| 1968
- A Ofensiva do TET
30 Janeiro a 23 Setembro 1968
7 ª Parte
- O
Tet e a opinião pública - USA
Fernando
Diniz
A Ofensiva do Tet
causou um profundo impacto no povo americano, tanto
a nível militar como a nível político.
Além disso, o povo americano repentinamente
deu-se conta de que alguma coisa estava errada com
relação às notícias
que estava acostumado a receber. De certa forma,
a Ofensiva do Tet pode ser comparada a Ofensiva
alemã nas Ardenas em dezembro de 1944, pela
sua amplitude, objetivos, potencia e surpresa tática.
Subitamente o povo americano começou a perguntar-se
: como é possível que um inimigo que
estava batido, desmoralizado e prestes a “jogar
a toalha” podia lançar uma ofensiva
de tal magnitude, com tais meios e com objetivos
bem definidos?
Como os alemães em 1944, os norte-vietnamitas
provaram que ainda tinham fôlego, equipamento
e vontade para atacar com surpresa tática
total.
A imprensa americana presente no campo de batalha
transmitia para os lares americanos chocantes cenas
de feridos e mutilados, além de imensa destruição
material. As pessoas se davam conta de que seus
filhos estavam sendo mortos por um inimigo que deveria
nem existir mais, de acordo com as notícias
de vitórias expressivas do lado americano
e sul-vietnamitas. E que dizer dos sul-vietnamitas?
Subitamente descobriu-se que os americanos estavam
lutando e morrendo para defender um governo corrupto,
desmoralizado e covarde, incapaz de defender seu
próprio pis, e mais interessado em enriquecer
do que em lutar pela sobrevivência.
A ofensiva causou um enorme efeito negativo na opinião
publica norte-americana e incentivou os grupos anti-guerra
a aumentarem sua pressão sobre o governo
pela saída dos EUA do Vietnam do Sul. Entre
a classe estudantil, principalmente nas universidades,
enormes manifestações foram feitas
protestando contra a presença americana numa
guerra que não era deles. Embora no aspecto
militar o governo de Hanói tenha sofrido
uma enorme derrota, na opinião publica norte-americana
sua vitória foi absoluta.
A opinião publica era um dos fatores que
mais preocupavam a Administração Johnson,
e durante o ano de 1967 a máquina publica
lançou uma campanha extremamente otimista
em relação à capacidade do
inimigo de continuar combatendo. O C-in-C americano
no Vietnam, General William Westmoreland chegou
a dizer que o inimigo estava “quebrado”.
Porém apenas dois meses depois este inimigo
“quebrado” atacou com enorme ferocidade
e competência. Como era possível tal
fato? Explicações eram exigidas do
governo em todos os níveis.
Estes fatos fizeram a Administração
Johnson repensar as solicitações de
Westmoreland por mais tropas. O Presidente Johnson
vetou o envio de mais soldados, e foi lançado
o programa de “vietnamização”
da guerra, que era a transferência gradativa
das funções exercidas pelos americanos
para o exército sul-vietnamita. Outro fator
poderoso era a necessidade de reduzir o numero de
baixas norte-americanas, retirando gradativamente
seus soldados da linha de frente, e substituindo-os
por tropas sul-vietnamitas. Westmoreland foi substituído
por Creighton Abrams, com ordens de acelerar o processo
de transferência de obrigações
e iniciar a retirada americana da guerra. Durante
1968 e 1969 este trabalho foi concluído e
durante a Administração Nixon os últimos
soldados americanos voltaram para casa, deixando
apenas unidades de apoio aéreo no Vietnam
do Sul. A condução da guerra passara
para o governo sul-vietnamita.
Embora melhor treinados e equipados, os sul-vietnamitas
foram incapazes de contar o avanço comunista,
e em poucos anos Saigon caía e o Vietnam
era unificado sob a bandeira do norte.
Em todas as campanhas militares americanas, uma
batalha define a natureza do conflito. Assim foi
com Yorktown, Gettysburg, Normandia e Inchon, que
representaram em suas mentes a dedicação
e o comprometimento pela vitória de uma causa
que acreditavam justa. Com relação
ao Vietnam, a Ofensiva do Tet relembra imagens de
bravura, mas não de vitória. O Tet
tornou-se o símbolo da futilidade da Guerra
do Vietnam na mente do povo americano.
As forças armadas norte-americanas levariam
décadas para livrarem-se do fantasma do Vietnam,
e somente nos anos 90, com campanhas como Desert
Shield e Desert Storm conseguiriam exorcizá-lo
definitivamente. Porém entre o povo americano
nunca mais teria o governo o apoio incondicional
por campanhas militares em solo estrangeiro, como
tinha até a Ofensiva do Tet.
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