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Os EE-11 Urutus
no Haiti
Lições das operações
incorporados aos blindados.
Paulo Roberto Bastos Jr.
Alfredo
Andre Tassara
Hélio
Higuchi
A participação
Brasileira na Missão de Paz no Haiti
(MINUSTAH), colocou as tropas brasileiras
em um teatro de operações (TO), que
não estavam familiarizadas e num tipo de
ação também desconhecido: operações
militares em áreas urbanizadas (MOUT).
Os oponentes são compostos de ex-policias,
ex-militares das Forças Armadas Haitianas
(extintas em 1994, por Jean Bertrand Aristide) e
bandidos comuns, organizado em milícias destinadas
a controlar algumas áreas na capital Port
au Prínce. Armados com os mais variados tipos
de armas leves, desde fuzis M1 Garand, M-1 Carbine
norte-americanos até AK-47 russos, forçaram
as tropas brasileiras a adaptar-se ao tipo peculiar
de confronto.
Neste tipo de missão,
o uso de viaturas blindadas de transporte de pessoal(VBPTP)
sobre rodas Urutu tem sido fundamental. Todos os
16 veículos para lá levados em duas
levas, foram extensivamente utilizados em Operações
tipo Polícia e em Operações
de Combate.
Os Urutus foram duramente castigados pelo trabalho
diuturno e pela ação das milícias,
como a colocação de objetos cortantes
sob o lixo das ruas para danificar os pneus, (Nota
Defesa@Net: Foi adicionada uma pá limpa entulhos:
Em ação o Urutu Moustache - Bigode).
Também tiros à curta distância,
que deixavam o motorista e o atirador de metralhadora
vulneráveis.
Tornou-se necessário efetuar modificações
de campanha no veículo para adequá-lo
a este ambiente operacional, e uma das iniciativas
pioneiras partiu do próprio Esquadrão
Mecanizado do 3º Contingente. Assim que designado
para a Missão, o Capitão Fábio
Cordeiro Pacheco comandante do Esquadrão
de Cavalaria Mecanizado Escola - Esquadrão
Paiva Chaves (a subunidade mecanizada do terceiro
contingente), com o devido apoio do Gen. Iberê;
juntamente com uma equipe formada por militares
especialistas e com significativa experiência
em blindados; iniciou tratativas com a finalidade
de projetar um novo tipo de blindagem rústica,
porém funcional ; que pudesse ser produzida
no Haiti ou na República Dominicana, para
a torre de metralhadora do blindado.
A
equipe foi assim composta:
- Capt. Meyer - Engenheiro Militar (Engº
mecânico automotivo)
- 1º Sgt Albuquerque - Encarregado de Material
do Esqd)
- 2º Sgt Costa Mello - Mecânico de
Viaturas Blindadas (Mec chefe do Esqd)
- 3ºSgt Bruno Gouveia - Mecânico
de Armamento do Esqd
- Cb Edivaldo e Cb Damião - Motoristas
de Urutu/Cascavel (os mais experientes do Esqd)
A equipe recebeu também orientação
do Gen.R1 Iberê Mariano da Silva que foi
Comandante do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento-IPD
e do Parque Regional de Manutenção/1
-PqRMnt/1. |
Os Urutus para lá enviados eram do 5º
Lote da ENGESA, e estavam equipados com torres de
metralhadora semelhantes às do Cascavel.
Através de um simples molde de papel cartão,
foi projetada e moldada uma blindagem protetora
na parte anterior e nas laterais da torre. A parte
posterior era protegida pela própria escotilha
da torre.(Ver
Foto 8) Para ser devidamente fixada, 2 dos
4 lançadores de fumígenos foram retirados
da torre. O protótipo foi construído
pela Metalúrgica MESMA, do Rio de Janeiro,
utilizando aço SAE 1020. A blindagem protótipo
uma vez pronta foi embarcada para o Haiti junto
com os militares do Esquadrão Paiva Chaves.
Desde o começo o objetivo foi a simplicidade
e que pudesse ser produzido nas condições
técnicas encontradas no Haiti, e montado
nos veículos com os recursos disponíveis
no local.
