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Viatura
Leve de Emprego Geral
Aerotransportável
½ TON 4x4 CHIVUNCK©
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Paulo
Roberto Bastos Jr.
Alfredo
Andre Tassara
Hélio
Higuchi
O Desenvolvimento
Em 2003 o Exército
apresentou uma série de requisitos para um
novo veículo leve de emprego geral. E para
tanto, o Centro Tecnológico do Exército
(CTEx) mostrou sua proposta, resultando no desenvolvimento
de um veículo tubular, com suspensão
independente e tração 4x4.
Desta forma, em junho de 2004,
um protótipo foi construído no Instituto
de Pesquisas e Desenvolvimento - IPD, aonde o veículo
chegou a ser testado. Este projeto foi batizado
de Viatura Leve de Emprego Geral Aerotransportável
(VLEGA) ½ TON 4x4, vulgarmente chamado
de ARANHA.
O ARANHA teve finalidade de ser um
veículo conceitual bem como para aprimorar
os requisitos lançados pelo Exército.
Serviu também como um banco de testes para
que o Exército também pudesse avaliar
as reais necessidades de seus requisitos.
Este protótipo foi
parcialmente desmontado, e hoje o que resta dele,
se encontra no Arsenal de Guerra de São
Paulo (AGSP), no mesmo galpão onde se
desenvolve o seu sucessor (Foto
1).
O Brasil e a Argentina decidiram
partir para um programa conjunto de um veículo
tubular, com características semelhantes
ao modelo desenvolvido pelo CTEx. E desta forma,
em outubro de 2004 foi anunciado em Buenos Aires
o acordo de desenvolvimento em conjunto pelo Brasil
e Argentina de um veículo desse tipo.
Importante mencionar que o
projeto do CTEx era fruto da união dos requisitos
de ambos os países, uma vez que na Argentina
também se desenvolvia, desde 1998, um veículo
tubular 4x2, tendo a denominação de
Vehículo de Exploración Ligero
de Asalto (VELA). O projeto argentino já
estava visando o desenvolvimento de uma versão
4x4, que acabaria se tornando o GAÚCHO.
O GAÚCHO está
sendo desenvolvido pela Dirección de Investigación,
Desarrollo y Producción (IPD), argentino,
e pelo CTEx brasileiro. O primeiro protótipo
foi construído na Argentina e enviado ao
Brasil em junho de 2005. Ele foi bastante modificado
pelo IPD e agora se encontra em teste juntamente
com o segundo protótipo, sendo este produzido
totalmente na Argentina e apresentado em 29 de maio
de 2006 (Foto
2).
A Evolução
Enquanto o Brasil
e a Argentina mantiveram um intercâmbio acerca
do projeto conjunto, o Exército Brasileiro
deu prioridade em investir também num outro
projeto totalmente nacional. No final de 2005, quando
a primeira versão do veículo, o ARANHA,
completava sua série de testes, o CTEx contatou
a empresa paulista Columbus Comercial, Importadora
e Exportadora LTDA, para criar uma versão
melhorada deste veículo e tendo o contrato
assinado em 15 de dezembro de 2005.
A Columbus, que já havia desenvolvido o
Marruá, um jipe cujo projeto deriva
do jipe Engesa EE-12, iniciou em 06 janeiro de 2006
a construir o novo protótipo dentro das dependências
do AGSP, e em fevereiro optou-se por utilizar o
conjunto Motor/Transmissão do Marruá.
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Cronograma
Projeto Chivunck
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15 Dez
2005 Assinatura Contrato CTEx e Columbus
06 Jan 2006 Início dos Trabalhos
. . Fev 2006 Decido adotar o Conjunto Motor/Transmissão
do Marruá
08 Set 2006 Finalizado o Protótipo e
início dos Testes
08 Nov 2006 Apresentado ao Estado-Maior do Exército |
Batizado como CHIVUNCK,
começou seus testes de rolagem em 8 de setembro
de 2006. Em 02 de outubro de 2006, estivemos em
visita ao AGSP e o fotografamos todo cheio de barro
após testes, ainda com apenas 104 km rodados.
Pudemos constatar na ocasião sua robustez
e praticidade. Até a conclusão deste
artigo, já foram realizados dois grandes
testes de campo (Fotos 3,
4, 5
e 6).
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Viatura
Leve de Emprego Geral
Aerotransportável ½ TON 4x4
CHIVUNCK
Foto - CTEx |
No dia 8 de novembro
de 2006, o Departamento de Ciência e Tecnologia
(DCT) apresentou o CHIVUNCK ao alto-comando do Exército
em Brasília. Após a apresentação,
o veículo retornou para o AGSP, onde ele
continuará sendo testado a ajustado. Tais
medidas são tomadas visando o início
da avaliação que será realizada
pelo Centro de Avaliações do Exército
(CAEx), no Campo de Provas de Marambaia,
no Rio de Janeiro. Até essa data, o CHIVUNCK
ainda não tinha sido enviado para os testes
no CAEx.
