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Defesanet 05 Fevereiro 2007
Exclusivo Defesa @ Net
Carro de Combate Médio
M-3 Lee/Grant no Brasil
- 2ª Parte
Para primeira parte do artigo CC M M-3 Lee Acesse Link

Hélio Higuchi
Paulo Roberto Bastos Jr.
Alfredo Andre Tassara

Nota dos Autores

Na primeira parte deste artigo (vide http://www.defesanet.com.br/history/m-3.htm), colocamos uma nota esclarecendo que, devido à carência de documentação sólida o artigo poderia ter incorreções; e que correções e complementações seriam bem vindas. Tivemos uma grande repercussão recebendo e-mails de vários pesquisadores, inclusive do exterior, o que nos motivou a escrever esta versão comentada visando corrigir e complementar a primeira parte.
Agradecemos a atenção e a ajuda de todos os leitores que enviaram mensagens.


Servindo no 3º Batalhão de Carros de Combate

Além do 2º Batalhão de Carros de Combate (2° BCC), que foi relatado no primeiro trabalho, o 3º BCC também foi equipado com carros de combate médio M3A3 e m3A5 Lee.

Seu quartel estava localizado inicialmente no antigo Derby Club, no Rio de Janeiro, utilizando instalações compartilhadas com o 1º BCC, porem sua sede é transferida para Realengo/RJ em 1947, pois no local anterior seria construído o futuro Estádio do Maracanã. Sua composição era similar a do 2º BCC: três Companhias de Carros de Combate Médio, equipados com CCM M3A3/A5 Lee, uma Companhia de Carros de Combate Leve, equipada com CCL M3A1 Stuart, uma Companhia de Comando e uma de Serviços, recebendo um total de 51 M3 Lee. Uma curiosidade era que os M3 Lee do 3º BCC foram matriculados recebendo o mesmo numero de fabricação dos veículos, fato incomum no Exercito Brasileiro.

Examinando os boletins internos do 3º BCC constatamos a descarga prematura de vários CCM M3 Lee já no ano de 1952, como os de matrícula EB 11-582, 1197, 1332, 1426 e 1442 que foram descarregados em 04/11/52. Convém esclarecer que, ao contrário dos primeiros M4 Sherman e da maioria dos M3/M3A1 Stuart recebidos pelo Brasil, os Lee vieram usados e, por serem todos da versão diesel, acreditamos que eles tinham sido muito utilizados anteriormente pelas unidades de treinamento nos Estados Unidos. Por isso, no ano de 1954, decidiu-se concentrar todos os M3 Lee no 2º BCC, que repassou os seus CCL M3/M3A1 Stuart para o 3º BCC, e estas unidades passara a operar somente com um tipo de carro de combate.

De acordo com o depoimento do Coronel R/R José Eduardo de Castro Portela Santos, que dentre seu extenso Curriculum no EB serviu no 2º BCC nos anos 50, o Lee era de manutenção difícil, principalmente os seus dois motores GM a Diesel, e não raro devido a panes constantes locomoviam com apenas um dos motores em funcionamento. Para facilitar a partida dos motores, os mecânicos do 2º BCC introduziam um pouco de éter no injetor, processo conhecido como "cheirinho". Para desligar o motor preferiam simplesmente parar com a marcha engrenada.

Conforme citado no livro "M3 Lee/Grant Medium Tank 1941-45", de Steven J. Zaloga, houve pelo menos uma tentativa de substituir o conjunto de motores a diesel por um radial, à gasolina, igual aos que eram utilizados nos M4 Sherman. O veículo enviado para pesquisas foi o M3A3 matricula EB 11-275, em 11/11/1952, porém não obtivemos informações sobre o resultado, e se outros veículos também foram modificados.

Pelo menos um M3A3 estava ainda em uso em 1972 na Escola de Material Bélico (EsMB), no Rio de Janeiro/RJ, como veículo de instrução. (Foto 3 e Foto 4)

Quanto ao M3 Lee a enviado para um museu estadunidense em 1973, temos o seguinte: O modelo enviado foi um M3A3, e o destino foi o Patton Museum, em Fort Knox, no Estado de Kentucky. Segundo artigo da revista inglesa "Tracks & Wheels", quando vieram buscar o blindado no Brasil, ele se encontrava parado há muito tempo, e uma arvore tinha crescido e entrando no blindado pelo alçapão inferior do municiador do canhão de 75 mm. Apesar disto, grande parte dos componentes mecânicos ainda estavam no veículo, e através de peças retiradas de um veículo recuperador M31 resgatado na Europa, o M3A3 foi inteiramente recuperado e posto em condição de funcionamento. Hoje ele se encontra impecável, em posição de destaque, no referido museu.

