COBERTURA ESPECIAL - Especial Leaks - Geopolítica

26 de Outubro, 2012 - 11:05 ( Brasília )

Leaks - WikiLeaks no ataque

O site de Julian Assange publica mais arquivos sigilosos antes das eleições nos EUA

Brian Snyder


Na reta final da campanha presidencial americana, o site WikiLeaks começou a publicar ontem um pacote com mais de 100 arquivos sigilosos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Agrupados sob o título Políticas de Detentos, os documentos detalham políticas de detenção do Exército no Iraque e na Baía de Guantánamo nos anos que se seguiram aos ataques de 11 de setembro de 2001. Em comunicado, o WikiLeaks criticou os regulamentos que, sustenta o site, levaram a abusos e à impunidade. E pediu que ativistas de direitos humanos usem os documentos para investigar o que chamou de “políticas de irresponsabilidade”.

O Manual de Procedimentos Operacionais Habituais (SOP) do Campo Delta, de 2002, foi um dos primeiros arquivos divulgados e abrange as regras e métodos para o tratamento de presos militares dos Estados Unidos depois dos atentados organizados pela rede terrorista Al-Qaeda. No comunicado, Jullian Assange, o australiano fundador do WikiLeaks que está há quatro meses refugiado na embaixada do Equador, em Londres, o documento aparentemente inspirou os manuais de procedimentos em outras prisões americanas no exterior, como Abu Ghraib (Iraque), e tem uma “importância histórica significativa”.

Excessos

Assange destaca que os arquivos mostram “os excessos dos primeiros dias de guerra contra um ‘inimigo’ desconhecido e como essas políticas amadureceram e evoluíram, e em última análise, derivaram para o permanente estado de exceção que os Estados Unidos agora se encontram, uma década depois.” E acrescenta: “As Políticas para Detentos mostram a anatomia da besta que se tornaram as prisões após o 11 de setembro, a construção de um espaço escuro, onde a lei e os direitos não se aplicam, onde as pessoas podem ser detidas sem deixar rastro, segundo a conveniência do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.”

No início do ano, a chefe de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, disse que os Estados Unidos ainda estavam desrespeitando a lei internacional em Guantánamo por realizar prisões arbitrariamente e indefinidamente. O fechamento da prisão é uma das principais promessas feitas pelo então candidato Barack Obama, em 2008, que acabou não sendo cumprida. “Guantánamo se converteu no símbolo dos abusos sistemáticos dos direitos humanos no Ocidente por uma boa razão”, acrescentou Assange no comunicado.

O campo de detenção na base naval dos EUA em Cuba foi criado em 2002 pelo então presidente dos EUA George W. Bush, no contexto da guerra ao terror. Dos 779 homens originalmente detidos em Guantánamo, 167 permaneciam lá em meados do mês passado. No comunicado de ontem, o WikiLeaks convida as ONGs a estudar os documentos. Em 2010, o site enfureceu Washington ao divulgar milhares de documentos secretos americanos sobre a guerra no Iraque e no Afeganistão. Depois, divulgou 250 mil telegramas confidenciais da diplomacia americana.

Arrecadação surpreendente

A campanha do Partido Republicano informou ontem que o candidato à Presidência dos Estados Unidos, Mitt Romney, e aliados arrecadaram US$ 111,8 milhões entre 1º e 17 de outubro. O período inclui dois dos três debates presidenciais televisionados. Segundo a equipe republicana, o forte desempenho do ex-governador de Massachusetts no primeiro confronto com o presidente Barack Obama, em 3 de outubro, claramente fez aumentar as doações. Ainda de acordo com o partido, cerca de 92% das doações foram de US$ 250.



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