COBERTURA ESPECIAL - Venezuela - Geopolítica

24 de Janeiro, 2019 - 10:25 ( Brasília )

EUA rejeitam decisão de Maduro de romper laços diplomáticos


Os Estados Unidos rejeitaram a decisão do venezuelano Nicolás Maduro de romper relações diplomáticos com Washington, dizendo que ele não tem autoridade para cortar os laços e que os EUA irão conduzir o relacionamento por meio de um governo liderado pelo líder da oposição Juan Guaidó.

“Os Estados Unidos mantém as relações diplomáticas com a Venezuela e irão conduzir nossas relações com a Venezuela através do governo do presidente interino Guaidó, que convidou a nossa missão a permanecer na Venezuela”, disse o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, em comunicado.

“Os Estados Unidos não reconhecem o regime Maduro como o governo da Venezuela. Assim, os Estados Unidos não consideram que o ex-presidente Nicolás Maduro tenha a autoridade legal para romper relações diplomáticas”.

Guaidó se declarou presidente interino da Venezuela na quarta-feira, ganhando o apoio de Washington e de diversos países da América Latina e fazendo com que Maduro, que tem liderado a nação rica em petróleo desde 2013, rompesse as relações com os Estados Unidos, dando aos diplomatas norte-americanos 72 horas para deixar o país.

Entretanto, Pompeo sugeriu que os diplomatas dos EUA planejam permanecer onde estão e pediu que os militares e as forças de segurança da Venezuela “continuem protegendo... todos os cidadãos venezuelanos, assim como os cidadãos dos EUA e outros estrangeiros na Venezuela”. “Pedimos que todas as partes se abstenham de medidas que são inconsistentes com os privilégios e imunidades desfrutadas por membros da comunidade diplomática”, disse.

“Os Estados Unidos tomarão as ações apropriadas para responsabilizar qualquer um que coloque em risco a segurança da nossa missão e de seu pessoal”, acrescentou.

UE diz que protestos venezuelanos "não podem ser ignorados" e pede pela segurança de Guaidó



A União Europeia pediu nesta quinta-feira que as autoridades venezuelanas respeitem os “direitos civis, liberdade e segurança” do líder da oposição do país, Juan Guaidó, mas não chegou a seguir Washington e reconhecê-lo como presidente interino.

“Em 23 de janeiro, o povo da Venezuela pediu intensamente pela democracia e pela possibilidade de determinar livremente seu próprio destino. Essas vozes não podem ser ignoradas”, disseram os 28 países do bloco em um comunicado conjunto. “O povo venezuelano tem o direito de se manifestar publicamente, escolher livremente seus líderes e decidir seu futuro”, disse o comunicado da UE.

Maduro fica isolado após apoio de países da América Latina a líder da oposição venezuelana

A maior parte dos países da América Latina reconheceu o líder da oposição venezuelana Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, deixando Nicolás Maduro ainda mais isolado enquanto enfrenta instabilidade em casa e ameaças dos Estados Unidos.

Bolívia e Cuba, aliados de esquerda de longa data da Venezuela, foram os únicos países da região a expressar explicitamente apoio a Maduro, enquanto Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru apoiaram Guaidó. Os Estados Unidos e o Canadá também reconheceram Guaidó —o líder de 35 anos da Assembleia Nacional, controlada pela oposição— como o governante legítimo da Venezuela.

Entretanto, o México —antes um integrante vocal do Grupo de Lima, criado para pressionar Maduro a promover reformas democráticas— assumiu um tom dissonante sob o governo do presidente de esquerda Andrés Manuel López Obrador, dizendo que não tomará partido e descrevendo o apoio a Guaidó como uma violação da soberania venezuelana.

Guaidó se declarou presidente temporário da Venezuela na quarta-feira durante manifestação que atraiu centenas de milhares de venezuelanos. Ele acusou Maduro de usurpar o poder e prometeu criar um governo de transição.

As críticas a Maduro têm crescido nos últimos anos à medida que seu governo marginalizou a Assembleia Nacional, conduziu eleições amplamente questionadas e passou por uma crise econômica que tem forçado milhões de venezuelanos a fugir do país, principalmente para outras nações da América do Sul.

Ao mesmo tempo, governos de direita têm chegado ao poder em lugares onde Maduro antes tinha aliados. O governo brasileiro afirmou, em nota do Ministério das Relações Exteriores, que está comprometido em apoiar o “processo de transição” no país vizinho, e o presidente Jair Bolsonaro comentou a situação do país vizinho durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

“A história tem nos mostrado que ditaduras não passam o poder para a oposição de forma pacífica, e nós tememos as ações da ditadura Maduro”, disse Bolsonaro em entrevista à TV Record. “Obviamente tem países fortes dispostos a outras consequência... como anunciado pelo governo Trump.

Obviamente o Brasil acompanha com muita atenção e estamos no limite daquilo que podemos fazer para restabelecer a democracia naquele país”. O presidente da Argentina, Mauricio Macri, escreveu em publicação no Twitter na quarta-feira: “A Argentina irá apoiar todos os esforços de reconstrução da democracia venezuelana e o restabelecimento de condições de vida dignas para todos os seus cidadãos”, Macri assumiu o cargo em 2015, substituindo a ex-aliada de Maduro Cristina Kirchner.

Maduro pediu que as Forças Armadas permaneçam unidas e rompeu relações diplomáticas com Washington, que acusou de tentar orquestrar um golpe de Estado com a ajuda de seus aliados na região. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou que “todas as opções estão sobre a mesa” e seu governo sugeriu a possibilidade de impor novas sanções contra o vital setor de petróleo da Venezuela.

O México disse que ainda reconhecerá Maduro como o presidente legítimo da Venezuela e pediu diálogo. “O México não faz parte dessa tentativa de tomar partido e promover um tipo de intervenção interna”, disse o porta-voz presidencial Jesús Ramírez, em entrevista. Sob o governo de López Obrador, o México voltou à sua tradicional política externa de não-intervenção. “Nós mantemos nossa posição de neutralidade e não-intervenção no conflito na Venezuela”, disse Ramírez.