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Apagão
Aéreo
SAIBA MAIS SOBRE INCIDENTE DE
TRÁFEGO AÉREO
A respeito das informações veiculadas
pela imprensa sobre risco de colisão no espaço
aéreo brasileiro, o Comando da Aeronáutica
preparou uma coletânea de dados com o objetivo
de auxiliar a imprensa na cobertura desse tipo de
assunto. Isoladamente e sem contextualização,
informações têm sido usadas
de modo inadequado.
A Segurança
do Controle do Espaço Aéreo
O sistema de tráfego
aéreo regulamenta a circulação
das aeronaves num determinado espaço. O que
isso quer dizer? São necessárias regras
para organizar essa movimentação e
garantir a segurança em benefício
dos passageiros e das tripulações,
a exemplo do que ocorre com o trânsito de
rua das cidades. Para isso, o órgão
gestor realiza estudos, por exemplo, para definir
por região quais são as separações
que as aeronaves deverão manter em função
das características das aeronaves, do relevo,
da estrutura dos aeroportos, da capacidade dos radares
e dos sistemas de comunicações, entre
outros fatores. Tudo com o objetivo de garantir
a segurança dos vôos.
No Brasil, toda vez que há suspeita que tais
separações mínimas foram reduzidas,
inicia-se uma investigação, por meio
de um Relatório de Incidente de Tráfego
Aéreo (RICEA), que poderá ser classificado
como um incidente de tráfego aéreo.
Este procedimento visa identificar não-conformidades
e propor soluções, de acordo com metodologia
específica.
Fica evidente que tais relatórios
são de fundamental importância para
a administração e para a melhoria
dos procedimentos de controle do tráfego
aéreo.
Toda a vez que há suspeita de que uma aeronave
voando teve sua bolha de proteção
tocada (pelo solo ou por outra aeronave), independentemente
do tamanho dessa redução de espaçamento,
há uma apuração para verificar
se houve de incidente. Veja a figura (simulação
e valores aproximados):

O trabalho de investigação
de incidente de tráfego aéreo
Como fazer para
identificar qualquer redução da separação
num sistema que funciona 24 horas por dia, projetado
sobre área de 22 milhões de quilômetros
quadrados e tem montante diário de aproximadamente
19,6 mil movimentos de tráfego? Por meio
de vistorias de segurança, auditorias de
qualidade e, principalmente, por meio do relato
voluntário dos principais atores: os controladores
de tráfego aéreo e os pilotos.
Esses relatos são peças fundamentais
para o tráfego aéreo, pois permitem,
em tempo real, a identificação de
anomalias de maneira a garantir a segurança
do sistema. A Organização de Aviação
Civil Internacional (OACI) deixa a critério
dos países a definição de seus
níveis de segurança.
Quando há um reporte de não-conformidade
do sistema que implique na redução
dos níveis de segurança, são
iniciados procedimentos de análise, de acordo
com metodologia usada no Brasil. O responsável
pela investigação conta com os relatos
dos envolvidos e com a gravação de
todas as comunicações e visualização
de dados tramitados na prestação do
serviço de tráfego aéreo. São
disponibilizados, quando requeridos, especialistas
de diversas áreas (médicos, engenheiros,
psicólogos etc) para ajudar a identificar
os fatores contribuintes.
Recomendações
de segurança
O principal produto
do RICEA são as recomendações
de segurança extraídas. Além
disso, a análise conjunta dos mesmos serve
como subsídio para que a administração
identifique pontos que deverão ser priorizados
em seu planejamento.
O gráfico abaixo permite avaliar o nível
de conscientização de pilotos e controladores
em relação ao reporte de incidentes
e colaboração com a prevenção:

Fonte: DECEA/Comando da Aeronáutica
Indicadores brasileiros
O Brasil adota uma
política de trabalho que tem reduzido os
índices nacionais de incidentes de tráfego
aéreo (incidente x 100 mil movimentos), como
mostra o gráfico a seguir:
Índice
de Incidentes de Tráfego Aéreo no
Brasil

Fonte: DECEA/Comando da
Aeronáutica Valores por 100 mil movimentos
Neste ano, até
julho, ocorreram 22 incidentes num montante de aproximadamente
4 milhões de movimentos de tráfego
aéreo. Em números absolutos, os dados
são os seguintes:
Índice
de Incidentes de Tráfego Aéreo no
Brasil

Fonte: DECEA/Comando da
Aeronáutica
(*) Dados de relatórios de investigação
concluídos até julho de 2006
Quando comparados
os dados de 2004 e 2005, é possível
concluir que houve uma diminuição
total da relação do número
de incidentes de tráfego aéreo por
100 mil movimentos de tráfego realizados
no país. A comparação por meio
desses indicadores permite levar em conta o
crescimento do volume de tráfego aéreo
no país:
|
Tipo
de Espaço Aéreo
|
Indicadores
(incidentes x 100 mil mov.)
|
|
|
2004
|
2005
|
|
FIR/CTA/UTA
|
0,97
|
0,65
|
|
ATZ/AD
|
0,40
|
0,66
|
Fonte:
DECEA/Comando da Aeronáutica
Esses índices
são de difícil comparação
em nível internacional, em virtude das peculiaridades
de cada lugar e da metodologia adotada em cada país.
Entretanto, em pesquisas realizadas em organismos
internacionais de aviação, é
possível encontrar os índices divulgados
no Aviation Safety Statistical Handbook disponibilizados
pela FAA (Administração Federal de
Aviação, em inglês) na Internet,
que permitem estabelecer uma base de comparação
com os indicadores daquele órgão.
Em 2001 e 2002, respectivamente, os Estados Unidos
registraram 1183 e 899 incidentes de tráfego
aéreo. É claro que a comparação
tem de ser feita por meio dos índices, em
razão da diferença de movimento de
tráfego aéreo.
|
Tipo
de Órgão de Controle
|
Indicadores
(incidentes x 100 mil mov.)
|
|
|
2001
|
2002
|
|
ARTCC
|
1,62
|
1,59
|
|
TOWER
|
0,23
|
0,15
|
Fonte:
FAA (www.faa.gov)
Os índices
da FAA, diferentemente dos brasileiros, que consideram
o total de incidentes de tráfego aéreo
ocorridos, levam em conta apenas as ocorrências
em que o controle do tráfego aéreo
é identificado como responsável por
tal situação. Há de se considerar
ainda que eles avaliam por tipo de órgão
de controle e sua tipologia é diferente do
padrão adotado pela OACI-ICAO, seguido pelo
Brasil.
Como os Centros de Controle de Área brasileiros
são responsáveis pelo controle das
FIR/CTA/UTA e as Torres de Controle pelas ATZ/AD
é possível inferir uma relação
dos mesmos com os ARTCC (Air Route Traffic Control
Center) e TOWER (Torre de Controle), respectivamente.
Pode-se verificar que os indicadores estão
próximos.
SIGLAS:
FIR Região de Informação
de Vôo
CTA Área de Controle
UTA Área Superior de Controle
ATZ Zona de Tráfego de Aeródromo
AD Aeródromo
DECEA Departamento de Controle do Espaço
Aéreo |
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