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O Novo Desafio
da Aviação Naval Brasileira II
O Primeiro Esquadrão de Helicópteros
Anti-Submarino HS-1
Hélio
Higuchi
Paulo
Roberto Bastos Jr.
Alfredo
Andre Tassara
Em 26 de janeiro
de 1965, através do decreto nº 55.627
foi criado o Primeiro Esquadrão de Helicópteros
Anti-Submarino (HS-1) com sede na Base Aeronaval
de São Pedro de Aldeia (BAeNSPA), no norte
Fluminense, cuja missão básica era
"Prover os meios necessários para detectar,
localizar, acompanhar e atacar submarinos e alvos
de superfície, a fim de contribuir para a
proteção de nossas Forças Navais".
Inicialmente foram
equipados com seis helicópteros Sikorsky
SH-34J Seabat, configurados para missões
ASW (Anti-Submarine Warfare - Guerra Anti-Submarino),
oriundos do Segundo Esquadrão do Primeiro
Grupo de Aviação Embarcado (2º/1º
GAE) da Força Aérea Brasileira (FAB).
Vieram em decorrência da proibição
a MB de poder operar aparelhos de asa fixa, obrigando-a
a entregar seus Pilatus P-3 e T-28R1 Nomair para
a FAB e recebendo em troca os SH-34J", sendo
operados até 1974.
Durante os primeiros anos
a Aviação Naval, operava uma frota
de helicópteros de várias procedências:
Bell 47D/J, Hughes 269, Fairchild Hiller FH1100
e Sikorsky SH-34J dos Estados Unidos, Westland Widgeon,
Whirlwind e Wasp da Inglaterra, e Kawasaki Bell
47G do Japão, porém, destes o único
vetor especializado para missões ASW era
o SH-34J, sendo que, por falta de qualificação,
a manutenção do mesmo era feita pela
FAB no Parque de Material Aeronáutico
de São Paulo (PAMA-SP).
Em 28 de abril 1970 chegaram
os primeiros quatro Sikorsky SH-3D Sea King, U.S.
Navy, matrículas N-3007 a N-3010, trazendo
uma nova filosofia de operação de
helicópteros ASW, assim como, agora, a função
ASuW (Anti-Surface Warfare - Guerra a Alvos de
Superfície). A manutenção
passou a ser feita na própria BAeNSPA. Dois
anos depois foram recebidos mais 2 SH-3D, matrículas
N-3011 e N-3012.
Em 1984 chegaram mais quatro
Sea Kings novos, fabricados sob licença na
Itália pela Agusta, matrículas N-3013
a N-3016, sendo estes da versão ASH-3H que
estavam equipados com um radar APS-705V com varredura
de 360° instalado em um radome sob a fuselagem
e possuindo capacidade de disparo do míssel
anti-navio AM-39 Exocet. Dois anos mais tarde a
MB resolve padronizar a frota, enviando para a Agusta
os quatro Sea King sobreviventes (N-3007, N-3010,
N-3011 e N-3012) dos dois primeiros lotes para serem
capacitados a operar também com Exocet, sendo
realizado o primeiro disparo em 1992.
Em 13 maio de 1996 são
recebidos mais seis SH-3H, ex-U.S. Navy, matrículas
N-3017 a N-3019 e N-3029 a N-3031, e mais dois que
vieram como peças de reposição.
Apesar de serem células antigas, estes foram
revisados em 2000 e equipados com o sonar NA/AQS-18(V),
muito mais moderno que o modelo anterior e com uma
capacidade de mergulho três vezes maior.
Após essa reforma, a MB redenominou seus
SH-3. Aqueles fabricados ou modernizados pela Agusta
foram chamados SH-3A, ou ALFA, e possuem maior capacidade
de carga e ASuW, podendo disparar os AM-39 Exocet,
mas possuem uma capacidade ASW mais limitada, e
os SH-3B, ou Bravo, que são os equipados
com o NA/AQS-18(V) e utilizados exclusivamente como
vetor ASW.
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SH-3 Sea
King equipado com míssil ar-superfície
MBDA AM-39 Exocet
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Disparo
de um míssil
MBDA AM-39 Exocet.Os
Sh-3 Sea Kinga do HS-1 estão preparados
para ações: ASuW (Anti-Surface
Warfare - Guerra a Alvos de Superfície)
e
ASW (Anti-Submarine Warfare - Guerra Anti-Submarino)
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Com o tempo, diante
da obsolescência do equipamento, e da dificuldade
de conseguir peças sobressalentes obrigou
a MB procurar um substituto à altura. Antes
mesmo de adquirir um novo helicóptero, foram
também vitimados pelo drástico corte
de verbas imposto pelo governo federal, obrigando
o HS-1 a desativar parte da frota, embora a maioria
deles estivessem em boas condições.
Assim, estão em operação apenas
cinco Sea Kings, sendo quatro deles capacitados
para disparar Exocet (N-3011, N-3012, N-3015 e N-3016)
e um SH-3B (N-3017).
