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DEFESA@NET 18 Março 2008

DEFESA @ NET

1968 - A Ofensiva do TET
30 Janeiro a 23 Setembro 1968


4 ª Parte -
O Tet e seus reflexos na guerra do Vietnam

Fernando Diniz

 

A ofensiva do Tet, em fevereiro de 1968, aumentou ainda mais o desencanto do povo americano com a política de guerra do presidente Lyndon Johnson, além de provocar profundas mudanças no papel dos Estados Unidos no Vietnam.

A partir desta decisiva ação militar comunista, os programas de vietnamização do conflito e de pacificação (submissão dos elementos rebeldes) assumiram crucial importância na estratégia norte-americana e de seu aliado, o Vietnam do Sul.

A vietnamização implicava no processo de redução da presença americana no Vietnam do Sul, entregando bases e instalações às tropas do AVN, além de intensivos programas de treinamento e reequipamento, com o fito de aumentar-lhes a responsabilidade de combate.

Complemento natural da vietnamização, a pacificação teve como objetivo capacitar o Vietnam do Sul a prover sua própria segurança, usando sua polícia e suas forças armadas.
Embora o presidente Richard Nixon tenha recebido o reconhecimento pela vietnamização, o início desse processo remonta ao governo anterior. Oficialmente, os Estados Unidos sempre afirmaram estar apenas ajudando na defesa de um país aliado, e que um dia os sul-vietnamitas assumiriam esta responsabilidade.Mas, na prática, o ARV foi ignorado por anos.

O general Westoreland, CO das tropas norte-americanas, concentrou-se em bater o inimigo com suas próprias tropas. O ARV- mal dirigido, mal treinado e equipado e assolado por corrupção e deserções – não lhe inspirava o mínimo respeito. Mas no verão de 1967, com o crescente aumento nos custos da guerra, e o aumento da insatisfação popular “em casa”, o Presidente Johnson passou a resistir aos pedidos de Westmoreland por mais tropas. A idéia era melhorar o desempenho do ARV e seu equipamento, fazendo-o assumir um papel importante na condução da guerra. A redução do numero de baixas norte-americanas também era outro poderoso fator que pesava contra o envio de mais soldados. O general Creighton Abrams recebeu a missão de melhorar o desempenho do ARV.

Foi criado o CORDS – Comando de Apoio a Operações Civis e Desenvolvimento Revolucionário – que era parte do comando militar americanos e incluía pessoal da CIA e da AID – Agencia para o Desenvolvimento Internacional.

Vietnamização e pacificação

Com o apoio incondicional do Embaixador dos Estados Unidos em Saigon, Ellsworth Bunker, o CORDS organizou um serviço de informações, atacou a presença política do NLF, fortaleceu as forças de pacificação do Vietnam do Sul e canalizou recursos para o desenvolvimento das aldeias. Em março de 1968, os Estados Unidos tomaram a decisão definitiva de não aumentar suas tropas. Teve inicio então o urgente aperfeiçoamento do ARV.

Acelerou-se a produção do M16, de maneira que o ARV pudesse usar uma nova arma, mais leve e fácil de manejar, e mais condizente com o tipo físico dos sul-vietnamitas, que até então ainda eram equipados com os pesados Garand M1 da Segunda Guerra. Helicópteros, blindados e artilharia foram fornecidos ao ARV em crescentes quantidades. Em junho de 1968, o general Abrams, já bastante envolvido no programa de vietnamização, assumiu o lugar de Westmoreland no comando das forças americanas no Vietnam do Sul.

Ao mesmo tempo, o governo sul-vietnamita de Nguyen Van Thieu aprovou em junho de 1968 a lei de mobilização geral, que tornou obrigatória alguma forma de prestação de serviço militar para todos os cidadãos aptos do sexo masculino entre os dezesseis e os cinqüenta anos. Além disso, concordou em armar os camponeses, criando a Força Popular de Autodefesa, milícia treinada e equipada para proteger suas aldeias. Durante o ano de 1968, o efetivo do ARV – tanto regulares como Forças Regionais e Populares – cresceu de 643.000 para 820.000 homens.

