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O Novo Desafio da Aviação
Naval Brasileira
Futuro incerto aos 90 anos
Hélio
Higuchi
Paulo
Roberto Bastos Jr.
Alfredo
Andre Tassara
Após 33 anos
de espera e negociações, através
do Decreto nº 2.538, de 8 de abril de 1988,
a Aviação Naval da Marinha do Brasil
reconquistou o direito de operar aviões de
asa fixa em sua força. Após longa
busca e com a possibilidade da compra do porta-aviões
Foch (futuro NAe A-12 São Paulo) foram adquiridos
aviões de ataque A-4KU Skyhawk (ver
nota 1). Numa compra de oportunidade
adquiriu-se, por intermédio da McDonnell
Douglas, 23 aviões, sendo 20 da versão
monoplace (A-4KU) e 3 biplace (T4-KU), que pertenciam
a Al Quwwat al Jawiyya al Kuwaitiya (Força
Aérea do Kuwait) ao preço de U$ 70
milhões. Apesar de serem veteranos da Guerra
do Golfo, eram os derradeiros fabricados pela McDonnell
Douglas e estavam em excelente estado, composto
por células com apenas 1.500 horas de vôo
(ver nota 2). Além
disto, eram isentos de desgastes decorrentes da
salinidade e de pousos e decolagens em porta-aviões,
pois nunca tinham sido operados por uma força
naval.
Assim que chegaram ao Brasil, um novo esquadrão,
o VF-1 - Primeiro Esquadrão de Interceptação
e Ataque, Esquadrão Falcão
foi formado, com sede na Base Aeronaval de São
Pedro de Aldeia - BAeNSPA, no norte do Estado
do Rio de Janeiro, que é sede do Comando
da Força Aeronaval da MB, desde 1971, sendo
construídos 2 amplos hangares, 4 hangaretes
e área de parqueamento distinto dos outros
esquadrões de asas rotativas.
Embora ainda utilizados como vetores de primeira
linha em vários países, por ser um
avião que não está mais em
produção, a Marinha preferiu disponibilizar
5 deles, todos da versão monoplace, para
serem utilizados como provedor de peças de
reposição. Conseqüentemente,
apesar de receberem matrículas, não
estão disponíveis para vôo.
São estes os de matrículas N-1003,
N-1010, N-1016, N-1019 e N-1020.
Iniciou-se um programa para formar pilotos navais
para aviões de asa fixa, e com a incorporação
de um novo navio-aeródromo (NAe A-12 São
Paulo), planejou-se equipar uma força pequena,
mas estruturada para cumprir as missões de
caça e ataque, complementados com aviões
embarcados de alerta antecipado e de reabastecimento
aéreo .
Hoje, passados nove anos, a Aviação
Naval enfrenta um grande desafio para manter seus
objetivos. A drástica redução
do orçamento destinado à Marinha Brasileira
que obrigou a colocar na reserva várias belonaves
da frota, afetou também de forma significativa
a operacionalidade do VF-1.
Para suprir a necessidade de recondicionar os motores
que equipam os A-4, os Pratt & Whitney J52-P-408,
foi assinado um convênio com a Lockheed
Martin Aircraft Argentina S.A. (LMAASA),
indústria localizada em Córdoba/Argentina
e responsável da modernização
dos A-4AR da Fuerza Aérea Argentina (FAA).
Dos 43 motores sobressalentes adquiridos junto com
os A-4, dez deles foram enviados para revisão
completa, sendo esperado para este ano o retorno
deles. Além destes, vários motores
foram enviados para reparos mais simples, e muitos
já retornaram ao VF-1.
Apesar da redução de verbas, a fim
de manter a atividade do Esquadrão, por intermédio
de um sistema de rodízio optou-se pela manutenção
de apenas dois aviões operacionais de cada
vez, um monoplace e um biplace, sendo que atualmente
encontram-se em atividades o N-1013 e o N-1022.
Os aviões saem diariamente para vôos
de treinamento mantendo os pilotos do esquadrão
atualizados. Apesar disto, em caso de emergência
nacional, 15 Skyhawks podem ser colocados em condições
operacionais em curtíssimo prazo, desde que
contem com os equipamentos eletrônicos e motores
disponibilizados em sua logística.