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Características
da Viatura
(dados de projeto)
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Técnicas
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Motor
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MWM 4.07 TCA,
132 cv,
4 cilindros, turbo diesel |
| Transmissão |
Eaton FS2305,
mecânica,
5 marchas a frente e 1 ré |
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Dimensionais
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| Largura |
2,25 m |
| Comprimento
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4,32 m |
Altura (sem
o reparo da arma)
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1,85 m |
| Distância
entre eixos |
2,70 m |
| Bitola |
1,93 m |
| Peso (Estimado)
|
2.300 kg |
| Ângulo
de entrada |
67 ° |
| Ângulo
de saída |
45 ° |
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Desempenho
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| Velocidade máxima |
120 km |
| Velocidade mínima |
4 km |
| Rampa longitudinal
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60 ° |
| Rampa lateral
|
45 ° |
Transposição
de vau
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0,50 m |
| Obstáculo
vertical |
0,30 m |
| Capacidade de
carga |
500 kg |
| Guarnição |
3 homens
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| Armamento |
1 metralhadora
MAG 7,62x51 mm |
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Pode transportar
2 lança-rojões
AT-4
ou ALAC - Arma
Leve Anticarro |
Os dados de desempenho acima foram
retirados de um folder divulgado pelo CTEx, entretanto,
a viatura superou vários índices de
desempenho previstos durante os testes de campo.
O Estranho Nome
O Nome "CHIVUNCK"
foi dado pelo General Ubiratan Athayde Marcondes,
na época era vice-chefe do CTEx.
Significa no jargão
do Exército Brasileiro um brado de guerra
muito utilizado por várias unidades. Usada
principalmente pelas Brigadas de Pára-quedistas,
tal brado seria a busca de superação
de seus limites para continuar lutando num momento
em que suas forças já estivessem exauridas
(Foto 8).
Na Língua Alemã
podemos encontrar o vocábulo "Schwung",
que significa embalo, euforia, impulso. Pela semelhança,
poderia ela ter sido a origem da expressão
brasileira CHIVUNCK.
Projetos Semelhantes
no Continente
Somos obrigados
a notar o renovado interesse de vários exércitos
por este tipo de veículo, principalmente
na América Latina. Talvez essa idealização
seja em virtude do fato de ser um veículo
de projeto e construção relativamente
simples, quando comparados com outros tipos de veículos.
Isto poderá proporcionar um know-how párea
outros projetos mais avançados. No nosso
continente temos vários desenvolvimentos
de projetos de veículos tubulares, principalmente
leves, do tipo "Buggy", com tração
4x2. Os principais são:
APEREÁ (Uruguai): O Vehículo
de Exploración Liviano APEREÁ
(Preá) é um veículo tubular
4x2 desenvolvido pelo Servicio de Material y Armamento
- S.M.A. uruguaio e cujo primeiro protótipo
foi apresentado em 16 de dezembro de 2005. É
classificado como um veículo rápido
de cavalaria para reconhecimento e operações
especiais. Está equipado com uma metralhadora
MAG 7,62x51 mm e um lança-granadas CIS-40
AGL de 40x53 mm (Foto
9);
CONDOR (Brasil): O Veículo de Assalto
Rápido CONDOR é um veículo
tubular 4x2 que foi desenvolvido e construído
no Brasil pela Brigada Pára-quedista, com
o apoio do IPD, para atender a requisitos próprios
da unidade. Era equipado com um motor VW 1600 e
podiam ser armados com metralhadoras MAG 7,62x51
mm e/ou Browning 12,7x99 mm e podia transportar
lança-rojões AT-4. Cerca de 4 foram
construídos (Foto
10)
KOYAK II (Bolívia): O Vehículo
Táctico de Asalto KOYAK II veículo
tubular 4x2 desenvolvido pelo Ejército de
Bolivia devido à carência de meios
móveis utilitários. O projeto iniciou-se
em 1995 com o KOYAK I, que foi desenvolvido utilizando-se
o motor e diversos componentes de um VW Brasília
1600cc brasileiro e após uma série
de testes este modelo foi vendido para obterem-se
recursos para a continuidade do projeto. A versão
definitiva deste veículo esta equipado com
um motor Toyota Twin Cam de 1600 CC e, de acordo
com os últimos informes, terminou a fase
de testes e já se encontra em produção
no Batallón Logístico en Cochabamba
e em operação em diversas configurações
diferentes. (Foto
11);
LOBO (Peru): O Vehículo
de Ataque Todo Terreno LOBO esta sendo desenvolvido
pela empresa peruana Diseños Casanave
S.A. visando atender as necessidades e os requisitos
solicitados pelo Ejército del Peru, de acordo
com o Projeto DIEDE 2005. Trata-se de um veículo
tubular, equipado com um motor WV 1600 ou 2000cc,
refrigerado a ar. O objetivo deste veículo
seria dotar o exército peruano com um veículo
ágil, barato, simples, mas pesadamente armado,
para cumprir uma ampla gama de missões. Já
foram construídos pelo menos 4 protótipos,
que se diferenciam pela sua motorização
e armamento que portam, que vai desde metralhadoras
7,62x51 mm e 12,7x99 mm (.50) a mísseis MALYUTKA
M2/HJ73, podendo futuramente receber mísseis
KORNET E, KONKURS ou METIS. Também pode transportar
lança-rojões RPG-7V, RPG-29 ou AT-4
(Foto
12).
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O
Futuro do Gaúcho
Não é certo
o destino do projeto Gaúcho ou do próprio
Chivunck dentro do Exército Brasileiro.
Na área diplomática e legislativo,
a Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional (CREDN), da Câmara
Federal, aprovou em 22 de Novembro, a Mensagem
183/06 do Poder Executivo, que ratifica ajuste
complementar ao Acordo de Cooperação
Científica e Tecnológica entre
o Brasil e a Argentina, na área de
tecnologia militar, celebrado em Puerto Iguazu
em 30 de novembro de 2005.
Para texto acesse Acordo
de Cooperação Militar
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