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País
corre risco de perder liderança militar na
região
Orçamento
da Defesa pode subir para R$ 10 bi
Daniel
Rittner
Se não aumentar
rapidamente seus investimentos no reaparelhamento
das Forças Armadas, o Brasil perderá
a liderança sul-americana na área
militar em um prazo de dez anos. Esse prazo seria
suficiente para permitir que a Venezuela, o Chile
e até mesmo a Colômbia consigam reunir
arsenais de armamentos, frotas de caças,
navios e submarinos mais poderosos e modernos que
o Brasil.
A advertência é
do professor Expedito Bastos, pesquisador de assuntos
militares da Universidade Federal de Juiz de Fora,
que vê uma estreita relação
entre perda de poder militar e diminuição
da influência política brasileira sobre
seus vizinhos da América do Sul. Bastos nota
que, entre os países que se candidatam a
um assento permanente no Conselho de Segurança
das Nações Unidas, o Brasil tem a
menor liderança militar para a região
que pretende representar. Alemanha, Japão,
Índia e África do Sul também
pleiteiam vaga de membro permanente em uma futura
reforma do conselho da ONU.
No ano passado, a Venezuela
de Hugo Chávez encomendou
24 Sukhoi-30 (uma versão anterior
aos SU-35 oferecidos ao Brasil no Projeto F-X) à
Rússia. Eles vão substituir antigos
caças F-16 americanos. Os primeiros aviões
já chegaram ao país vizinho. Outros
12 a 16 aviões F-5 serão modernizados
pelo Irã, outro parceiro preferencial de
Chávez, que também comprou helicópteros
russos e pode investir cerca de US$ 3 bilhões
para transformar a Marinha venezuelana na mais poderosa
da América do Sul.
Motivo de preocupação
assumida da Casa Branca, a aquisição
de 100 mil fuzis Kalashnikov também assusta
o Brasil, alega Bastos. "O que preocupa é
o fato de que a Venezuela está instalando
uma fábrica para produzir os fuzis, que poderão
cair nas mãos de guerrilheiros, do crime
organizado e até de movimentos sociais radicais,
com o potencial de danos sérios ao Brasil",
acredita.
Embora o Brasil não
tenha se envolvido em conflitos bélicos desde
a Guerra do Paraguai (1864-1870), o pesquisador
argumenta que o risco de confronto direto com outros
países não é a única
razão para investir na área militar.
Ele lembra que nações vizinhas mantêm
disputas territoriais, como aquela entre Venezuela
e Guiana, que esquentou nos últimos meses.
Para Bastos, modernizar as Forças Armadas
é estratégico para evitar problemas
como a transferência de guerrilheiros de países
vizinhos para a Amazônia brasileira. "Se
quisermos preservar a nossa segurança no
futuro, resguardar as nossas fronteiras e ter capacidade
de influenciar a região, temos que investir
nas Forças", observa.
Para o almirante Mário
César Flores, ex-ministro da Marinha no governo
Collor, um dos desafios para tirar do papel o reaparelhamento
militar é convencer a opinião pública
sobre a importância desses investimentos.
Ele avalia que os assuntos
relativos às Forças Armadas são
tratados apenas de forma eleitoral e têm ficado
restritos às mobilizações para
reajustes salariais. Flores sugere que a sociedade
não caia na tentação de pensar
que o Brasil não precisa investir no setor
devido à sua tradição de pacifismo
na arena internacional. "É como desativar
o Corpo de Bombeiros na certeza de que não
vai haver incêndio", compara.
O almirante teme os recentes
"rompantes armamentistas" da Venezuela
e adverte que, para manter a paz, o Brasil não
pode simplesmente confiar nos outros países.
Flores se diz ausente das discussões sobre
novos armamentos e tecnologias, mas ressalta um
ponto da Marinha. "O que cria angústia
é o pouco ou quase nenhum avanço da
propulsão naval nuclear", afirma o ex-ministro,
referindo-se ao antigo desejo de um submarino atômico.
Além da Venezuela,
o Chile está recebendo caças americanos
F-16C/D
Falcon,
fragatas inglesas, submarinos
franceses e tanques
de batalha alemães. Quem entrou em
cena agora foi a Colômbia, que anunciou compras
de US$ 3,6 bilhões, no fim do mês passado.
Serão aquisições de aeronaves
militares e equipamentos técnicos, além
do aumento de 38 mil homens nas Forças Armadas.
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