O HS-1 apesar de ter a sua
frota diminuída, ele está totalmente
operacional, mantendo pelo menos um dos SH-3 em
stand by o tempo todo. Alguns como o N-3015 está
sofrendo uma reforma geral (padrão semelhante
ao IRAN da FAB) e o N-3016 acaba de sair deste processo
de revitalização, o que nos leva a
concluir que serão capazes de operar por
muito tempo. Todo o processo de revitalização
dos Sea King é feito no BAeNSPA, desde a
célula até todos os seus aviônicos
e componentes, inclusive o motor.
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Os
Sea King operados pela MB
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| Matrícula |
Modelo |
Carga |
Observação |
| N-3007 |
Sikorsky SH-3D |
1970 |
Desativado 2006 |
| N-3008 |
Sikorsky SH-3D |
1970 |
Acidentado em
19/08/1976. |
| N-3009 |
Sikorsky SH-3D
|
1970 |
Acidentado em
21/11/1970. Preservado como monumento em São
Pedro de Aldeia |
| N-3010 |
Sikorsky SH-3D
|
1970 |
Desativado 2006 |
| N-3011 |
Sikorsky SH-3D |
1972 |
Em operação |
| N-3012 |
Sikorsky SH-3D |
1972 |
Em operação |
| N-3013 |
Agusta ASH-3H
|
1984 |
Desativado 2006 |
| N-3014 |
Agusta ASH-3H
|
1984 |
Acidentado em
08/01/1989 |
| N-3015 |
Agusta ASH-3H
|
1984 |
Em manutenção |
| N-3016 |
Agusta ASH-3H |
1984 |
Em operação |
| N-3017 |
Sikorsky SH-3H
|
1996 |
Em operação |
| N-3018 |
Sikorsky SH-3H
|
1996 |
Desativado.
Preservado como monumento no Espaço Cultural
da Marinha, no Rio de Janeiro |
| N-3019 |
Sikorsky SH-3H
|
1996 |
Desativado
* |
| N-3029 |
Sikorsky SH-3H |
1996 |
Desativado 2006
(último vôo em 14/12/05) |
| N-3030 |
Sikorsky SH-3H
|
1996 |
Desativado 2006
|
| N-3031 |
Sikorsky SH-3H |
1996 |
Desativado 2006
(último vôo em 24/06/04) |
* Durante a nossa visita o SH-3H N-3019 não
estava na BAeNSPA, entretanto constava na tabela
de disponibilidade do hangar do HS-1 como desativado.
O Substituto
Vários helicópteros
foram analisados pelos técnicos da Aviação
Naval, alguns deles divulgados pela mídia
como o Agusta/Westland EH-101 Merlin,
Eurocopter AS532SC Cougar, Sikorsky SH-60B
Seahawk, Kaman Seasprite e a versão
naval do MIL Mi-171.
Ao questionarmos sobre estes candidatos ao provável
substituto para o Sea King aos integrantes do HS-1,
existe uma unanimidade quanto a preferência
pelo Seahawk, pois além da experiência
e confiabilidade em operar helicópteros da
Sikorsky (operam desde a criação do
Esquadrão), apreciam pelo fato de ser um
projeto que nasceu como helicóptero para
fins especificamente militares, ao contrario do
Cougar e do Mi-171. Além do mais, o que favorece
o Seahawk é o fato do mesmo já ter
sido utilizado em combate, de ter sido oferecido
a possibilidade do AM-39 Exocet ser integrado
ao Seahawk e a facilidade de financiamento intermediado
pelo próprio fabricante.
O Merlin apesar de ser o mais moderno, é
fabricada pela Agusta/Westland, tradicionais
fornecedoras da MB, possui um preço considerado
proibitivo. Finalmente o Kaman Seasprite, apesar
de ser um conhecido vetor para ASW e ASuW, foi projetado
ainda na década de 60, com alguns conceitos
hoje superados por helicópteros mais recentes,
além de ser fabricado por um fornecedor que
não possui tradição no Brasil.
O fornecimento de seis Seahawks
para a MB já
obteve a aprovação do congresso norte-americano,
pré-requisito de praxe para a exportação
de equipamento militar daquele país.
Entretanto todos nós sabemos que a decisão
do modelo a ser adquirido nem sempre obedece à
preferência de quem efetivamente vai utilizá-lo,
e muitas vezes a compra é meramente política,
tal qual foram os Mirage 2000. A prevalecer esta
tendência do governo atual, existe a possibilidade
do Cougar navalizado ser o escolhido.
Como diz o lema do Esquadrão
HS-1: AD ASTRA PER ASPERA (É Árduo
o caminho para os Astros).
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Agradecimentos
Os autores agradecem as pessoas abaixo citadas
por nos terem viabilizado a visita a BAeNSPA,
isentando-os de todas as opiniões e
informações do texto. As opiniões
aqui expressas são de responsabilidade
dos autores.
" CMG Hugo Marcelo
Vieira de Melo Pimentel - comandante da BAeNSPA
" CMG Osnildo Dagoberto Bighi
" CC Adalmir Fernandes de Almeida
" CT Christiano Dutra
" CT Erandir Bastos Mota.
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