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Análise
EADS e Dassault Aviation saem da Embraer
Nelson Düring
Em 24 de janeiro,
a Dassault Aviation, a European Aeronautic Defense
and Space - EADS e o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social - BNDES, através
de sua subsidiária BNDES Participações,
anunciaram a intenção de vender ações
de sua propriedade da Embraer, juntando-se aos fundos
de pensão Previ, do Banco do Brasil, e Sistel,
das empresas de telefonia, que em 19 de dezembro
de 2006 já haviam informado ao mercado a
intenção de alienar parte das ações
de sua titularidade.
A grande novidade da atualização
da oferta foi a decisão da Dassault
Aviation e da EADS em vender a totalidade
das ações que detêm da companhia
brasileira, conforme informado na página
139 do prospecto preliminar da oferta protocolado
na Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) em 24 de janeiro (documento com 671 páginas).
De acordo com o prospecto, documento que contém
informações das companhias vendedoras,
da Embraer e da oferta, em 16 de janeiro de 2007,
a EADS e a Dassault Aviation detinham cada uma 2,1%
do total de ações da Embraer, representando
um total de 15.697.318 ações ordinárias
da companhia brasileira.
O preço das ações
a serem alienadas ainda não foi definido,
mas considerando-se o valor atual dos papéis
na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)
e a quantidade de ações ofertadas,
72.903.806, a oferta dos acionistas vendedores deverá
superar R$ 1,6 bilhões. Deste valor, a EADS
e a Dassault deverão arrecadar cerca de R$
335 milhões.
Dos quatro acionistas estratégicos
europeus - Aerospatiale Matra, atualmente EADS,
Dassault Aviation, Thomson-CSF, atualmente Thales,
e SNECMA, atualmente Safran - que haviam adquirido
20% das ações em circulação
da Embraer em 5 de novembro de 1999 com evidentes
interesses no Programa F-X, restará após
a oferta de ações apenas a Safran,
que possui 1,1% do total de ações
da Embraer. A Thales
já havia alienado no final de setembro de
2006 todas as ações que detinha da
companhia.
Com a operação
de reestruturação societária
da Embraer levada a cabo no primeiro semestre de
2006, os acionistas estratégicos europeus
perderam o direito a nomear dois membros para o
Conselho de Administração da companhia,
direito este que era garantido por meio de acordo
de acionistas. Outras mudanças trazidas pela
reestruturação societária foram
a manutenção de apenas um único
tipo de ação da empresa, do tipo ordinária,
que dá aos seus titulares o direito de voto,
e a limitação do poder de voto de
todos os acionistas até o máximo de
5% das ações detidas, o que representou,
juntamente com a perda do direito das nomeações
para o Conselho de Administração,
a pulverização do poder de controle
da Embraer.
Na prática, a reestruturação
societária significou a quase que completa
eliminação dos poderes dos acionistas
estratégicos europeus na tomada de decisões
estratégicas da Embraer, o que levou a alguns
analistas a considerarem a reestruturação
levada a efeito por Maurício Botelho e o
Chief Financial Officer (CFO) da companhia, Antonio
Luiz Pizarro Manso como um pequeno "coup
d´etat".
Com a venda, a EADS se desfaz
de seu maior ativo industrial na América
Latina, permanecendo no Brasil com participações
acionárias na Helibrás (helicópteros)
e na Equatorial Sistemas Espaciais (espaço).
Comentários de bastidores, no entanto, dão
conta de que o grupo europeu estaria negociando
a aquisição de participação
em uma empresa brasileira do setor de defesa.
A saída da Dassault
Aviation, por sua vez, levanta dúvidas quanto
ao futuro do Programa FX-2...
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