27 Julho 2007
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DEFESA
Defesanet 27 Julho 2007
MD 26 Julho 2007
Ministério da Defesa

Mudança na Caserna
Discurso de posse do ministro da Defesa,
Nelson Jobim
Ministéio da Defesa, 26 de julho de 2007

Defesa @ Net
Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Palácio Planalto - 25 Julho 2007
Discurso Ministro Defesa Nelson Jobim - Ministério Defesa - 26 Julho 2007
Discurso Sr Waldir Pires - Ministério Defesa - 26 Julho 2006

Meu querido amigo irmão Waldir Pires,
Excelentíssimo Senhor Comandante interino da Marinha do Brasil, Almirante-de-Esquadra Julio Saboya de Araújo Jorge,
Excelentíssimo Senhor Comandante do Exército, General-de-Exército Enzo Martins Peri,
Excelentíssimo Senhor Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito,
Excelentíssimos Senhores ministros do Supremo Tribunal de Justiça, eminente ministro Carlos Alberto Direito,
Excelentíssimos senhores oficiais secretários deste Ministério,
minhas Senhoras, meus Senhores,
Adriene, Júlio.

Não é um momento, nesta situação, de grandes comemorações. Nós estamos vivendo o impacto e o lamento dos recentes acontecimentos. Me refiro, explicitamente, ao acidente ocorrido no aeroporto de Congonhas. Peço, portanto, antes de prosseguir, que em homenagem a estes personagens, façamos um minuto de silêncio.

Seja, meus amigos, esse minuto de silêncio com um duplo significado. Seja, por um lado, a nossa solidariedade às famílias dos vitimados. Seja, por outro lado, também o nosso lamento com os sobreviventes. Mas seja, também por outro lado, a alerta de que a questão posta é estrutural, que precisa exatamente da união de todos. Nós precisamos identificar responsabilidades do passado. Nós precisamos criar, em cima das identificações das responsabilidades do passado, soluções para o futuro. Efetivamente, há aqueles que se satisfazem da retaliação exclusiva com o passado, e há outros que querem ajuste de contas com o futuro. Senhores Oficiais-Generais, senhores Comandantes das Forças, é exatamente este o nosso tema. É exatamente esta a nossa destinação. Perdoe-me que vá a historia.

Lembro algo que me parece absolutamente relevante, e que hoje começa o Brasil a repensar a si mesmo. Observem que a América Portuguesa permaneceu unida, numa nação, o Brasil Continental. E a América Espanhola dividiu-se em “Ns” soberanias. Por quê? Porque tivemos um personagem que começa hoje a reconquistar, reconsiderado e reexaminado. Dom Pedro II. Que soube exatamente nos atritos e conflitos políticos do império, compreender a relação que teria que se estabelecer entre as instituições políticas do império e a própria destinação do país. Refiro-me, senhor general Enzo, ao conflito político que se estabeleceu em 1868, entre o gabinete Liberal de Zacarias Goes de Vasconcelos com Barão de Caxias, considerando os conflitos da Guerra do Paraguai. Dom Pedro soube superar o conflito, soube integrar este processo a substituição de Zacarias, e soube claramente dar respostas ao extraordinário discurso de José Bonifácio, na composição do famoso período do Gabinete do Visconde de Itaboraí. Era o Saquaremas, Waldir. Estavam atrás de nós toda a revolução Pernambucana e o Brasil soube chegar ao 15 de Novembro. 15 de novembro este que começou a nascer em 1870 com a fundação do Partido Republicano e, que, pelas intrigas introduzidas pelo partido republicano riograndense, de Júlio de Castilhos, trouxe aliança com os jovens oficiais republicanos, liderados por Benjamim Constant Botelho de Magalhães.

Senhores, não há comparar aquele momento do final de império com o momento posterior da república. Mas há que se compreender de que esta integração do Brasil deve-se à genialidade, então. Lembra-se senhores oficiais, na minha Santa Maria da Boca do Monte, não eram os Comandos Militares, nunca foram de gaúchos, sempre foram de oficiais vindos do Norte e do Centro do País, em especial do Rio de Janeiro. Dom Pedro nunca permitiu, na formação da nação brasileira, que oficiais militares, da própria terra, comandassem as Forças da própria terra. Porque evitava, e assim evitou-se, meu caro Waldir, as alianças possíveis das elites políticas regionais com os comandos militares. E se passou no império da Bahia, sabe a que me refiro. Eu creio que hoje, por circunstâncias conhecidas, aceitei vir ao Ministério da Defesa. Mas aceitei para vir ao Ministério da Defesa, nas linhas determinadas pelo Presidente Lula, ou seja, vamos exatamente, na linha do espírito imperial e republicano, que as Forças Armadas tiveram a inteligência de compor, principalmente, a Primeira República. Vamos construir esta integração destas instituições efetivamente ao Estado Brasileiro. Porque, ao fim e ao cabo, nós podemos mandar porque temos que obedecer. E o nosso comandante é o povo brasileiro. Ou seja, a legitimidade do mando, e da ordem, e do comando vem exatamente de uma legitimidade que se radica na cidadania. E que se estrutura exatamente a partir de uma visão de futuro. E a compreensão nítida de que nossas ações são julgadas, não pelas nossas intenções, mas pelos nossos resultados. A história não registra e não grava boas intenções. A história registra o que fazemos e o que deixamos de fazer. Ela não aceita explicações.

