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Lula tieta
herói do Vietnã
Presidente pede a general
Giap para tirar foto com Dilma, fala de Niemeyer
e de Fidel
Chico de Gois
HANÓI, Vietnã.
O saudosismo de esquerda tomou conta ontem do presidente
Lula e sua comitiva, especialmente a chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff, durante visita à capital
vietnamita. Lula deixou o protocolo de lado para
fazer um pedido especial ao general Vo Nguyen Giap,
herói nacional e principal estrategista do
Vietnã nas guerras pela independência
da França e contra os Estados Unidos: que
ele aceitasse tirar uma foto ao lado da ministra,
que Lula descreveu como uma das "adoradoras
do líder", de 97 anos. Os comunistas
Oscar Niemeyer e Fidel Castro, ex-ditador cubano,
também foram citados por Lula na conversa
com o general.
"Desde
muito cedo acompanhei a Guerra do Vietnã
e posso lhe dizer que fiquei tão orgulhoso
da vitória do Vietnã quanto
um vietnamita. A vitória de vocês
foi a vitória do oprimido e nós
nos sentimos co-participantes e muito orgulhosos
do significado da vitória de vocês
para a Humanidade."
Declaração Presidente Luiz Inácio
- Hanói - Vietnã 10 Julho 2008 |
- Queria pedir um
favor - começou Lula, ainda tímido,
dirigindo-se a Vo Nguyen Giap. - Aquela moça
(apontando Dilma) é minha ministra no Brasil,
foi na sua juventude militante de esquerda, ficou
três anos e meio na cadeia e ela tem pelo
senhor uma verdadeira adoração.
Diante da dificuldade
do tradutor em entender a palavra adoração,
Lula mudou para admiração:
- Seria importante
que o senhor permitisse que ela tirasse uma foto
ao seu lado.
Dilma, que até
então se mostrava séria, e cuja presença
no Vietnã ainda era uma incógnita,
esboçou um leve sorriso, entre feliz e encabulada.
Levantou-se, dirigiu-se ao velho líder e
deu-lhe dois beijos na face. Dilma chegou a Hanói
domingo e participou do encontro com empresários
brasileiros e vietnamitas.
Já à
vontade na função de mestre de cerimônias,
Lula lembrou de outro esquerdista famoso do Brasil,
o arquiteto Oscar Niemeyer, de 100 anos. Perguntou
a idade do general e, diante da resposta, disse
que o brasileiro é o mais velho comunista
do mundo.
- Mande meu abraço
para o velho comunista - saudou Nguyen Giap.
Lula ainda pediu
para tirar uma foto ao lado do general para enviá-la
a Fidel Castro.
- Tem um amigo nosso
que está doente, que é o Fidel Castro,
e quero levar esta foto para mandar para ele.
O general Giap é
uma lenda viva em seu país e entre militantes
esquerdistas mundo afora, sobretudo os da geração
que ingressou na luta armada na década de
60, caso de Dilma. Embora debilitado, ainda é
lúcido. Na luta pela independência
do país, foi exilado e, enquanto estava no
exterior, sua mulher, irmã, pai e cunhada
foram presos, torturados e mortos.
O general elogiou
a liderança brasileira na América
Latina e a cooperação com o Vietnã
e disse que a principal força no momento
é a juventude. Lula recebeu de presente um
livro, "Años y meses inovidables".
- Encontrar aquele
homem minúsculo, com 97 anos e saber que
por detrás daquela aparência minúscula
tem um homem que derrotou o grande poder militar
francês e o grande poder militar americano
é, no mínimo, estar diante de uma
figura superior.
E fez elogios aos
vietnamitas:
- A minha geração
é a geração da Guerra do Vietnã.
Aprendi a gostar dos fracos, e como o Vietnã
se apresentava diante dos Estados Unidos com soldados
pequenos, pessoas magrinhas, para enfrentar aqueles
homens de 1,90m dos EUA, bem alimentados, com hambúrguer,
automaticamente a gente passava a torcer para os
considerados mais fracos.
A Guerra do Vietnã
ocorreu entre 1959 e 1975, entre o Vietnã
do Norte, apoiado pelos países comunistas,
e o Vietnã do Sul, apoiado pelos Estados
Unidos. Em 1965, os EUA enviaram tropas para evitar
a unificação do país sob regime
comunista, mas foram obrigados a se retirar em 1973.
Mais cedo, diante
do busto do herói nacional Ho Chi MIn, no
Palácio Presidencial, o presidente já
havia celebrado as vitórias do Vietnã:
- O que vocês
fizeram aqui foi muito mais que vencer uma guerra,
foi uma lição de vida.
O presidente do
Vietnã, Nguyen Minh Triet, devolveu os elogios:
disse que os vietnamitas amam o futebol e o samba
do Brasil.
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