Planos para modernização dos aviões,
bem como da aquisição de aviões
de apoio, foram postergados. A EMBRAER enviou um
orçamento de
U$ 66 millhões para uma modernização
de 12 A-4 num padrão semelhante, porém
inferior a dos F-5M da FAB, valor considerado muito
elevado pela Marinha.
A não aquisição de aviões
para reabastecimento aéreo foi parcialmente
solucionada pela aquisição de um pod
ventral para reabastecimento entre Skyhawks, do
tipo Sargent Fletcher Buddy Pack, fabricado pela
Cobham Aerospace. O VF-1 recebeu 3 destes equipamentos
fazendo a primeira aparição pública
durante os festejos do 90º aniversário
da Aviação Naval em 1 de setembro
de 2006. Este equipamento apesar de ser testado
em simulações com acoplamento, não
foi ainda utilizado para transferência de
combustível.(ver
foto 4)
Quanto ao armamento, parte dos mísseis AIM-9H
Sidewinder foram recondicionados pela empresa brasileira
Mectron - Engenharia, Indústria e Comércio
Ltda, de São José do Campos/SP.(ver
nota 3)
A volta do porta-aviões NAe A-12 São
Paulo à atividade é ansiosamente esperado
pelos pilotos do VF-1. Vinte e seis pilotos já
estão qualificados para operarem os AF-1,
mas muitos deles, apesar do adestramento de toques
e arremetidas na pista da BAeNSPA, nunca aterrissaram
ou foram catapultados no convôo de um porta-aviões.
Falta também a qualificação
de uma das missões mais difíceis de
um piloto de caça naval: o pouso noturno
em um porta-aviões.
Os esquadrões de helicópteros da Aviação
Naval sofrem igualmente pelas restrições
orçamentárias, diminuindo a operação
de seus equipamentos. Entretanto destacamos a qualidade
de manutenção dos mesmos, possuindo
oficinas com instrumentos e profissionais altamente
qualificados, homologada também para manutenção
de motores e células de helicópteros
civis, sendo talvez a mais bem preparada das três
armas. Até mesmo os cinco SH-3 Sea King,
recentemente descarregados por falta de verbas,
estão dispostos de forma impecável
em um hangar, nada lembrando um equipamento que
será em breve sucateado ou vendido.
Apesar de todas as restrições impostas
não deixamos de notar uma intensa atividade
dos esquadrões, notadamente pelo pouso e
decolagem constante de helicópteros, quer
em missões de treinamento ou de manutenção,
além de vários deles em posição
de stand by para missões de emergência.
O contraste entre a estrutura de manutenção
para helicópteros e a dos AF-1 nos faz analisar
o quanto foi prejudicada a Aviação
Naval, que foi proibida durante mais de 30 anos
a operar aviões de asa fixa, defasagem esta
que hoje luta para recuperar.
A Força Aeronaval da
Marinha do Brasil enfrenta aos 90 anos, em 1916
foi criada a Escola da Aviação Naval,
primeira escola militar de aviação
do país, o seu maior desafio. A inserção
política e econômica do Brasil no mundo
atual não pode prescindir de uma força
aviação naval viável e efetiva.
Tanto em defesa dos recursos naturais explorados
na plataforma continental como na projeção
da presença do Brasil no Oceâno Atlântico.
Esperamos que esta
unidade profissionalmente preparada não se
enfraqueça ainda mais, pela falta de verbas
e o famigerado contingenciamento. Que seja mantido
um fluxo contínuo de recursos para proporcionar
um planejamento racional garantindo uma aviação
naval digna da importância do Brasil.
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Agradecimentos
Os autores agradecem as pessoas abaixo citadas
por nos terem viabilizado a visita a BAeNSPA,
isentando-os de todas as opiniões e
informações do texto. As opiniões
aqui expressas são de responsabilidade
dos autores.
" CMG Hugo Marcelo
Vieira de Melo Pimentel - comandante da BAeNSPA
" CMG Osnildo Dagoberto Bighi
" CC Adalmir Fernandes de Almeida
" CT Christiano Dutra
" CT Erandir Bastos Mota.
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