Aliás, Ulisses, lembra-te Waldir: Doutor Ulisses referia-se, claramente, quer na atividade política, quer na gestão administrativa, há uma regra, do primeiro ministro inglês Disraeli. “Never complain, never explain, never apologise”. Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe. Aja ou saia. Faça ou vá embora. Exatamente por isto, que este extraordinário corpo de oficiais militares das Forças Armadas, herdeiros de uma tradição que remonta a antes da independência, tiveram, exatamente, dos corpos iniciais, da presença de Dom João VI. Veja-se o tribunal dos senhores, o Tribunal Superior Militar, o mais antigo tribunal brasileiro. Senhores, a nossa geração é responsável para manter essa história, manter esse futuro. Tenham a mim, senhores oficiais, como aliado absolutamente transparente, aliado que precisa ouvir não, e também sabe dizer não. E não é possível que tenhamos, nas assessorias, pessoas que saibam a mesma coisa que nós, porque são inúteis. Precisam saber mais do que nós. Assessor que não conhece temas mais que o assessorado não serve para assessoria.

Serve, isto sim, para bajulação. Serve, isto sim, para proselitismo. E por isso, meus caros amigos, meus caros Comandantes, senhores secretários, oficiais generais, integro, e passo a integrar esse ministério, com este objetivo. Da linguagem tranqüila, que vamos enfrentar esses problemas que estamos vivendo e enfrentá-los na perspectiva de uma grande união nacional, para mostrar, exatamente, ao País, ao povo brasileiro, que é o nosso comandante, e ao mundo, que o Brasil veio para ficar, e veio para ter voz. Venho exatamente para definir prioridades e saber que é uma grande Nação. Meus amigos, resta agora lembrar as nossas necessidades. E essas necessidades serão definidas em uma grande mesa, que iremos sentar.

Uma grande mesa de integração, de união, de definições e, fundamentalmente, de resultados. Não podemos, não temos tempo, para ouvir explicações. Precisamos consumir o tempo do lamento para a construção de soluções. Lembrem-se, e repito, o tempo não perdoa o que a gente faz sem ele. É a única coisa que não recuperamos. E o nosso tempo é o tempo da nossa história. Lembrem-se que não se confunde esse tempo da nação brasileira, o tempo histórico da Nação, com o tempo da nossa geração. Nós servimos em um tempo histórico muito mais amplo. E o nosso tempo histórico é um tempo curto, circunstancial, eventual, mas, fundamentalmente, de compromissos com isto. Ou seja, com o tempo histórico da Nação.

Agradeço a presença dos meus amigos. Faço uma referência especialíssima ao Osmar Terra, da grande Santa Maria, que é Santa Rosa. Me refiro na imprensa a um personagem só. Todos compreendam o porquê. Era um velho distribuidor de jornal de esquerda, o Ilimar Franco, que fazia aquilo que agora não faz mais, porque agora ele faz parte da elite. E essa elite não distribui mais jornais nas esquinas. Quero dizer a todos que espero a compreensão, a colaboração e, fundamentalmente, a ação. A ação que só se legitima pelos seus resultados.

Almirante: a memória nacional fica pelos resultados, e não por aquilo que possamos fazer. E lembrem-se, que nós temos que abandonar por completo aquilo que tínhamos na infância, na juventude. Nós nunca éramos culpados de nada. Sempre alguém era culpado. Eu não falo inglês porque meu professor de inglês era péssimo. Tenho dificuldades em matemática, porque a matemática me era dada por um padre marista terrivelmente imbecil. Ah, tenho dificuldades de fazer qualquer coisa porque a minha mãe, a minha namorada, a minha amante, não deixava. Lembrem-se que nós sempre encontramos alguém que seja culpado, menos nós. Queremos ser o herói do nosso tempo. Não somos heróis do nosso tempo. Nós somos servidores da Nação. Vamos ao trabalho meus caros amigos.

Muito obrigado.

Nelson Jobim

 

Defesa@Net

Militares mantêm restrições a ministério
http://www.defesanet.com.br/zz/md_cmd_23.htm


Militares Felizes - Correio Braziliense - 26 Julho 2007
http://www.defesanet.com.br/zz/md_cmd_22.htm

Nelson Jobim assume Ministério da Defesa - Palácio Planalto http://www.defesanet.com.br/zz/md_cmd_21.htm

Após 3ª tentativa, Jobim cede a Lula e vai assumir a Defesa
http://www.defesanet.com.br/zz/md_cmd_19.htm

Bernardo é alternativa para Ministério da Defesa

http://www.defesanet.com.br/zz/md_cmd_17.htm

Lula nomeia novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica
http://www.defesanet.com.br/zz/md_cmd_6.htm

Discurso do presidente da República, na cerimônia de apresentação dos novos
Oficiais-Generais
http://www.defesanet.com.br/zz/md_cmd_14.htm

   
   
   
  Novos Comandantes
   
 
  Gen Ex Enzo Martins
Peri
 
  Almirante-de-Esquadra
JULIO SOARES DE
MOURA NETO
   
 
  Tenente-brigadeiro-do-Ar
Juniti Saito
   
 
  Palácio Planalto
03 Abril 2007
   
  Marcelo Crivella, da Igreja Universal,
cotado para assumir o MD
   
  Governo comprimiu
gasto com militares
e expandiu o de civis
   
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