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FAB 24 Novembro 2006

FAB

Apagão Aéreo

SAIBA MAIS SOBRE INCIDENTE DE TRÁFEGO AÉREO


A respeito das informações veiculadas pela imprensa sobre risco de colisão no espaço aéreo brasileiro, o Comando da Aeronáutica preparou uma coletânea de dados com o objetivo de auxiliar a imprensa na cobertura desse tipo de assunto. Isoladamente e sem contextualização, informações têm sido usadas de modo inadequado.

A Segurança do Controle do Espaço Aéreo

O sistema de tráfego aéreo regulamenta a circulação das aeronaves num determinado espaço. O que isso quer dizer? São necessárias regras para organizar essa movimentação e garantir a segurança em benefício dos passageiros e das tripulações, a exemplo do que ocorre com o trânsito de rua das cidades. Para isso, o órgão gestor realiza estudos, por exemplo, para definir por região quais são as separações que as aeronaves deverão manter em função das características das aeronaves, do relevo, da estrutura dos aeroportos, da capacidade dos radares e dos sistemas de comunicações, entre outros fatores. Tudo com o objetivo de garantir a segurança dos vôos.

No Brasil, toda vez que há suspeita que tais separações mínimas foram reduzidas, inicia-se uma investigação, por meio de um Relatório de Incidente de Tráfego Aéreo (RICEA), que poderá ser classificado como um incidente de tráfego aéreo. Este procedimento visa identificar não-conformidades e propor soluções, de acordo com metodologia específica.

Fica evidente que tais relatórios são de fundamental importância para a administração e para a melhoria dos procedimentos de controle do tráfego aéreo.

Toda a vez que há suspeita de que uma aeronave voando teve sua “bolha de proteção” tocada (pelo solo ou por outra aeronave), independentemente do tamanho dessa redução de espaçamento, há uma apuração para verificar se houve de incidente. Veja a figura (simulação e valores aproximados):


O trabalho de investigação de incidente de tráfego aéreo

Como fazer para identificar qualquer redução da separação num sistema que funciona 24 horas por dia, projetado sobre área de 22 milhões de quilômetros quadrados e tem montante diário de aproximadamente 19,6 mil movimentos de tráfego? Por meio de vistorias de segurança, auditorias de qualidade e, principalmente, por meio do relato voluntário dos principais atores: os controladores de tráfego aéreo e os pilotos.

Esses relatos são peças fundamentais para o tráfego aéreo, pois permitem, em tempo real, a identificação de anomalias de maneira a garantir a segurança do sistema. A Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) deixa a critério dos países a definição de seus níveis de segurança.

Quando há um reporte de não-conformidade do sistema que implique na redução dos níveis de segurança, são iniciados procedimentos de análise, de acordo com metodologia usada no Brasil. O responsável pela investigação conta com os relatos dos envolvidos e com a gravação de todas as comunicações e visualização de dados tramitados na prestação do serviço de tráfego aéreo. São disponibilizados, quando requeridos, especialistas de diversas áreas (médicos, engenheiros, psicólogos etc) para ajudar a identificar os fatores contribuintes.

Recomendações de segurança

O principal produto do RICEA são as recomendações de segurança extraídas. Além disso, a análise conjunta dos mesmos serve como subsídio para que a administração identifique pontos que deverão ser priorizados em seu planejamento.

O gráfico abaixo permite avaliar o nível de conscientização de pilotos e controladores em relação ao reporte de incidentes e colaboração com a prevenção:


Fonte: DECEA/Comando da Aeronáutica

Indicadores brasileiros

O Brasil adota uma política de trabalho que tem reduzido os índices nacionais de incidentes de tráfego aéreo (incidente x 100 mil movimentos), como mostra o gráfico a seguir:

Índice de Incidentes de Tráfego Aéreo no Brasil


Fonte: DECEA/Comando da Aeronáutica – Valores por 100 mil movimentos


Neste ano, até julho, ocorreram 22 incidentes num montante de aproximadamente 4 milhões de movimentos de tráfego aéreo. Em números absolutos, os dados são os seguintes:

Índice de Incidentes de Tráfego Aéreo no Brasil


Fonte: DECEA/Comando da Aeronáutica
(*) Dados de relatórios de investigação concluídos até julho de 2006

Quando comparados os dados de 2004 e 2005, é possível concluir que houve uma diminuição total da relação do número de incidentes de tráfego aéreo por 100 mil movimentos de tráfego realizados no país. A comparação por meio desses indicadores permite levar em conta o
crescimento do volume de tráfego aéreo no país:

Tipo de Espaço Aéreo
Indicadores (incidentes x 100 mil mov.)
2004
2005
FIR/CTA/UTA
0,97
0,65
ATZ/AD
0,40
0,66

Fonte: DECEA/Comando da Aeronáutica

Esses índices são de difícil comparação em nível internacional, em virtude das peculiaridades de cada lugar e da metodologia adotada em cada país. Entretanto, em pesquisas realizadas em organismos internacionais de aviação, é possível encontrar os índices divulgados no Aviation Safety Statistical Handbook disponibilizados pela FAA (Administração Federal de Aviação, em inglês) na Internet, que permitem estabelecer uma base de comparação com os indicadores daquele órgão. Em 2001 e 2002, respectivamente, os Estados Unidos registraram 1183 e 899 incidentes de tráfego aéreo. É claro que a comparação tem de ser feita por meio dos índices, em razão da diferença de movimento de tráfego aéreo.

Tipo de Órgão de Controle
Indicadores (incidentes x 100 mil mov.)
2001
2002
ARTCC
1,62
1,59
TOWER
0,23
0,15

Fonte: FAA (www.faa.gov)

Os índices da FAA, diferentemente dos brasileiros, que consideram o total de incidentes de tráfego aéreo ocorridos, levam em conta apenas as ocorrências em que o controle do tráfego aéreo é identificado como responsável por tal situação. Há de se considerar ainda que eles avaliam por tipo de órgão de controle e sua tipologia é diferente do padrão adotado pela OACI-ICAO, seguido pelo Brasil.

Como os Centros de Controle de Área brasileiros são responsáveis pelo controle das FIR/CTA/UTA e as Torres de Controle pelas ATZ/AD é possível inferir uma relação dos mesmos com os ARTCC (Air Route Traffic Control Center) e TOWER (Torre de Controle), respectivamente. Pode-se verificar que os indicadores estão próximos.

SIGLAS:
FIR – Região de Informação de Vôo
CTA – Área de Controle
UTA – Área Superior de Controle
ATZ – Zona de Tráfego de Aeródromo
AD – Aeródromo
DECEA – Departamento de Controle do Espaço Aéreo
   
   
   
 

Nota Defesa@Net

Documento disponibilizado na página da FAB em resposta às
reportagens recentes, em especial da Rede Globo.

Texto original em pdf pode ser acessado da pácina da FAB
Link

 

 

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