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Marinha do Brasil
Defesanet 21 Fevereiro 2007
Atualizado 02 Março 2007

Exclusivo Defesa@Net

O Novo Desafio da Aviação Naval Brasileira II
O Primeiro Esquadrão de Helicópteros Anti-Submarino HS-1

Hélio Higuchi
Paulo Roberto Bastos Jr.
Alfredo Andre Tassara

Em 26 de janeiro de 1965, através do decreto nº 55.627 foi criado o Primeiro Esquadrão de Helicópteros Anti-Submarino (HS-1) com sede na Base Aeronaval de São Pedro de Aldeia (BAeNSPA), no norte Fluminense, cuja missão básica era "Prover os meios necessários para detectar, localizar, acompanhar e atacar submarinos e alvos de superfície, a fim de contribuir para a proteção de nossas Forças Navais".

Nota Defesa @ Net: Recomedamos a leitura: O Novo Desafio da Aviação Naval Brasileira I - Análise da Aviação de Asas Fixas da Marinha
http://www.defesanet.com.br/zz/mb_av_nav.htm

Inicialmente foram equipados com seis helicópteros Sikorsky SH-34J Seabat, configurados para missões ASW (Anti-Submarine Warfare - Guerra Anti-Submarino), oriundos do Segundo Esquadrão do Primeiro Grupo de Aviação Embarcado (2º/1º GAE) da Força Aérea Brasileira (FAB). Vieram em decorrência da proibição a MB de poder operar aparelhos de asa fixa, obrigando-a a entregar seus Pilatus P-3 e T-28R1 Nomair para a FAB e recebendo em troca os SH-34J", sendo operados até 1974.

Durante os primeiros anos a Aviação Naval, operava uma frota de helicópteros de várias procedências: Bell 47D/J, Hughes 269, Fairchild Hiller FH1100 e Sikorsky SH-34J dos Estados Unidos, Westland Widgeon, Whirlwind e Wasp da Inglaterra, e Kawasaki Bell 47G do Japão, porém, destes o único vetor especializado para missões ASW era o SH-34J, sendo que, por falta de qualificação, a manutenção do mesmo era feita pela FAB no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP).

Em 28 de abril 1970 chegaram os primeiros quatro Sikorsky SH-3D Sea King, U.S. Navy, matrículas N-3007 a N-3010, trazendo uma nova filosofia de operação de helicópteros ASW, assim como, agora, a função ASuW (Anti-Surface Warfare - Guerra a Alvos de Superfície). A manutenção passou a ser feita na própria BAeNSPA. Dois anos depois foram recebidos mais 2 SH-3D, matrículas N-3011 e N-3012.

Em 1984 chegaram mais quatro Sea Kings novos, fabricados sob licença na Itália pela Agusta, matrículas N-3013 a N-3016, sendo estes da versão ASH-3H que estavam equipados com um radar APS-705V com varredura de 360° instalado em um radome sob a fuselagem e possuindo capacidade de disparo do míssel anti-navio AM-39 Exocet. Dois anos mais tarde a MB resolve padronizar a frota, enviando para a Agusta os quatro Sea King sobreviventes (N-3007, N-3010, N-3011 e N-3012) dos dois primeiros lotes para serem capacitados a operar também com Exocet, sendo realizado o primeiro disparo em 1992.

Em 13 maio de 1996 são recebidos mais seis SH-3H, ex-U.S. Navy, matrículas N-3017 a N-3019 e N-3029 a N-3031, e mais dois que vieram como peças de reposição. Apesar de serem células antigas, estes foram revisados em 2000 e equipados com o sonar NA/AQS-18(V), muito mais moderno que o modelo anterior e com uma capacidade de mergulho três vezes maior.

Após essa reforma, a MB redenominou seus SH-3. Aqueles fabricados ou modernizados pela Agusta foram chamados SH-3A, ou ALFA, e possuem maior capacidade de carga e ASuW, podendo disparar os AM-39 Exocet, mas possuem uma capacidade ASW mais limitada, e os SH-3B, ou Bravo, que são os equipados com o NA/AQS-18(V) e utilizados exclusivamente como vetor ASW.

SH-3 Sea King equipado com míssil ar-superfície MBDA AM-39 Exocet
Disparo de um míssil
MBDA AM-39 Exocet.
Os Sh-3 Sea Kinga do HS-1 estão preparados para ações: ASuW (Anti-Surface Warfare - Guerra a Alvos de Superfície) e
ASW (Anti-Submarine Warfare - Guerra Anti-Submarino)

Com o tempo, diante da obsolescência do equipamento, e da dificuldade de conseguir peças sobressalentes obrigou a MB procurar um substituto à altura. Antes mesmo de adquirir um novo helicóptero, foram também vitimados pelo drástico corte de verbas imposto pelo governo federal, obrigando o HS-1 a desativar parte da frota, embora a maioria deles estivessem em boas condições. Assim, estão em operação apenas cinco Sea Kings, sendo quatro deles capacitados para disparar Exocet (N-3011, N-3012, N-3015 e N-3016) e um SH-3B (N-3017).

O HS-1 apesar de ter a sua frota diminuída, ele está totalmente operacional, mantendo pelo menos um dos SH-3 em stand by o tempo todo. Alguns como o N-3015 está sofrendo uma reforma geral (padrão semelhante ao IRAN da FAB) e o N-3016 acaba de sair deste processo de revitalização, o que nos leva a concluir que serão capazes de operar por muito tempo. Todo o processo de revitalização dos Sea King é feito no BAeNSPA, desde a célula até todos os seus aviônicos e componentes, inclusive o motor.

