Hierarquia: Ministro da defesa, Waldir Pires(acima), negociou o fim da operação-padrão, o que revoltou o Brigadeiro Luiz Carlos Bueno(abaixo)

Irritação na caserna
CB 05 Nov 06
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Desmilitarização começou com a criação da ANAC
CB 05 Nov 06
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Brasil - Brazil

Defesanet 05 Novembro 2006
Correio Braziliense 05 Novembro 2006

Apagão Aéreo

Irritação na caserna

Decisão de negociar com controladores partiu de Lula. Agora,
governo vive briga interna

Gustavo Krieger
Da equipe do Correio

Partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ordem para que o ministro da Defesa, Waldir Pires, resolvesse “de qualquer maneira” a crise causada pelos controladores de vôo. Foi também o presidente quem decidiu envolver o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, nas conversas. O presidente estava irritado com a incapacidade da Aeronáutica e da Infraero resolverem o impasse que se arrastava há dias, com os aeroportos lotados e imagens de filas e passageiros irritados em todos os telejornais. A crise nos aeroportos teve seu ápice no Dia de Finados, com longas filas de espera nas principais capitais do país e congestionamento de aeronaves nos pátios. Passageiros chegaram a esperar até 15 horas por vôos atrasados pela paralisação dos controladores de tráfego aéreo.

Como revelou o Correio na sexta-feira, por trás de toda a confusão, há duas brigas internas no governo. A primeira é salarial e por condições de trabalho. Cerca de dois terços dos controladores de vôo são militares. Eles recebem um salário que, na média, chega à metade do que ganham os controladores civis. Além disso, são submetidos à rígida hierarquia militar, enquanto os civis têm rotina de funcionários públicos.

Todas as tentativas desses controladores de obter aumentos salariais ou gratificações esbarram na resistência do Comando da Aeronáutica em criar diferenças dentro da tropa. Tornou-se lugar comum entre os militares da área dizer que o sargento que cuida da vida de milhares de passageiros ganha o mesmo soldo do que toca tuba na banda da Força Aérea.

A segunda briga é a disputa por poder entre a Aeronáutica e os dois órgãos civis que participam da administração do setor aéreo no Brasil: a Infraero e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Os militares reagiram mal à criação da agência e conseguiram adiar por meses a sua entrada em funcionamento. Ao final de uma longa queda-de-braço, conseguiram manter sob seu poder o controle aéreo.

A briga continuou nos bastidores. Anac e Infraero defendem a transferência de todo o controle aéreo para o regime civil. Os militares resistem. Os civis argumentam com a modernidade. Dizem que controle aéreo é uma atividade civil nos países desenvolvidos.Os militares rebatem com a tese da segurança nacional.

Coexistência difícil

A crise dos aeroportos acentuou e explicitou estas diferenças e mostrou a inviabilidade de manter os dois regimes coexistindo. A Aeronáutica convocou todos os controladores militares ao trabalho sob ameaça de corte marcial. Os ministros da Defesa e Trabalho abriram uma frente de negociação sindical e prometeram atender às reivindicações dos trabalhadores, inclusive os pleitos dos militares, que não podiam estar oficialmente na mesa, por conta da hierarquia da caserna. Na terça-feira, a primeira reunião do grupo de trabalho para estudar a reestruturação da carreira de operador de vôo deve ser realizada em Brasília. Os ministros da Defesa e do Trabalho vão discutir o problema com os operadores de vôo. Os militares foram excluídos.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, revoltou-se e não fez a menor questão de esconder. Disse a vários subordinados que pensou até em renunciar ao cargo. Numa quebra de hierarquia, acusou o chefe, o ministro Waldir Pires, de favorecer a quebra de hierarquia ao negociar diretamente com sargentos que exercem a função de controladores de vôo.

Quem terá de resolver a disputa é Lula. De um lado, encontrará o comando da Aeronáutica em crise, exigindo a retomada dos canais hierárquicos. De outro, pressões da Anac para que ele tome partido e passe o controle de vôo para o regime civil por medida provisória. Ao longo do primeiro mandato, o presidente mostrou-se cuidadoso para não afrontar os militares. Mas ele perdeu a paciência com a crise dos aeroportos.


É preciso pensar NISSO com muita seriedade porque desmilitarizar pode ser um caminho sem volta, com conseqüências para todos

José Carlos Pereira, presidente da Infraero


Defesa@Net

LA SEPARACIÓN VERTICAL MÍNIMA REDUCIDA ENTRE AERONAVES FAVORECE A LAS LÍNEAS AÉREAS, A LOS PASAJEROS Y AL MEDIO AMBIENTE
http://www.defesanet.com.br/fab/icaos.htm

LEI N o 11.182, DE 27 DE SETEMBRO DE 2005 -Cria a Agência Nacional de Aviação Civil -ANAC, e dá outras providências.
http://www.defesanet.com.br/md/lei_11.182_anac.htm

Controle do Espaço Aéreo Brasileiro uma História que Merece ser Contada
http://www.defesanet.com.br/fab/controle.pdf

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