A Quantidade, os Modelos, e Matrículas dos M3 no Brasil

A lista dos modelos, matrículas e quantidades de M3 Lee recebidos pelo Exército Brasileiro estão em tabela anexa para melhor consulta.
Link http://www.defesanet.com.br/zz/hist_m-3_2.pdf

Agradecimentos

Os autores desejam agradecer as pessoas abaixo que nos auxiliaram trazendo mais subsídios, tornando possível esta complementação:

" Cel R/R Lannes de Souza Caminha - Rio de Janeiro/RJ;
" Cel R/R José Eduardo de Castro Portela Soares - Rio de Janeiro/RJ;
" Ten Cel Elnio David Dansa de Franco - Comandante do 1º RCC - Santa Maria/RS;
" Cap Sergio Rodrigues Gonzalez - QAO de Material Bélico do 22° B Log L - Barueri/SP;
" Bram Risseeuw - Pesquisador de Assuntos Militares - Irlanda;
" Expedito Carlos Stephani Bastos - Pesquisador de Assuntos Militares - Juiz de Fora/ MG;
" Hermes A. Barcelos - Barra Mansa/ RJ;
" Paulo Cid Fellows - Pesquisador de Assuntos Militares - Rio de Janeiro/RJ.


Bibliografia complementar

EXÉRCITO BRASILEIRO. Catálogo de Suprimento de Material Bélico do Exército Brasileiro. Rio de janeiro: Estado Maior do Exército, 1967.

_____________________. Boletins Internos do 3º BCC. Vários anos

MINISTÉRIO DA GUERRA. Boletim do Exército nº15 - Regulamento para Classificação, Registro e Identificação das Viaturas Automóveis do Exército. Rio de janeiro: Estado Maior do Exército, 1944.

LEND LEASE ACT. Ordnance - General Supplies Part I - Principal Countries. Washington: Office of Lend-Lease Administration, 1941-1945.

Revista O Cruzeiro, Setembro de 1943.
Revista Brasil Reportagens, Outubro de 1944.
Revista Track & Wheels, Nº 2. London: 1982.

São Paulo, fevereiro de 2006.

Ilustrações

Ilustração 1 - Na ilustração apresentada anteriormente, convém retificar a cor da matrícula EB 11 do M3A3 de 1944, pois conforme o "Regulamento para Classificação, Registro e Identificação das Viaturas Automóveis do Exército" instituído pelo Decreto Nº 16.456-A de 28/08/44; a cor correta seria azul celeste e não branca, e o cocar da estrela verde e amarelo tinha o fundo prateado. Anexamos outra lamina com a devida correção.
Pesquisa: Hélio Higuchi / Arte: Ulisses Castanhera Monteiro

(acima) Baseado no M3A3 da Escola de Motomecanização no desfile de Sete de Setembro de 1944. Pintados de verde-oliva, nesta época eles ainda não possuíam o número de registro completo do Exército Brasileiro, tendo somente a nomenclatura para carros de combate, porem sem o numero de ordem (EB 11), na cor azul, e a insígnia nacional, constituído por uma estrela de cinco pontas verde-amarela, tendo inscrito um circulo azul-bandeira, circulado por uma coroa branca de espessura de 1/5 do raio total do mesmo circulo, com os intervalos entre as pontas da estrela pintadas em tinta metálicas cor de alumínio, aplicados nos quatro lados do veículo.

(abaixo) M3A3 matrícula EB 11-291 da 3ª Companhia de Carros de Combate Médio do 2º BCC em 1947. Também em Verde-oliva, mas com o número de registro da viatura no Exército Brasileiro completo e com a abreviatura regulamentar da sua OM (2º BCC), ambos na cor branca, e a insígnia nacional, constituída de uma faixa branca circular, de largura igual a 1/5 do raio maior e dividida em quatro quadrantes, separado por faixas verde oliva, com largura igual a 2/5 da largura da faixa branca. No circulo verde-oliva inscrito no interior da faixa branca é pintado o cruzeiro do sul na cor branca.

Ilustração 2 - O veículo desenhado pertence ao 3º BCC, conforme esquema de pintura apresentado em desfile militar no dia 07/09/43, no Rio de Janeiro. Nesta época o fundo do cocar da estrela verde e amarelo era ainda de cor branca, e não prateada, pois o Decreto Nº. 16.456-A ainda não estava em vigor.
Pesquisa: Hélio Higuchi / Paulo Cid Fellows. Arte: Ulisses Castanhera Monteiro

   
   
 

 

 


Fotografias

   
 
  Foto 1 - M3 Lee durante o desfile de Sete de Setembro de 1944 no Rio de Janeiro. Foto: Revista "Brasil Reportagens"
 
 
  Foto 2 - Coluna de blindados M3 Lee do 3º BCC durante o desfile de sete de setembro de 1943 no Rio de Janeiro. Foto: Revista "O Cruzeiro", via Paulo Cid Fellows
 
 

  Fotos 3 e 4 - Em 1972
este M3 desprovido de armamento era utilizado como veículo de instrução para condução na Escola
de Material Bélico no Rio
de Janeiro.
Foto: Capitão Sergio Rodrigues Gonzalez
 
 
  Foto 5 - M3A5 preservado na Escola de Material Bélico, Rio de Janeiro.
Foto: Helio Higuchi
 
 
  Foto 6 - M3A5 preservado em frente ao Parque Regional de Manutenção /1, Rio de Janeiro.
Foto: Helio Higuchi.
   
 
 

Foto 7 - M3A3 preservado na entrada do 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado, em Pirassununga/SP. Este veículo foi repintado em janeiro de 2007, seguindo as orientações do nosso trabalho anterior, com as cores originais do 2° Batalhão de Carros de Combate.
Foto: Helio Higuchi.

 

 

 

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