementação do Programa de Reaparelhamento da Marinha, cuja proposta, encaminhada ao Governo, deu origem a uma resolução do Presidente da República de criar um Grupo de Trabalho Interministerial para estudar as necessidades das três Forças, que foi coordenado pela Casa Civil e já produziu um relatório conclusivo, o que, aliado a diversas manifestações do Presidente, respalda a expectativa que venha a ser aprovado.

Em paralelo, estamos buscando obter autorização de financiamento externo, que viabilizará a construção de um submarino e a modernização de outros cinco, a serem realizadas no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

Merece menção o Programa Nuclear da Marinha, iniciado em 1979 e que apresenta considerável progresso, mesmo restrito aos recursos da própria Força, com o desenvolvimento de dois projetos: o do ciclo do combustível, empregando ultracentrífugas projetadas no Brasil, o que já se conseguiu; e o desenvolvimento e a prontificação, com tecnologia própria, de uma planta nuclear de geração de energia elétrica, incluindo o reator nuclear, o que ainda não está pronto. Para a conclusão do Programa, são indispensáveis verbas orçamentárias adicionais. Uma vez finalizadas, com êxito, essas etapas, estarão criadas as condições para que, havendo uma decisão de Governo, possamos iniciar a elaboração do projeto e a posterior construção de um submarino com propulsão nuclear.

Há que se enfatizar a dualidade do nosso Programa Nuclear pois, inserido no âmbito da defesa, contribui para o progresso nacional, pela sua capacidade de gerar energia e de desenvolver novos materiais. A partir do esforço da MB, podemos observar, atualmente, o enriquecimento de urânio que, gradualmente, permitirá a produção do combustível das Usinas de Angra dos Reis.

Para executar suas gigantescas tarefas, a Marinha conta com seus homens e mulheres, militares e civis, que são o seu maior patrimônio. Esse pessoal, em quem a Instituição deposita confiança, permanece disciplinado, dedicado, profissional e consciente das dificuldades econômicas do País, que trazem inevitáveis reflexos nas nossas dotações orçamentárias; todavia, está extremamente preocupado com a acentuada degradação dos meios operativos, mantendo a esperança que dias melhores virão.

Aqui, cabe a pergunta: qual o rumo a seguir?

Em resposta, dirijo-me a todos que servem à Marinha para dizer-lhes o que penso ser necessário fazer para continuarmos a dignificar a Instituição à qual tanto nos orgulhamos de pertencer.

A Marinha deverá possuir meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais em quantidade compatível com a inserção político-estratégica do País no cenário internacional, compondo uma força permanentemente pronta para, em sintonia com os anseios da sociedade brasileira, atuar em nossas águas jurisdicionais, de modo a dar cumprimento às suas tarefas constitucionais e às suas atribuições subsidiárias. O Plano Estratégico da Marinha, em fase de aprovação, traz o adequado dimensionamento, sendo que os recursos financeiros para sua implementação dependerão, prioritariamente, da aprovação do Programa de Reaparelhamento da Marinha, o que será a nossa meta principal.

Quanto ao Orçamento, serão canalizados os maiores esforços para recuperar significativamente o seu patamar, de tal forma que atenda às nossas demandas, sendo incentivada a procura por fontes alternativas que possam ampliar as dotações alocadas e auxiliar no atendimento das necessidades.

O Plano de Aplicação de Recursos, composto por um conjunto de metas prementes e imprescindíveis, receberá a mais alta prioridade e será executado de maneira plurianual e com recursos próprios.

Quanto ao Programa Nuclear da Marinha, tudo deverá ser direcionado para alavancar as verbas necessárias para a sua conclusão no menor tempo possível.

O preparo do nosso pessoal é primordial para o desempenho da Instituição; para isso, são fundamentais uma acurada seleção, um permanente cuidado com as carreiras e uma correta instrução que garanta o apropriado desempenho nas funções. Com relação aos servidores civis, destaco a necessária reposição da força de trabalho e o enquadramento de uma parcela deles em plano de cargos.

A busca por mecanismos que contribuam para o aumento do nível de satisfação profissional do pessoal merecerá esforço continuado, demonstrando ao público interno a prioridade com o homem e o seu bem-estar; aprimorando a qualidade e a eficiência do nosso Sistema de Saúde; e ampliando os Programas de Assistência Integrada.

Pretendo prosseguir com os contatos e entendimentos junto ao Ministério da Defesa, com vista à recuperação das perdas acumuladas do poder aquisitivo dos militares e servidores civis.

Sob o enfoque operacional, deveremos estar mais próximos dos anseios da sociedade, os quais se correlacionam mais diretamente com as nossas atribuições subsidiárias, com ênfase naquelas da Autoridade Marítima, em águas litorâneas, bem como nas “novas ameaças”. Por outro lado, sob nenhuma hipótese, poderemos descuidar do preparo e aplicação do Poder Naval, que é a principal tarefa e razão de ser de nossa Instituição.

Considero fundamental dar uma maior visibilidade às atividades da Força, junto à opinião pública, intensificando e dinamizando a comunicação social relativa à nossa atuação. Será vital o convencimento dos brasileiros quanto à importância da “Amazônia Azul”, tanto para o crescimento da nossa economia, como em relação à manutenção da soberania nacional.

