|
Guerra
Irregular Moderna
Ameaça
de militares provoca tensão em Tucuruí
O clima ficou tenso, no final da
tarde de hoje, quando os integrantes do Movimento
de Atingidos por Barragens (MAB), da Via Campesina
e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST), que invadiram a hidrelétrica de Tucuruí
(PA), souberam que as tropas do Exército
já estavam dentro da usina e prontas para
retirá-los. Os manifestantes colocaram vários
carros da Eletronorte com o tanque cheio de gasolina
na entrada do prédio, ameaçando explodi-los
caso os soldados invadissem o local.
Eles também formaram uma
barreira humana e nas mãos de alguns homens
havia bombas de fabricação caseira.
O Conselho Tutelar de Tucuruí
enviou à usina assistentes sociais com a
finalidade de retirar crianças e adolescentes
que estavam entre os manifestantes, temendo que
elas sejam as maiores vítimas no caso de
um confronto entre os invasores e o Exército.
Depois de uma negociação, apenas adultos
ficaram no prédio. Um dos negociadores, o
major Curti, da 23ª Brigada de Infantaria e
Selva, de Marabá, procurava tranqüilizar
manifestantes e funcionários da Eletronorte,
informando que as negociações tinham
avançado para a desocupação
da usina ainda durante a noite ou amanhã
de manhã.
Os invasores condicionaram a desocupação
em uma garantia de reunião para hoje entre
autoridades do governo federal representantes dos
invasores. Quatro oficiais do Exército participaram
da reunião em uma sala do quarto andar da
usina, mas a proposta foi outra: a reunião
seria na próxima quarta-feira, em Brasília,
no Ministério das Minas e Energia.
Governo quer
saber motivo de invasão em Tucuruí
Três representantes do governo
federal, do Ministério das Minas e Energia,
da Eletronorte e da Secretaria Geral da Presidência
da República, desembarcarão amanhã
em Tucuruí (PA) para conversar com os representantes
do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e
tentar entender as razões que levaram à
ocupação, uma vez que existia um processo
de atendimento de reivindicações em
andamento. Depois de quase 40 horas, os manifestantes
concordaram em deixar as instalações
da Usina Hidrelétrica de Tucuruí.
Na quarta-feira, eles serão
recebidos em Brasília no Ministério
das Minas e Energia. "Precisamos saber o que
motivou esta ocupação, entender as
razões para isso ter acontecido, uma vez
que existia um processo de discussão e solução
de problemas em andamento, ainda que pudesse existir
algum tipo de atraso", informou o secretário
nacional da ação social da Secretaria
Geral, Wagner Caetano. "Não há
compromisso que não estivesse em execução",
comentou ele.
|