A retirada das tropas norte-americanas começou em junho de 1969, quando os programas de treinamento e reequipamento já começavam a atingir um grau bem elevado de sucesso, principalmente entre as unidades terrestres e aéreas. Também houve uma aceleração na entrega de novas armas: em abril de 1969 todas as tropas regulares do ARV estavam já equipadas com M16. Em fevereiro de 1970 a maior parte das Forças Regionais e Populares também já haviam sido reequipadas com armas modernas.

Pressão sobre o ARV

Com o sucesso da vietnamização e da pacificação, cresceu a responsabilidade das Forças Armadas do Vietnam do Sul. À medida que cresciam as áreas seguras e a pacificação se estendia às áreas antes disputadas com o NLF, expandiam-se os deveres do ARV e das forças territoriais na proteção dos povoados. A retirada dos Estados Unidos levou o ARV a assumir cada vez mais o encargo de combates e suporte na guerra ao Exército do Vietnam do Norte. Em conseqüência, as exigências sobre as forças regionais e populares aumentaram.Deviam agora garantir a segurança local sem o grau de apoio das unidades regulares do ARV e dos EUA a que estavam acostumadas.

O ARV acabou respondendo pelos combates terrestres a partir do fim de 1970. Contando, em teoria, com uma força de mais de um milhão de homens, divididos de uma força quase uniforme entre regulares e territoriais, e contando com o que havia de mais moderno nos arsenais norte-americanos, o ARV teria sido capaz de garantir a segurança de seu país, sobretudo porque desde 1971 se calculava que menos de 5% do território sul-vietnamita estava em mãos comunistas.

A dependência dos Estados Unidos

A liderança das Forças Armadas constituía uma das questões mais críticas enfrentada pelo Vietnam do Sul. Altas patentes e promoções dependiam mais de acertos e conveniências políticas do que da capacidade militar, de liderança ou do desempenho. Assessores americanos recomendavam o afastamento de um oficial ou político incompetente que ocupasse posição-chave.O governo sul-vietnamita acatava a sugestão, mas poucos meses depois esse indivíduo aparecia em outra unidade. Sem um corpo sólido de oficiais trinados e capazes, as forças do Vietnam do Sul teriam dificuldades em enfrentar a ameaça militar do PAVN – o Exército do Povo do Vietnam do Norte – cuja liderança mostrava motivação, competência e desempenho profissional.

Havia também pouca possibilidade do ARV de sustentar-se sozinho. Seus oficiais estavam acostumados ao estilo norte-americano de combate, uma dispendiosa e às vezes exagerada combinação de mobilidade e poder de fogo. Chegavam a surpreender seus assessores na rapidez com que pediam apoio aéreo e de artilharia, em ações eminentemente de infantaria. Tinham, portanto uma dependência total dos Estados Unidos em logística, desde peças de reposição e munição até equipamento pesado. A economia local só permitia o fornecimento de uniformes militares...Todo o resto vinha de fora. O ARV tampouco podia prescindir do apoio aéreo americano.

O êxito da pacificação também estava sujeito a duvidas. O numero de localidades sob controle do governo era maior do que nunca, mas havia necessidade de manter esta situação. O programa de reforma agrária e os conselhos regionais pró-EUA logo seriam comprometidos pela desconfiança e pela hostilidade do regime de Saigon em relação aos camponeses.Cessara a oposição ativa nas aldeias, mas continuava não existindo apoio efetivo ao presidente Thieu.

A única garantia para a sobrevivência do Vietnam do Sul como Estado independente era o compromisso do governo americano de continuar fornecendo cobertura aérea, armas e dinheiro. De fato, a vietnamização e a pacificação apenas desempenharam papel de cobertura para a retirada das tropas norte-americanas, sem admissão de derrota ou desonra.



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4 ª Parte
- O Tet e seus reflexos na guerra do Vietnam
5ª Parte -O Tet e a opinião
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6ª Parte - O Tet e a opinião
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