Temos grandes desafios pela frente, mas isso não deve nos abater. Pelo contrário, a necessidade de superar os óbices deverá ser assumida por todos, que procurarão desenvolver suas criatividade e capacidade de inovação, utilizar os recursos disponíveis com critério e eficiência, além de estabelecer as corretas prioridades. Há que preservar os programas e projetos em andamento, notadamente aqueles que garantam o adequado nível de aprestamento do Poder Naval. É o que nos cabe fazer!

Entendo que a interoperabilidade entre as Forças Armadas é de significativa importância para a Nação. Assim, estreitarei, ainda mais, os laços fraternos que nos unem, aprofundando o excelente relacionamento que já existe com o Exército e a Aeronáutica.

Aos que integram a Marinha do Brasil, manifesto a convicção de que contarei com a colaboração, a aptidão e a ativa participação dos homens e mulheres, militares e civis, Almirantes, Oficiais, Servidores Civis, Marinheiros e Fuzileiros Navais, o que ameniza as minhas preocupações, permitindo-me antever que, juntos, realizaremos um trabalho como o das gerações que nos antecederam, que sempre souberam vencer as dificuldades de seu tempo, legando-nos a Marinha de que tanto nos orgulhamos. A capacidade de alcançar a Força que desejamos será tão maior quanto assim o forem a união, a determinação e a sintonia de todos os setores. Essa deve ser a tônica a nos reger, na qual o trabalho individual merece todo o respeito pelo o que acrescenta ao resultado final!

Externo ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Republica, LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, o meu reconhecimento pela inequívoca confiança ao nomear-me para o cargo de Comandante da Marinha.

Destaco e agradeço, de forma especial, a presença do Ministro da Defesa, Dr. WALDIR PIRES, que em muito honra a mim e à Marinha, a quem renovo o meu compromisso de total cooperação.

Aos Comandantes do Exército, General-de-Exército FRANCISCO ROBERTO DE ALBUQUERQUE, e da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar JUNITI SAITO e ao Comandante do Exército nomeado, General-de-Exército ENZO MARTINS PERI, sou agradecido pelo comparecimento.

Aos Ex-Ministros da Marinha, cuja atuação, em suas respectivas épocas, permitiu que se evoluísse constantemente, apesar de todos os obstáculos enfrentados; aos antigos Chefes, alguns que se encontram nesta cerimônia e outros cujas lembranças são permanentes, a quem devo bastante pelo exemplo que deixaram, pelos ensinamentos e orientações; aos membros do Almirantado; aos Ministros do Superior Tribunal Militar; aos Almirantes, Generais e Brigadeiros; às Autoridades presentes ou representadas; aos Soamarinos; aos colegas da Turma Mendes; aos amigos, sempre importantes; aos Oficiais e demais convidados; a todos, demonstro a minha satisfação por aqui estarem.

À minha família, particularmente minha mãe e meus três filhos, dos quais muito me orgulho, sólido esteio na longa jornada, desejo afirmar que os seus incentivo, apoio, amor e dedicação foram fundamentais para que o dia de hoje pudesse acontecer. Uma palavra de carinho a meu pai e meu irmão, Aspirante Moura, já falecidos e que, se aqui estivessem, sentir-se-iam muito orgulhosos. À minha esposa Sheila, grande companheira, confidente e amiga, gostaria de dizer que nunca, em todos os quase 39 anos de vida em comum, eu necessitei tanto de tê-la ao meu lado. Ao alcançar o mais alto posto da nossa Força, desejo fazer uma menção especial a meu tio-avô, Dr. RAUL SOARES DE MOURA, que foi Ministro da Marinha de 1919 a 1920. Todos nós sempre o consideramos um exemplo de correção, probidade e competência.

A Deus, rogo que permaneça sempre ao meu lado, como tem ocorrido até agora, apontando os melhores caminhos e orientando as decisões, no sentido de bem desempenhar as minhas tarefas.

Antes de encerrar essas já bastante longas palavras, gostaria de, em meu nome e da Marinha do Brasil, “saudar o bom companheiro e o belo amigo que temos”, o Almirante-de-Esquadra GUIMARÃES CARVALHO, desejando muitas alegrias na nova etapa de vida que se inicia, as quais estendo à sua esposa D. Ângela, a quem V. Exa. já se referiu anteriormente como “porto seguro com águas bem abrigadas” e a todos os seus; estou convicto de que a participação de D. Ângela foi muito importante na condução de sua missão. Bons ventos e “boas águas”. Seja muito feliz!...e, como meu primeiro ato como Comandante da Marinha, ensejado pelos reconhecimento, respeito e admiração, cabe-me a honra e a satisfação de conceder a V. Exa. a Medalha Naval de Serviços Distintos, cuja imposição será efetuada a seguir, e que é uma justa e merecida homenagem.

Tenho confiança no futuro da Marinha e do meu País. Estou certo de que seremos capazes de vencer os mares bravios e de continuar a obra de nossos ilustres antecessores, servindo ao Brasil e aos brasileiros.

Viva a Marinha!

Viva o Brasil!

JULIO SOARES DE MOURA NETO
Almirante-de-Esquadra
Comandante da Marinha

 

   
   
   
   
   
   
 
  CURRICULUM VITAE

Almirante-de-Esquadra
JULIO SOARES DE MOURA NETO
   
 
  Saudação do Almirantado
 
 
  Ministro Defesa recepecionado pelos Almirantes Moura Neto
e Guimarães Carvalho
   
 
  Almirante Moura Neto
e a imprensa
   
 
   
© 2006 Defesa@Net™- Direitos Reservados