Os Sea King operados pela MB
Matrícula Modelo Carga Observação
N-3007 Sikorsky SH-3D 1970 Desativado 2006
N-3008 Sikorsky SH-3D 1970 Acidentado em 19/08/1976.
N-3009 Sikorsky SH-3D 1970 Acidentado em 21/11/1970. Preservado como monumento em São Pedro de Aldeia
N-3010 Sikorsky SH-3D 1970 Desativado 2006
N-3011 Sikorsky SH-3D 1972 Em operação
N-3012 Sikorsky SH-3D 1972 Em operação
N-3013 Agusta ASH-3H 1984 Desativado 2006
N-3014 Agusta ASH-3H 1984 Acidentado em 08/01/1989
N-3015 Agusta ASH-3H 1984 Em manutenção
N-3016 Agusta ASH-3H 1984 Em operação
N-3017 Sikorsky SH-3H 1996 Em operação
N-3018 Sikorsky SH-3H 1996 Desativado. Preservado como monumento no Espaço Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro
N-3019 Sikorsky SH-3H 1996 Desativado *
N-3029 Sikorsky SH-3H 1996 Desativado 2006 (último vôo em 14/12/05)
N-3030 Sikorsky SH-3H 1996 Desativado 2006
N-3031 Sikorsky SH-3H 1996 Desativado 2006 (último vôo em 24/06/04)

* Durante a nossa visita o SH-3H N-3019 não estava na BAeNSPA, entretanto constava na tabela de disponibilidade do hangar do HS-1 como desativado.

O Substituto

Vários helicópteros foram analisados pelos técnicos da Aviação Naval, alguns deles divulgados pela mídia como o Agusta/Westland EH-101 Merlin, Eurocopter AS532SC Cougar, Sikorsky SH-60B Seahawk, Kaman Seasprite e a versão naval do MIL Mi-171.

Ao questionarmos sobre estes candidatos ao provável substituto para o Sea King aos integrantes do HS-1, existe uma unanimidade quanto a preferência pelo Seahawk, pois além da experiência e confiabilidade em operar helicópteros da Sikorsky (operam desde a criação do Esquadrão), apreciam pelo fato de ser um projeto que nasceu como helicóptero para fins especificamente militares, ao contrario do Cougar e do Mi-171. Além do mais, o que favorece o Seahawk é o fato do mesmo já ter sido utilizado em combate, de ter sido oferecido a possibilidade do AM-39 Exocet ser integrado ao Seahawk e a facilidade de financiamento intermediado pelo próprio fabricante.

O Merlin apesar de ser o mais moderno, é fabricada pela Agusta/Westland, tradicionais fornecedoras da MB, possui um preço considerado proibitivo. Finalmente o Kaman Seasprite, apesar de ser um conhecido vetor para ASW e ASuW, foi projetado ainda na década de 60, com alguns conceitos hoje superados por helicópteros mais recentes, além de ser fabricado por um fornecedor que não possui tradição no Brasil.

O fornecimento de seis Seahawks para a MB já obteve a aprovação do congresso norte-americano, pré-requisito de praxe para a exportação de equipamento militar daquele país.

Entretanto todos nós sabemos que a decisão do modelo a ser adquirido nem sempre obedece à preferência de quem efetivamente vai utilizá-lo, e muitas vezes a compra é meramente política, tal qual foram os Mirage 2000. A prevalecer esta tendência do governo atual, existe a possibilidade do Cougar navalizado ser o escolhido.

Como diz o lema do Esquadrão HS-1: AD ASTRA PER ASPERA (É Árduo o caminho para os Astros).

Agradecimentos

Os autores agradecem as pessoas abaixo citadas por nos terem viabilizado a visita a BAeNSPA, isentando-os de todas as opiniões e informações do texto. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores.

" CMG Hugo Marcelo Vieira de Melo Pimentel - comandante da BAeNSPA
" CMG Osnildo Dagoberto Bighi
" CC Adalmir Fernandes de Almeida
" CT Christiano Dutra
" CT Erandir Bastos Mota.

   
   
   
 

 

 

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  Legenda das fotos
 
 
  Foto 1 - O SH-3A,
matrícula N-3011, estava
posicionado em stand by
fora do seu hangar. Este
aparelho está capacitado
para disparar mísseis
ar-superfície AM-39 Exocet.
Foto: Hélio Higuchi
 
 
  Foto 2 - Durante o stand
by a tripulação checa o motor do N-3011.
Foto: Hélio Higuchi
 
 
  Foto 3 - Durante a nossa visita o Sea King
SH-3A N-3012 passava
por uma manutenção
de rotina.
Foto: Hélio Higuchi
 

 

 
  Foto 4 - O mesmo
SH-3A N-3012 esteve
em exposição durante os festejos da Semana da Asa no PAMA-SP, em 2005.
Foto: Alfredo André Tassara
 
 
  Foto 5 - O SH-3A N-3015 está passando por uma revisão completa da
célula e dos seus componentes.
Foto: Hélio Higuchi
 
 
  Foto 6 - O SH-3D N-3009
acidentou-se durante uma
missão de ajuda aos flagelados de uma
enchente em Santa Catarina,
em 21/11/70. Como a sua célula ficou avariada,
decidiu-se pela desativação
e está preservado, desde
1998, na Praça Protógenes Guimarães; no município
de São Pedro de Aldeia/RJ. Foto: Hélio Higuchi.
   
   
 
  Componentes da
Força Aérea Naval.
Os números de equipamentos podem
não corresponder aos
realmente em uso.
Fonte MB
   
   
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