Juntamente com o aço SAE 1020, foram feito
testes de uma blindagem composta, agregando placas
de borracha na parte anterior da torre, entretanto
diante da falta deste item no Haiti, bem como na
vizinha Republica Dominicana, optou-se por instalar
um aço de maior resistência(aço
SAE 1100)
Em Porto Príncipe as blindagens de série
foram encomendadas à metalúrgica LA
PERFECTION, que adquiriu nos EUA o aço
SAE 1100. Durante os testes foram efetuados tiros
de fuzil a distâncias de 20 a 50m, com um
resultado de proteção balística
plenamente satisfatório.
Todos os 16 veículos lá operados receberam
esta modernização, com excelentes
resultados, introduzidas no segundo semestre de
2005. Pelo menos 6 Urutus retornaram ao Brasil para
serem reformados, e os que para lá estão
sendo enviados como substitutos, estão recebendo
uma modificação no Arsenal de Guerra
de São Paulo em Barueri. A nova configuração
foi em grande parte inspirada nestas primeiras modificações.
(Urutus
no Haiti recebem blindagem especial)
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9 - Detalhe
da torreta garantindo
proteção ao atirador e motorista,
modificações introduzidas em Novembro
2006,por equipe do AGSP e da empresa Centigon.
(Foto: Batalhão Brasileiro) |
Para a missão
no Haiti, a metralhadora Browning 12,7x99mm (.50)
foi retirada e substituída por uma MAG 7,62x51mm.
A fim de substituir a solução de contingência
utilizada para fixar a metralhadora MAG no reparo
projetado para metralhadora .50; a equipe do Esquadrão
Paiva Chaves desenvolveu também uma adaptação
para o reparo, utilizando o conjunto superior do
reparo terrestre da Mtr MAG, denominado Cunha Elástica.
Este conjunto foi fixado com solda no reparo da
Mtr .50, possibilitando o disparo com mais estabilidade
e a recuperação do recuo necessária
ao bom funcionamento da arma.(ver nota abaixo)
Um detalhe interessante é que o Esquadrão
Fuzileiros Mecanizado (Esqd Fuz Mec). do terceiro
contingente foi formado pelo Esquadrão
de Cavalaria Mecanizado Escola - Esquadrão
PAIVA CHAVES (antigo 9º Esqd C Mec - Es,
atualmente integrando a estrutura do Regimento Escola
de Cavalaria). O Gen PAIVA CHAVES foi o primeiro
comandante do Esqd Auto-metralhadoras, dotado de
viaturas Fiat-Ansaldo CV3 35II , criado em
1938; primeira organização militar
de natureza mecanizada da cavalaria do Exército
Brasileiro. Como o Esquadrão Escola originou-se
do Esqd Auto-Mtr, algumas tradições
persistem até hoje e foram levadas também
para o Haiti, como por exemplo os naipes de baralho
pintados nos Urutus, que diferenciam as viaturas
dos quatro pelotões do Esquadrão .
A adição de blindagem teve um papel
fundamental na adequação dos veículos
àquele tipo de operação. O
Esquadrão PAIVA CHAVES foi o punho de aço
do Batalhão Haiti/3º Contingente, abrindo
caminho nas ruas de Porto Príncipe para que
as companhias de fuzileiros ocupassem efetivamente
o terreno, de forma a garantir, com segurança,
o emprego do segmento civil da MINUSTAH (policial,
humanitário, assistencial e eleitoral) dentro
da concepção atual de Missão
de Manutenção de Paz da ONU. ( Nota
Defesa@Net: para a descrição de uma
patrulha noturna em Porto Príncipe acesse
"A
Patrulha")
Agradecimentos
Os autores agradecem as
pessoas abaixo citadas, os quais graças a
atenciosa colaboração ajudaram a tornar
este artigo possível:
-Ten.Cel.André Luis Novais Miranda
- Comandante do 57ºBIMtz(Es)-RJ
-Capt. Fábio Cordeiro Pacheco
- Chefe da Divisão de Planejamento e Doutrina
do Centro de Instruções de Operações
de Paz - RJ
-Capt.Guilherme Eduardo da Cunha Barbosa-
engenheiro mecânico do AGSP - SP
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Nota
O emprego
da metralhadora 7,62 tem sido o padrão
em zonas urbanas. A metralhadora .50 limita
a opção de emprego, pois a tropa
pode ser acusada de uso excessivo de força.
A munição mais potente pode
gerar danos colaterais imprevisíveis.
Lembrar que muitas operações
são em áreas tipo favelas com
estruturas frágeis que não deterão
a munição.
Assim a arma mais potente torna-se inócua
pelo receio da tropa em usá-la.
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