| 1968
- A Ofensiva do TET
30 Janeiro a 23 Setembro 1968
6 ª Parte
- O
Tet e a opinião pública -
Vietnam do Sul
Fernando
Diniz
O Vietnam do Sul
era uma nação em turbulência
antes, durante e depois da Ofensiva do Tet. Tragédias
sucediam-se a tragédias a medida em que o
conflito chegava às mais distantes cidades
do país. A medida em que as tropas do ARV
recuavam para defender áreas urbanas, as
tropas do NLF (vietcong) avançavam para ocuparem
o espaço vazio. A destruição
causada pelos ataques durante a Ofensiva, tanto
pelo Norte como pelo Sul, na retomada de território
perdido, impressionaram profundamente o povo sul-vietnamita.
A confiança no governo foi seriamente abalada,
pois o que as pessoas descobriram foi que, apesar
do enorme apoio norte-americano, o governo ainda
assim não tinha condições de
proteger seus cidadãos.
O custo em vidas e propriedades foi atordoante.
O numero de mortos entre a população
foi estimado em 14.300, além de 24.000 feridos.
Outros 630.000 mil refugiados vieram juntar-se aos
800.000 já existentes. No fim de 1968, um
em cada doze sul-vietnamitas estava vivendo em um
campo de refugiados. Mais de 70.000 casas haviam
sido destruídas, e outras 30.000 tão
danificadas, que haviam se tornado inabitáveis.
O ARV, embora tenha melhorado seu desempenho e se
saído melhor do que os norte-americanos esperavam,
sofria do mais baixo nível moral já
atingido, com os níveis de deserção
subindo de 10.5 por mil antes do Tet para 16.5 por
mil após a ofensiva.
Apesar disto, o
governo Thieu mostrava sinais de otimismo. Em 01
de fevereiro o Presidente decretou a Lei Marcial,
e em 15 de junho a Assembléia Nacional aprovou
a mobilização geral da população,
e um aumento anual de 200.000 recrutas nas Forças
Armadas. Este ato dava ao governo um exército
permanente de 900.000 homens. Campanhas anticorrupção,
demonstrações de unidade política
e reformas administrativas logo ocorreram. Thieu
também criou um Comitê de Reconstrução
Nacional, para supervisionar a reconstrução
de casas e distribuição de suprimentos
entre os refugiados. Muitos moradores e membros
de seitas religiosas, indignadas com o NLF por haver
quebrado o sagrado cessar-fogo do Ano Novo Lunar
Budista (Tet), puseram-se mais ativamente a apoiar
o governo sul-vietnamita. Jornalistas que até
então eram críticos do governo, mudaram
de tom e passaram a apoiar abertamente as ações
tomadas pelo Presidente Thieu. O Presidente viu
nisto uma oportunidade de ampliar eu poder pessoal
e aproveitou-a. Seu único rival real era
o Vice-Presidente Nguyen Cao Ky, um antigo líder
da Força Aérea, que havia sido vencido
por Thieu nas eleições anteriores,
de forma fraudulenta. Logo após o Tet, Thieu
tratou de afastar Ky e seus seguidores de quaisquer
funções políticas, prendendo-os
ou exilando-os.
Thieu também suspeitava de seus aliados americanos.
A decisão de Lyndon Johnson de suspender
os bombardeios ao Vietnam do Norte, numa demonstração
de boa vontade, que ajudasse as negociações
de paz, deu a Thieu uma certeza: seus aliados preparavam-se
para abandoná-lo. Para ele, as negociações
não eram em busca de paz, mas sim uma forma
de entregar o Sul aos comunistas. Acalmou-se apenas
quando, num encontro com Johnson em Honolulu, recebeu
deste uma garantia de que o Vietnam do Sul seria
membro efetivo nas negociações, e
que os Estados Unidos não aceitariam nenhum
tipo de “governo de transição”
para o Vietnam do Sul.
Com tudo isso, o povo sul-vietnamita começou
a dar-se conta de que seus aliados e sua única
esperança de vencerem a guerra, o exército
norte-americano, preparava-se para ir embora, deixando-os
a mercê de um governo corrupto e incapaz de
sustentar a luta contra um inimigo tenaz e bem organizado.
O resultado da guerra já começava
a esboçar-se no horizonte...E não
era a vitória...
|